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Fortaleza
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Feirantes protestam pedindo o retorno das atividades em Fortaleza

Os manifestantes fecharam parte da avenida Osório de Paiva. O pedido é que as feiras livres retornem

Júlia Duarte
10:04 | 26/05/2021
Feirantes no Canindezinho na manhã desta quarta-feira, 26 (Foto: Fábio Lima)
Feirantes no Canindezinho na manhã desta quarta-feira, 26 (Foto: Fábio Lima)

Feirantes se reuniram nesta quarta-feira, 26, no bairro Canidezinho, em Fortaleza, e fecharam a avenida Osório de Paiva em protesto pedindo o retorno das atividades das feiras livres. Segundo a categoria, outros setores já retornaram e as atividades das feiras ainda não podem retornar.  Eles argumentam que têm sido impedidos de trabalhar e os auxílios não têm sido suficientes para suprir no orçamento. 

Os manifestantes colocaram pneus na avenida e o trânsito no local, sentido Maracanaú-Fortaleza, chegou a ficar congestionado. Com a dispersão dos feirantes, o fluxo foi normalizado. Cerca de 25 agentes da Polícia Militar (PMCE) estiveram no local e acompanharam a ação. De acordo com os organizadores do protesto, cerca de 3 mil feirantes participaram da ação. Segundo alguns feirantes, houve truculência por parte da PM, que chegaram a levar algumas barracas, ainda de acordo com eles. 

Rodrigues da Silva, 43, é feirante há 9 anos e foi um dos que se reuniram ainda bem cedo na região. Ele questiona que outros setores como bares e barracas de praia já podem funcionar em um horário mais extenso, enquanto as feiras segue proibidas.

O setor chegou a voltar a funcionar em meados de novembro de 2020, mas com o avanço da pandemia no Estado, no começo deste ano, as atividades foram suspensas. "A gente precisa trabalhar, a gente quer trabalhar. As pessoas aqui acordam duas da manhã, vão para a Ceasa (Central de Abastecimento) e chegam aqui para montar a banca três da manhã. Eles falam que vão dar cem reais. O que um pai de família vai fazer com cem reais?", afirma o feirante.

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Há 15 anos feirante no ramo das frutas, Ronaldo Holanda também ressalta o desejo de poder voltar a trabalhar. "Se a gente não voltar a trabalhar, como vamos sustentar nossa família? Muitas pessoas dependem das feiras", comenta.

"Nós compreendemos que todo precisam trabalhar, mas precisamos ser vistos. Minha energia vem mais de duzentos (reais) como eu vou sobreviver com cem reais mensais", pontua a comerciante Aparecida Marinha, 38.

Ela conta que para ter recursos, tem vendido máscaras e tem sido difícil continuar vendendo peças de jeans, que antes eram comercializadas na feira da região. A feirante relembra que, antes da pandemia, a rua inteira reunia diversas barracas e já funcionava há muitos anos. Ela, por exemplo, já estava há três anos no local. "Se o lazer pode funcionar, isso aqui (a feira) é primordial para sobrevivência", ressalta.

Em nota, a Polícia Militar informa que, na manhã desta quarta-feira, 26, interveio em uma ocorrência de descumprimento ao decreto em vigor que veda a realização de feiras livres como estratégia para minimizar as aglomerações e diminuir o contágio da Covid-19.

Oficiais da corporação compareceram ao local e dialogaram com os presentes que protestavam pelo encerramento do funcionamento da feira livre na avenida Osório de Paiva, Canindezinho. Após as negociações, a avenida, que era obstruída pelo grupo nos dois sentidos, foi liberada para a retomada do tráfego de automóveis.

 

Com informações das repórteres Angélica Feitosa e Mônica Damasceno

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