PUBLICIDADE
Fortaleza
Noticia

Alexandre Cavalcante Mota, personalidade cearense conhecida pela irreverência, morre vítima de Covid

Funcionário aposentado da Coelce, ele residia há mais de 30 anos na Heráclito Graça. Tinha o hábito de distribuir comida para os mais necessitados na Beira Mar

19:58 | 31/05/2021
Alexandre Cavalcante Mota tornou-se personalidade conhecida da irreverência e alegria de Fortaleza (Foto: Reprodução/vídeo)
Alexandre Cavalcante Mota tornou-se personalidade conhecida da irreverência e alegria de Fortaleza (Foto: Reprodução/vídeo)

A notícia da morte de Alexandre Cavalcante Mota, 71, foi uma surpresa triste para quem conhecia a personalidade irreverente daquele senhor destemido que usava uma bermuda de correr, na altura do umbigo, em suas caminhadas corriqueiras pela avenida Duque de Caxias. Alexandre faleceu na madrugada da última sexta-feira, 28, no Hospital da Mulher, após 10 dias internado com Covid-19.

Seu Alexandre era solteiro e morava sozinho em um apartamento na avenida Heráclito Graça há mais de 30 anos. No dia 16 de maio, como conta sua prima, Fátima Mota, ele desceu até um mercadinho perto de casa e queixou-se de febre e dores. Muito querido pelos vizinhos, que na mesma hora pediram uma ambulância, ele foi levado à Unidade de Pronto Atendimento do Pirambu. Ainda no dia 16, seu primo, o advogado Odésio Mota, foi até o local e conseguiu transferi-lo para o Hospital da Mulher.

De tão conhecido, chegou a virar uma das "Personagens Cearenses" da série publicada no perfil @nasinecura.



De acordo com Odésio, ele não podia receber visitas da família durante a internação, mas isso não foi empecilho para a família ir acompanhando o estado de saúde dele.

Natural de Senador Pompeu, o funcionário aposentado da Companhia Energética do Ceará (Coelce) já morava em Fortaleza há um tempo. Foi aqui que ficou popularmente conhecido como “seu Sarita”, apelido que a família não utilizava. Odésio prefere definir o primo como "maluco beleza".

Ele costumava andar apenas com a cópia dos documentos no bolso e era conhecido pelos familiares como uma pessoa de bom coração. O primo conta que há uns 10 anos ele tinha o hábito de descer até a Beira Mar e distribuir "janta" para quem não tinha o que comer. “Naquele tempo ele já achava que mesmo sem a Covid-19 as pessoas não deviam passar fome. Todo mundo da família queria bem demais a ele”, conta Odésio.

Quando morreu, a sobrinha de Alexandre precisou ir até o apartamento onde ele morava para buscar os originais do documento. Chegando lá, ela encontrou os vizinhos aos prantos com a notícia da partida. No dia 27 de dezembro deste ano, Alexandre completaria 72 anos.