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Fortaleza
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40 anos da visita de João Paulo II ao Ceará: veja fotos e por onde ele passou em Fortaleza

O dia foi feriado. A multidão foi tão grande no Castelão que três mulheres morreram pisoteadas. A visita deixou marcas até hoje na religiosidade da Capital e teve papel na fundação do Shalom

17:12 | 09/07/2020
Papa passou pelas ruas de Fortaleza em carro aberto e atraiu uma multidão de fiéis
 (Foto: O POVO.DOC)
Papa passou pelas ruas de Fortaleza em carro aberto e atraiu uma multidão de fiéis (Foto: O POVO.DOC)

"A Terra da Luz abraça o papa da esperança", foi a manchete do O POVO no dia 9 de julho de 1980. Às 9h42min daquela quarta-feira, o polonês Karol Wojtyla, o papa João Paulo II, tornou-se o primeiro e até hoje único pontífice a visitar o Ceará. Beijou o solo do antigo Aeroporto Pinto Martins. Foi recebido pelo cardeal dom Aloísio Lorscheider, pelo governador Virgílio Távora e a primeira-dama Luiza Távora. O papa permaneceu pelas 30 mais importantes horas da história do catolicismo no Ceará.

Papa João Paulo II em Fortaleza.Foto: (Mauri Melo / O Povo)
Papa João Paulo II em Fortaleza.Foto: (Mauri Melo / O Povo) (Foto: Mauri Melo)

Percorreu 74 quilômetros pelas ruas da Capital, 25,6 km no papamóvel, veículo aberto, andando com velocidade média de 20 km/h. Os demais foram em um ônibus.

Veja a rota que o papa percorreu por Fortaleza:

 

Foi decretado feriado. Ruas ficaram lotadas para a passagem do papamóvel. Fazia dois anos que o cardeal Wojtyla havia sido escolhido papa para o pontificado que viraria o milênio. Foram 26 anos, 5 meses e 17 dias, o terceiro mais longo a ser documentado. Período que mudou o mundo e a Igreja Católica. Fortaleza foi a penúltima das 13 cidades brasileiras que visitou.

João Paulo II ao se despedir de Fortaleza, em 10 de julho de 2020
João Paulo II ao se despedir de Fortaleza, em 10 de julho de 2020 (Foto: O POVO.doc)

A multidão que tentou vê-lo no estádio Castelão foi tanta que três mulheres morreram pisoteadas no arrombamento dos portões. Do lado de dentro, público de mais de 120 mil pessoas viram João Paulo II ser homenageado por Luiz Gonzaga. À tarde, a missa de abertura do X Congresso Eucarístico Nacional foi do lado de fora do Castelão e reuniu 1,2 milhão de pessoas.

LEIA TAMBÉM | Em 2020, foi o centenário de João Paulo II. Confira especial publicado pelo O POVO, de autoria de Domitila Andrade 

"A meta de todos os homens é a felicidade na comunhão do amor", palavras do papa na abertura do Congresso que viraram manchete do O POVO no dia seguinte. O jornal também registrou a reação dos cearenses: "Delírio popular na festa para João Paulo II."

VEJA MAIS | A cobertura do O POVO da visita do papa João Paulo II ao Ceará

O repórter fotográfico do O POVO, Mauri Melo, tinha 37 anos. Segue na ativa e lembra que vestiu terno que havia ganhado. Fazer a cobertura de uma visita do papa era especial. "A tensão era muito grande e o meu coração só faltava sair pela boca. Hoje eu não sei se aguentava." Foi emocionado que Mauri fotografou a maior multidão reunida no Ceará até aquele momento, que pode ser vista na imagem abaixo. Acima, outra foto de Mauri mostra o papa no Castelão lotado. Leia o relato completo de Mauri Melo aqui

Fiéis acompanhando missa do papa João Paulo II em Fortaleza
Fiéis acompanhando missa do papa João Paulo II em Fortaleza (Foto: Mauri Melo)

O papa e o nascimento do Shalon 

Moysés Louro de Azevedo Filho tinha 20 anos e foi escolhido pelo cardeal dom Aloísio Lorscheider para representar a juventude. Ele entregou uma carta ao papa na qual ofertava a própria vida e sua juventude para evangelizar os jovens. Emocionado, ajoelhou-se e nada conseguiu dizer ao pontífice. Dois anos depois, Moysés fundou o projeto que se transformou na Comunidade Católica Shalom.

Em 11 de julho, após a despedida de João Paulo II, a manchete do O POVO: "O adeus do papa emociona o Ceará".

Veja fotos do papa em Fortaleza:

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O roteiro do papa João Paulo II em Fortaleza:

A visita do papa João Paulo II ao Brasil, em 1980, durou 12 dias (de 30 de junho a 11 de julho) e percorreu 13 cidades. Fortaleza foi a penúltima.

8 de julho

Centenas de pessoas se aglomeram nas proximidades do Castelão, onde o papa seria homenageado em um show, e formam fila para entrar no estádio, que abriria os portões somente no dia seguinte, às 6 horas da manhã.

9 de julho

O dia foi decretado feriado nas repartições públicas e mais de 5 mil agentes de forças de segurança fizeram a segurança do comboio papal, da multidão que o seguia, e organizaram o trânsito. Por ocasião de um arrombamento de um dos portões de acesso ao Castelão, três mulheres morreram pisoteadas e centenas de fiéis ficaram feridos, nas primeiras horas da manhã.

9h42min - Chegou a Fortaleza, no Aeroporto Pinto Martins, que teve as pistas interditadas a partir das 8h30min. Vinha de Teresina (PI).

No desembarque, beijou o solo de Fortaleza. Foi recepcionado por várias autoridades, como comandante da Base Aérea, Dilson Lira Castelo Branco, o secretário da Casa Civil Cláudio Santos, dom Aloísio Lorscheider, e o governador Virgílio Távora e dona Luiza Távora

9h53min - Partiu em comboio, a partir do portão da base aérea, na Borges de Melo, percorrendo a BR-11, por 10 km, em direção ao Castelão, passando pelo Quarto Anel Viário - chamada à época de via Paranjana.

11 horas - Era esperado o início para às 10h, mas o evento atrasou. O papa foi homenageado no Castelão, recebido por uma multidão com lenços brancos e amarelos. Uma multidão de mais 120 mil pessoas assistiu dentro do estádio a homenagem. João II foi saudado por dom Aloísio

Luiz Gonzaga deveria cantar apenas o baião "Obrigada João Paulo II", mas emendou também a canção "Asa Branca". 34 violeiros também cantaram versos ao papa. Uma jangada em miniatura, uma viola, um chapéu de couro, e um peixe fossilizado foram alguns dos presentes que o papa recebeu.

12 horas - Deixou o Castelão pela via Parajana, acessa a José Bastos, segue na Carapinima, até a Tristão Gonçalves. Acessa a Duque de Caxias, segue pela Dom Manuel, com destino o residência arquiepiscopal, no Seminário da Prainha. A Praça Cristo Redentor foi interditada. A chegada foi à 13h05min.

Repouso e almoço no residência episcopal

15h25min - Deslocamento de volta ao Castelão, em velocidade 60 a 80 km/h e em carro fechado.

16 horas - Cerimônia de abertura do X Congresso Eucarístico Nacional, na parte externa do Castelão. Papa falou para cerca de um milhão de fiéis. Na homilia, o papa falou "daqueles que, por razões diversas, devem abandonar a sua terra de origem e transferir-se para outras regiões", ressaltando o sofrimento dos imigrantes.

19h54min - Retorno ao Seminário da Prainha

21h30min - Jantar com bispos

Dia 10 de julho

8h30min - Deslocamento em carro fechado para o Centro de Convenções, passando pela avenidas Monsenhor Tabosa, Antônio Justa, Estados Unidos, Antônio Sales, Engenheiro Santana Júnior, Raimundo Cela, e Antônio Jucá

9h20min - Encontro com bispos no auditório do Centro de Convenções. O encontro serviu para que o papa ouvisse os bispos e repassasse suas impressões do que viu da Igreja, após catorze dias no Brasil. Os relatos dos bispos foram de que o papa apoiou as ações da CNBB e pregou pelo apoio e o serviço aos pobres

12h15min - Retorno ao Seminário da Prainha

13 horas - Deslocamento para o Aeroporto, passando pela avenida Aguanambi. No aeroporto, participou de uma breve cerimônia de despedida

16h15min - Decolou em avião com destino a Manaus

LEIA MAIS | Da Guerra Fria ao 11 de Setembro: papa João Paulo II mudou a política mundial

Veja capas e matérias do O POVO sobre a visita do papa a Fortaleza:

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