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Comerciantes realizam feira no entorno da José Avelino mesmo com proibição

O POVO esteve no local desde as primeiras horas deste domingo, 22, e acompanhou a montagem da feira

Ainda sob a luz da lua, as primeiras lonas foram estendidas ao longo da avenida Alberto Nepomuceno, neste domingo 22. Os feirantes utilizam o trecho entre as ruas Sobral e José Avelino para disputar a atenção dos clientes em busca de garantir o sustento familiar. Desde a última quarta-feira, 18, um decreto proíbe o comércio atacadista, incluindo lojas e galpões, no entorno da rua José Avelino. De acordo com a Prefeitura de Fortaleza, a medida, que possui validade até este domingo, visa reduzir as aglomerações no local.

O POVO esteve no entorno da rua José Avelino desde as primeiras horas da manhã deste domingo, 22. Pouco depois das 4 horas da manhã já era possível observar a presença de alguns feirantes no local. Apesar dos galpões da José Avelino estarem fechados, por imposição do decreto, o número de feirantes no entorno só aumentou durante as primeiras horas da manhã.

"Hoje tá normal, até agora não tivemos problemas. Tivemos bastante problema nos últimos dias, eles (Prefeitura) não estavam deixando a gente trabalhar. É complicado, temos funcionários, aluguel e família", relata Cesar Teixeira, 48. O feirante foi um dos primeiros a chegar no local.

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Entre os feirantes, o sentimento é de perseguição. Muitos alegam que não entendem as medidas adotadas pela Prefeitura de Fortaleza. "Já tinham tentado tirar os feirantes daqui pra colocar em outro lugar, mas não conseguem. Essa feira aqui vem de muito tempo. Tem outras feiras na cidade, mas eles sempre implicam com essa", reclama Maria Santos, 50, que possui mais de dez anos como feirante.

Durante as primeiras horas da manhã, antes mesmo do raiar do sol, duas viaturas da polícia estavam estacionadas na esquina das avenidas Alberto Nepomuceno com Pessoa Anta, mas, de acordo com feirantes, nenhum problema foi registrado.

"Quando a gente chegou, elas já estavam lá, mas tá tudo tranquilo. Mas essa semana, você sabe, morreu até um colega da gente", lamenta Santos. Na última quarta-feira, 18, um confronto entre a Guarda Municipal e os feirantes da José Avelino resultou na morte de um dos comerciantes da região. A polícia ainda investiga o caso.

Devido aos últimos acontecimentos, há quem relate que não consegue sentir mais segurança para trabalhar no local, é o caso de Luciene Braga, 52, que vive como feirante há mais de 20 anos. "Nosso dinheiro para comer e pagar aluguel é daqui. Vamos fazer o que se eles tirarem a gente da feira? Aqui está em guerra. Ontem eu não fiquei por medo", desabafa.

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Em parte da madrugada deste domingo, viaturas da Polícia Militar e da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) constantemente circulavam pela região da feira. Agentes da AMC chegaram ao local por volta das 6 horas, mas não houve nenhuma ação contra os feirantes. Uma das faixas da Av. Alberto Nepomuceno estava completamente ocupada pelos produtos expostos na feira.

Apesar da tranquilidade registrada nas primeiras horas deste domingo, os feirantes lamentam a baixa movimentação de clientes. "Cheguei por volta de 5h30min, mas até agora não apareceu ninguém. O movimento tá fraco. Tem acontecido muita coisa por aqui, e as pessoas ficam com medo. Se você olhar aí, só tem feirante", comenta Maria das Dores, 49.

A expectativa dos feirantes é que uma reunião entre os representantes do grupo e a Prefeitura de Fortaleza aconteça nesta segunda-feira, 23. Eles esperam que alguma solução seja encontrada para acabar os conflitos na feira.

"Isso é antigo, mas nunca esteve tão grave como agora. Aqui já foi tranquilo, depois que inventaram essas confusões, acabou perdendo o controle. Espero que resolvam logo, querem tirar essa feira daqui, mas acho que não conseguem", afirma Conceição Araújo, 52.

O POVO constatou que até às 7h30min da manhã deste domingo, a movimentação no local era tranquila, sem registro de conflitos. Apesar da presença considerável de feirantes, a movimentação de clientes no local estava bem baixa. 

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Em nota, a Prefeitura de Fortaleza afirma que as "ações de dispersão de ambulantes que insistem em descumprir as medidas estão sendo realizadas por fiscais e guardas municipais na tentativa de preservar o ordenamento público". A Agência de Fiscalização de Fortaleza alerta que o descumprimento pode resultar em multa e apreensão do material comercializado.

Atualizada às 13h50min

 

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