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Fortaleza
NOTÍCIA

"Cadê os candidatos nas eleições, nenhum comentou sobre o caso", diz diretora do Ifan sobre criança morta por facção em Fortaleza

A entidade declarou publicamente seu apoio aos familiares da menina de 4 anos que foi morta na última terça-feira, 29, durante uma ação de um grupo criminosos na Capital

Alan Magno
23:22 | 02/10/2020
Rhadassa tinha apenas quatro anos de idade e foi morta a tiros na comunidade do Caroço, Praia do Futuro  (Foto: Arquivo Pessoal)
Rhadassa tinha apenas quatro anos de idade e foi morta a tiros na comunidade do Caroço, Praia do Futuro (Foto: Arquivo Pessoal)

O Instituto da Infância (Ifan) declarou publicamente sua solidariedade à família de criança morta por facção criminosa na Praia do Futuro, em Fortaleza. Em nota aberta sobre o caso, que ocorreu na última terça-feira, 29, a entidade não governamental afirmou se “solidarizar com os sentimentos de perda da família”.

Em entrevista ao O POVO, a diretora da instituição, Luzia Laffite, pontuou que a nota tem o objetivo de chamar atenção das autoridades sobre ações concretas diante da violência contra crianças no Estado. “É um alerta, isso não pode ficar assim. Uma criança foi assassinada e todos (poder público) estão agindo com naturalidade. Foi um crime, não é natural e não deveria ter ocorrido”, frisou.

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Rhadassa Barbosa tinha apenas 4 anos de idade, quando foi morta durante um ataque de uma facção criminosa na comunidade do Caroço, região da Praia do Futuro, na Capital. “Neste cenário tão violento em que encontra-se a Primeira Infância, unir esforços do Executivo, Legislativo, Judiciário e Sociedade Civil para efetivar políticas e ações de prevenção às violências”, completa a nota.

O posicionamento aberto da entidade destaca ainda a estimativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que aponta uma média de 32 crianças e adolescentes mortas no Brasil por dia. Luzia destacou que apesar dos avanços nas políticas públicas que buscam garantir os direitos dessa parcela da população, ainda existe um longo caminho a ser percorrido.

“A violência contra as crianças está naturalizada, estamos tendo acesso a relatos de tantos casos, fora os que são subnotificados, que estamos agindo como se fosse normal, como se estivesse tudo bem uma criança de 4 anos ser assassinada com um tiro no rosto”, desabafou. Luzia, que atua como gestora do Ifan há 20 anos, cobra ações das entidades políticas, do poder judiciário, executivo, das forças policiais e ainda uma pressão da sociedade civil.

“As pessoas precisam se indignar com esses casos de violência exacerbada. Cadê os candidatos nas eleições, nenhum comentou sobre o caso”, completou. Ela pontuou ainda que muitas ações voltadas para a primeira infância focam em apenas um setor de desenvolvimento, “ficam apenas na saúde, ou na educação, e isso é importante, mas a criança é um todo. Precisamos analisar o contexto, a família, a moradia, a comunidade em que essa criança está inserida e ao que ela está sendo exposta”, completou.

O INSTITUTO DA INFÂNCIA

Entidade não governamental e sem fins lucrativos, o Ifan atua desde 1999 em todos os estados da região Nordeste. O foco da organização são ações voltadas para a primeira infância, atendendo crianças de 0 até 12 anos. Intersetorialmente, o Ifan desenvolve projetos voltados para atendimento com abordagens educacionais, atividades culturais, de lazer e ações de saúde. O objetivo com as ações é tentar amparar e prevenir casos de violência contra crianças.

Em Fortaleza, somente no bairro Vila Velha e arredores, são 600 crianças atendidas diretamente. O Ifan atua ainda na região dos bairros que compõem o Grande Mucuripe. Nestas localidades, as ações são feitas por meio de acompanhamento indireto, com ações pontuais voltadas para as família.

Na região estima-se que sejam acompanhadas cerca de 200 famílias, que são abordadas pela entidade com ações que buscam monitorar o desenvolvimento das crianças da comunidade. Alguns dos projetos da organização são patrocinadas por instituições externas, em alguns casos com editais públicos de incentivo à transformação social e em outros por meio de doações.

Luzia destacou que a pandemia afetou bastante a atuação do projeto. “Estamos tentando acompanhar todas as crianças, mas muitos pais não dão retorno, não nos atendem. Outros sequer tem um telefone próprio”, relatou. Durante esse período, as ações da entidade buscam ser de orientação contra a Covid-19 e também com relação a procedimentos de denúncia em casos de violência e de monitoramento do bem-estar das crianças.