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Fortaleza
NOTÍCIA

Área de seca quase dobra entre julho e agosto no Ceará

Segundo a Funceme, no atual cenário, o Estado apresenta impactos de curto e longo prazo, como redução do plantio e déficits hídricos prolongados

Ismia Kariny
12:36 | 23/09/2020
O mapa indica áreas de seca nas regiões monitoradas pela Agência Nacional das Águas, entre julho e agosto de 2020 (Foto: Reprodução/Funceme)
O mapa indica áreas de seca nas regiões monitoradas pela Agência Nacional das Águas, entre julho e agosto de 2020 (Foto: Reprodução/Funceme)

A seca avançou em 19,45% do território cearense, conforme o Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional das Águas (ANA). A ferramenta faz o acompanhamento da estiagem no Nordeste e em alguns estados brasileiros fora da região. Apesar do aumento na variação, as áreas de seca no Estado ainda são consideradas “fracas”. Além disso, o cenário é melhor que o observado no mesmo período do ano passado, quando o Ceará apresentou 66,81% do seu território com seca relativa, sendo 43,16% moderada.

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a área do Ceará classificada com seca está concentrada mais ao Centro-Sul, principalmente entre as macrorregiões Jaguaribana, Sertão Central e Inhamuns. A variação da seca quase dobrou, saindo de 20,84% e chegando a 40,29% no mapa mais recente divulgado pela ANA.

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“Esta é a quinta melhor situação do Ceará desde o início do Monitor de Secas, em julho de 2014, sendo superada somente pelos registros de abril a julho deste ano”, destaca a Agência. Entre os períodos, o Estado apresentou redução ou estabilidade no percentual de áreas de seca, chegando a julho com apenas 20.84% do território em seca relativa.

“Com a atual situação, são esperados impactos como: redução do plantio, culturas ou pastagem, além de alguns déficits hídricos prolongados, pastagens ou culturas não completamente recuperadas”, comenta a Fundação em nota. O cenário, entretanto, é considerado normal para o período. Após a época de chuva, as precipitações se tornam mais escassas e a tendência é um aumento na variação das áreas de seca.

Açudes

 

Em nota enviada ao O POVO, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) reforça que a escassez de chuvas no segundo semestre do ano é comum, tendo em consequência o aumento da área de seca no Ceará. “Dessa forma, o volume de água acumulado durante a período de chuvas diminui no período de estio. Esta situação está dentro da normalidade da rotina do gerenciamento dos recursos hídricos no Ceará”.

Conforme a última resenha diária da Cogerh, divulgada na terça-feira, 22, o nível de água nos reservatórios cearenses está em 30,73% da sua capacidade, com 5,72 bi m³. Além disso, 12 açudes estão com nível superior a 90% da sua capacidade, embora nenhum esteja sangrando. Entre eles: Acarape do Meio, Araras, Gerardo Atimbone, Germinal, Itapebussu, Jenipapo, Malcozinhado, Mundaú, Penedo, São José II e Sobral

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“O uso responsável e parcimonioso da água por cada cidadão é imprescindível na nossa região a qualquer tempo, visto que a irregularidade das chuvas no território é a principal marca do regime de chuvas no Estado”, frisa a Cogerh. Entre os 155 reservatórios monitorados, há ainda 13 com volume morto, três secos e 53 abaixo dos 30% do volume que suporta.

Em relação aos principais reservatórios do Estado, nesta quarta-feira, 23, o açude Orós está com 478,23 hm³ em nível de água acumulada, equivalente a 24,65% da sua capacidade. Os dados são do Portal Hidrológico do Ceará, que também apresenta um volume de 213,5 hm³ no Banabuiú, correspondendo a 13,34% do nível que suporta. Já o Castanhão, tem 936,95 hm³ de água acumulada, 13,98% do volume que é capaz de armazenar.

Áreas de seca aumentam em 12 das 19 unidades federativas 

 

Além do Ceará, outros estados apresentaram aumento das áreas de seca. São eles: Alagoas, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins. Houve redução de áreas com o fenômeno somente na Bahia e no Espírito Santo, enquanto o Distrito Federal se manteve sem seca.

Segundo a Agência Nacional das Águas, o Mato Grosso do Sul manteve 100% de seu território com seca. Já os três estados do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ainda não podem ter sua situação comparada com meses anteriores, porque passaram a ser monitorados recentemente, com a estreia no mapa de agosto, que é o mais recente.

Monitor de Secas

 

O Monitor de Secas é coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com o apoio da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O Monitor é desenvolvido em conjunto com diversas instituições estaduais e federais ligadas às áreas de clima e recursos hídricos, que atuam na autoria e validação dos mapas.

A ferramenta realiza o acompanhamento contínuo do grau de severidade das secas no Brasil, conforme indicadores do fenômeno e dos impactos causados em curto e longo prazo. “Os impactos de curto prazo são para déficits de precipitações recentes até seis meses. Acima desse período, os impactos são de longo prazo”, explica a Agência em nota.

Atualmente, o Monitor abrange cinco regiões do Brasil, incluindo os nove estados do Nordeste, os três do Sul, e ainda Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Tocantins, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. A ferramenta vem sendo utilizada para auxiliar a execução de políticas públicas de combate à seca. A proposta da Agência é expandi-la para o acompanhamento de todas as unidades da Federação.

Serviço

 

O Monitor de Secas pode ser acessado pelo site monitordesecas.ana.gov.br e pelo aplicativo Monitor de Secas, disponível gratuitamente para dispositivos móveis com os sistemas Android e iOS.