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Homem que teve R$ 2,3 mi em bens sequestrados foi condenado por compra de decisão judicial

Paulo Diego da Silva Araújo possui longa trajetória do crime, sendo apontado como liderança da facção Primeiro Comando da Capital (PCC)
07:18 | Set. 22, 2021
Autor Lucas Barbosa
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Lucas Barbosa Repórter do caderno de Cidades
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Tipo Notícia

O chefe de uma facção criminosa que teve R$ 2,3 milhões em bens apreendidos, em ação divulgada nessa terça-feira, 21, já foi apontado como integrante da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Ceará e foi condenado por comprar sentenças judiciais. Paulo Diego da Silva Araújo, o "Dino", 38 anos, foi preso em maio último, quando era um dos alvos da Lista de Recompensas da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

"Dino", que também é conhecido como "Universitário", também foi apontado como mandante da ação que deixou um carro com explosivos ao lado da Assembleia Legislativa do Estado (AL/CE), em 2016. O ato foi uma retaliação a um projeto que tramitava na Casa, que determinava a implantação de bloqueadores de sinal telefônico em presídios.

A trajetória criminosa de Paulo Diego inclui crimes como roubo, roubo de carga, crime contra a fé pública, direção criminosa, furto qualificado, estelionato, integrar organização criminosa e tráfico internacional de drogas. Conforme captado na operação Saratoga, do Ministério Público Estadual (MPCE), Paulo Diego diz ser membro do PCC desde 12 de maio de 2013. Em junho de 2015, ele teria assumido a chamada "Geral das Gravatas do Estado do Ceará", célula da facção responsável pela contratação de advogados para integrantes da facção.

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Em 2013, Paulo Diego teria sido beneficiado, criminosamente, por um habeas corpus que garantiu a sua liberdade. Um mês antes, ele havia sido preso pela Polícia Federal com R$ 300 mil em espécie, dinheiro que não teria conseguido explicar a origem. Conforme a operação Expresso 150, também da PF, ele pagou R$ 150 mil pela ordem judicial do desembargador Carlos Feitosa, em acordo intermediado pelo filho deste, o advogado Fernando Feitosa. Por esse crime Paulo Diego foi condenado a quatro anos de prisão.

Paulo Diego voltaria a ser preso em 2015, no âmbito da operação Cardume, da Polícia Federal, que desvendou um esquema que movimentava toneladas de cocaína por mês e incluía o envio da droga à Europa. Conforme a PF, Paulo Diego atuava como “distribuidor do entorpecente nos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte”. Em abril de 2018, porém, ele obteve nova liberdade: Dino e outros 10 presos na Cardume tiveram habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A partir de então, Paulo Diego era considerado foragido e passou a integrar a lista dos mais procurados da SSPDS. Em 2019, a Primeira Turma do Supremo revogou a liminar, mas Paulo Diego só viria a ser preso em maio último. A SSPDS pagava 7 mil reais por informações que levassem a ele.

Ainda preso, em 2016, Paulo Diego teve um celular apreendido durante inspeção na Penitenciária Estadual Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba. Na denúncia referente às conversas descobertas na apreensão, o MPCE concluiu que Dino era o "Final do Estado", maior hierarquia do PCC no Ceará. Ele, porém, negou em depoimento referente a essa ação penal integrar a facção, dizendo apenas que tinham amigos no PCC.

Na mais recente acusação feita contra Paulo Diego, o MPCE o denunciou, em 14 de setembro último, a partir de conversas encontradas no celular apreendido quando ele foi preso. Na denúncia, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirma que Paulo Diego tem "status de liderança" no PCC, "haja vista seu papel na resolução de conflitos entre os membros da facção". Na peça processual, ele, assim como outras quatros pessoas, voltou a a ser denunciado por tráfico. “Pelo teor das mensagens trocadas pode-se constatar que os criminosos movimentam elevadas quantias de dinheiro por meio da venda de drogas”, diz o MPCE.

Na ação divulgada nesta terça, foram sequestrados três imóveis de luxo localizados em Fortaleza, Aquiraz e Eusébio, assim como mais de 10 veículos, incluindo três de luxo. Conforme a Polícia Civil, todos os bens eram oriundos de lavagem de dinheiro resultante do tráfico de drogas.

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