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Fortaleza
NOTÍCIA

Em dia de suspensão da greve, passageiros ainda sentem os efeitos da redução da frota de ônibus

Terminais têm movimentação tranquila entre as 9h e 11 horas da manhã desta quarta-feira, 9, mas passageiros reclamam de atrasos nas rotas

19:34 | 09/06/2021
FORTALEZA,CE, BRASIL, 09.06.2021: Segundo dia da greve dos motoristas de ônibus. Terminal Antonio Bezerra.  (Fotos: Fabio Lima/O POVO) (Foto: FABIO LIMA)
FORTALEZA,CE, BRASIL, 09.06.2021: Segundo dia da greve dos motoristas de ônibus. Terminal Antonio Bezerra. (Fotos: Fabio Lima/O POVO) (Foto: FABIO LIMA)

O segundo dia de paralisação de parte da frota de ônibus de Fortaleza trouxe dificuldades para os passageiros que dependem do transporte público na Capital. Apesar do anúncio da suspensão da greve por parte do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro), nesta quarta-feira, 9, atrasos nas rotas foram recorrentes segundo os passageiros.

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No Terminal da Parangaba, a movimentação era tranquila próximo às 11 horas da manhã. Mesmo assim, usuários do transporte público reclamavam do serviço oferecido pelas empresas de transporte.

"Eu senti demais (os efeitos da greve). Ontem, na hora de voltar para casa, eu esperei mais uma hora por um ônibus. Quando cheguei no Terminal da Lagoa, já não tinha mais nenhum ônibus, tive que pegar um Uber, é complicado", conta o garçom Emanuel Felipe, 28, que diz entender o motivo da greve, mas segue insatisfeito com os atrasos nas rotas pelo segundo dia seguido.

Fátima Moreira, 68, que trabalha com a venda de produtos de limpeza, foi mais uma a sentir os efeitos da greve dos motoristas de ônibus. Ela conta que os atrasos foram constantes durante os dois dias de paralisação.

"Eu acho que tá demorando um pouquinho. Na minha opinião, a movimentação até caiu, isso aqui é sempre lotado, deve ser porque estão com menos ônibus circulando. Hoje tá muito parecido com o que foi na terça-feira, tudo bem mais demorado do que na última semana", relata.

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Há também quem não tenha notado grandes diferenças no tempo de espera por um coletivo após o início da grave. Gideão Cordeiro, 28, explica que não se vê afetado pelas manifestações, já que não depende dos coletivos em horário de pico.

"Na minha situação não afetou em nada. Pelo que vi, nos horários de pico tá ficando pior. Aí vemos aglomeração e aquele empurra-empurra. Ontem também tinha muita polícia por aqui", relata. A presença de agentes de segurança e veículos da Polícia Militar foi registrada nos terminais da Parangaba e do Antônio Bezerra, visitados pela reportagem nesta manhã.

Assim como a situação registrada na Parangaba, o Terminal do Antônio Bezerra também não apresentava grande movimentação próximo às 9 horas da manhã. Entre os passageiros que esperavam os ônibus na plataforma no terminal estava José Wellington da Silva, 26. O segurança conta a como a greve afetou sua rotina em apenas dois dias.

"Os ônibus estão mais lotados esses dias, ainda tive atraso no trabalho. Pra voltar pra casa foi ainda pior. Eu fui chegar em casa quase 22h, geralmente chego 18h. Cheguei 2h horas atrasado no meu serviço ontem e já estou atrasado de novo", explica.

Suspensão da greve

Durante a manhã desta quarta-feira, 9, data que marca o segundo de paralisações dos motoristas de ônibus em Fortaleza, a categoria decidiu suspender a greve até a próxima terça-feira, 15.

A decisão foi tomada após a realização de uma assembleia na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro). Por meio das redes sociais, o Sindicato explica que haverá uma reunião entre o Sindicato, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a Prefeitura de Fortaleza e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) para que novas propostas sejam apresentadas.

A decisão veio a partir de proposta do desembargador Paulo Régis Machado Botelho que, em audiência virtual realizada ontem, pediu uma "trégua". Até a próxima semana, segue a exigência de circulação com pelo menos 70% da frota de veículos e ambas os sindicatos devem continuar em negociações.

O objetivo da greve é a inserção da categoria como grupo prioritário da vacinação contra a Covid-19. Pedidos de reajuste dos salários, melhorias nas condições oferecidas pelo plano de saúde e cesta básica no valor de R$ 180 também fazem parte das pautas da categoria.

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A reportagem tentou entrar em contato com representantes do Sintro sobre a suspensão da greve e uma possível volta à normalidade durante os próximos dias, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O Sindiônibus informou que as frotas de ônibus de Fortaleza e Região Metropolitana irão circular normalmente e em sua totalidade. O órgão declarou que almeja "um consenso que permita a continuidade do serviço de transporte para todos". (Colaborou: Mateus Brisa/Especial para O POVO)