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Em reencontro com o passado, amigos abrem cartas escritas nos últimos 20 anos

Professor de História reuniu cerca de 1.200 cartas de ex-alunos escritas ao longo dos últimos 20 anos para serem abertas neste sábado, 4
21:54 | Dez. 04, 2021
Autor Gabriel Borges
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O desejo de viajar ao futuro ou, até mesmo, reviver o passado ainda parece algo distante, mesmo com tamanha evolução tecnológica disponível no século XXI. Entretanto, o professor de História Antero Macedo, 66, conseguiu florescer um sentimento parecido em seus alunos, isso porque, neste sábado, 4, antigos estudantes reecontraram cartas escritas por eles ao longo dos últimos 20 anos.

Tomado pela emoção, o professor relatou com a voz embargada o sentimento ao ver o projeto se concretizando após tantos anos de espera. "Eu não pensei que fosse me emocionar tanto, mas eu vejo ex-alunos chorando, aí fica difícil me controlar. Está magnífico demais", ressalta.

Questionado se o reencontro marcado por tanto carinho com os ex-alunos era um afago, em um País que pouco valoriza a sua classe profissional, Macedo destaca que nunca duvidou da sua vocação para a profissão.

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"Sou um professor altamente realizado com a minha profissão, eu não tenho do que reclamar. Existem profissões que não são valorizadas, professor é uma delas. Sempre procurei ser diferente, sair da caixinha, tentei fazer coisas que encantassem a mim e aos meus alunos", comenta, emocionado.

O evento ocorreu na praça de alimentação do Shopping RioMar Fortaleza, das 11 às 19 horas, neste sábado, e contou com cerca de 1.200 cartinhas. Mesmo com as oito horas de duração do evento, o professor relatou que não deixaria o local até o fim do horário combinado, e até já tinha recebido pedidos para que o tempo fosse estendido.

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As cartas estavam contidas em envelopes e guardadas em mais de dez caixas, que estavam organizadas pelo ano em que foram escritas, além de possuírem uma identificação por turma. Alguns envelopes também contavam com cartas escritas por amigos e familiares.

O momento foi de emoção não só para o professor, mas também para os ex-alunos. Cynara Carvalho, 24, estudante de Gastronomia, não conteve as lágrimas ao encontrar, dentro do seu envelope, uma cartinha de sua avó, que já faleceu.

"Tem a carta da minha avó, que já faleceu, ainda não tive coragem de abrir, mas tá tudo bem. Ainda não li a minha carta para mim mesma, tô deixando para o final", disse a jovem, enquanto enxugava algumas lágrimas no rosto.

Cynara ainda se deparou com a carta de um antigo namorado, Mateus Nogueira, 24, que também estava no evento. Atualmente, os dois já não estão juntos, mas seguem com a amizade construída nos tempos de escola.

"Na época da carta, a gente namorava e, hoje em dia, somos amigos, graças a Deus. Imagina o climão que seria a gente aqui sem se falar", brinca Cynara.

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Mateus revela que não lembra o conteúdo da carta que havia escrito, mas conta a sua felicidade em participar de um evento tão nostálgico.

"Não sabia que estava tendo um evento tão grande, mas é muito interessante. Ler as cartinhas dá um nervosismo, pode ter alguma coisa que você vá ter vergonha, mas acaba que é uma experiência muito legal".

Já a nutricionista Letícia Oliveira, 23, relata que não achou o envelope com suas cartas. Além da expectativa de conseguir localizar o envelope, ela expressou a sua felicidade em reencontrar os amigos. "Eu achei ótimo. Isso une pessoas, a gente tava há muito tempo sem se ver. É muito bom rever o pessoal do colégio e saber como estamos hoje", afirma.

Para Letícia Regina, 21, o reencontro com o passado fez com que ela relembrasse que traçou caminhos diferentes do que imaginou quando mais nova. "Eu esperava ser médica, nem me lembrava disso. Hoje, eu estou na Psicologia. Tem o nome das minhas amigas e o desejo que essa amizade continuasse, para alguns deu certo, para outras não, mas foi muito nostálgico achar tudo isso".

O evento contou com a organização do Colégio Joviniano Barreto. Para Manuela Abreu, diretora pedagógica da escola, a concretização do projeto representa um momento único. "É um projeto emocionante demais. Ver a alegria do Antero, que trabalha com a gente há tantos anos, e também reencontrar os nossos alunos após tantos anos e vendo as pessoas que se tornaram, é gratificante demais para a gente, como instituição, poder promover isso", finaliza.

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