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Fortaleza
NOTÍCIA

Entregadores de aplicativo de Fortaleza se unem à greve nacional e protestam em praça da Capital

Entre as reivindicações, os entregadores pedem o aumento do pagamento das corridas por quilômetro rodado e o aumento do valor mínimo da corrida. Trabalhadores também circularam em vias movimentadas da Cidade e fizeram buzinaço

Leonardo Maia
11:39 | 01/07/2020
Cerca de 30 entregadores se concentraram na Praça das Flores, no bairro Aldeota, na manhã desta quarta-feira. (Foto: Fábio Lima/O POVO)
Cerca de 30 entregadores se concentraram na Praça das Flores, no bairro Aldeota, na manhã desta quarta-feira. (Foto: Fábio Lima/O POVO)

Entregadores de aplicativos de Fortaleza se unem a greve nacional na manhã desta quarta-feira, 1º. Cerca de 30 trabalhadores se concentraram na Praça das Flores, no bairro Aldeota. Mais cedo, eles circularam pela Capital tentando conseguir mais adeptos para a paralisação.

Buzinaços foram registrados em vias movimentadas da Cidade, como as avenidas Padre Antônio Tomás e Desembargador Moreira. Anteriormente, eles iniciaram concentração no Shopping Iguatemi, no bairro Edson Queiroz, mas foram dispersados pelo segurança do estabelecimento.

Entre as reivindicações da categoria, estão o aumento do pagamento das corridas por quilômetro rodado e o aumento do valor mínimo da corrida. Além disso, os entregadores lutam pelo fim dos desligamentos indevidos e do sistema de pontuação dos aplicativos.

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O entregador Edvan Souza, 28, explica que os trabalhadores foram à rua nesta manhã para tentarem ser vistos pelas empresas de delivery e a sociedade em geral. “A gente sempre esteve na linha de frente, nosso serviço é essencial, mas a gente não é visto com seriedade”, reclamou.

Souza, que ingressará em breve no curso de Filosofia, relata que durante a pandemia as taxas pagas aos entregadores só tem reduzido com o andamento da crise. Ele reclama também das condições de trabalho, em que os entregadores se submetem a jornadas superiores a 10 horas diárias e ficam sem se alimentar direito para cumprir metas.

Em entrevista ao O POVO na última quinta-feira, 26, Paulo Galo, criador do movimento Entregadores Antifascistas, reclamou da falta de vínculo empregatício com as empresas e a falta de assistência para se proteger dos riscos do novo coronavírus. Ele relatou que chegou a esperar três semanas para receber os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Segundo fonte próxima à direção de um aplicativo, as empresas vêm monitorando o movimento e não esperam a adesão prometida. Em caso de redução na oferta de entregadores, a estratégia passará por aumentar a remuneração disponível, na tentativa de seduzir colaboradores a abandonar o protesto.

No setor alimentício, há descrença sobre o real impacto da paralisação. "Conversei com donos de bares e restaurantes e nenhum deles se demonstrou preocupado. Os motoqueiros com quem conversaram disseram que vão trabalhar normalmente", diz o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci.

Posicionamento dos aplicativos

Diante das reivindicações, a reportagem procurou as principais empresas que atuam com plataformas de entregas. Em nota, a Rappi afirmou que "reconhece o direito à livre manifestação pacífica e busca continuamente o diálogo com os entregadores parceiros de forma a melhorar a experiência oferecida a eles". A empresa afirma que durante a pandemia aumentou o time de atendimento e ampliou o contato com os entregadores.

"Dados da empresa mostram que cerca de 75% deles ganha mais de R$ 18 por hora, quando ativos em entregas, e quase metade dos entregadores parceiros passam menos de 1 hora por dia conectados no app. Entre fevereiro e junho, a empresa identificou um aumento de 238% no valor médio das gorjetas e de 50% no percentual de pedidos com gorjeta. Todo valor pago no aplicativo a título de gorjeta é integralmente repassado ao entregador. Ainda, estamos sempre procurando maneiras para melhorar os nossos serviços, enquanto reconhecemos os entregadores parceiros com melhor nível de serviço", complementa a nota.

Questionada pela reportagem, a Uber enviou nota divulgada pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), a qual a empresa é associada. O texto defende que as plataformas têm implementado ações de apoio aos entregadores parceiros no contexto da pandemia. Entre elas, estão a distribuição gratuita ou reembolso pela compra de materiais de higiene e limpeza, além da criação de fundos para o pagamento de auxílio financeiro para parceiros diagnosticados com Covid-19 ou em grupos de risco.

A associação reforça ainda que os entregadores parceiros cadastrados nas plataformas estão cobertos por seguro contra acidentes pessoais durante as entregas. “É importante esclarecer que as empresas associadas à Amobitec não trabalham com esquema de pontuação para a distribuição de pedidos e deixam claro que a participação em atos como a manifestação desta quarta-feira (1/7) não acarretará em punições ou bloqueios de qualquer natureza”, acrescenta.

Em nota, o Ifood disse que apoia a liberdade de expressão “em todos as suas formas” e “em nenhuma hipótese” entregadores serão desativados por participar de movimentos. A empresa ainda esclarece que casos de desligamento são feitos somente quando há um descumprimento dos Termos & Condições para utilização da plataforma. “É importante frisar que desativar indevidamente um entregador é ruim para o iFood”, destaca.

“Quanto a seguros, desde o fim de 2019, o iFood oferece a todos os entregadores cadastrados em sua plataforma o Seguro de Acidente Pessoal. Estão cobertas despesas médicas e odontológicas, bem como indenização em caso de invalidez temporária ou permanente ou óbito decorrente do acidente. O seguro não representa nenhum tipo de custo para os parceiros e é válido durante o período no qual eles estão logados e também no ‘retorno para casa’”, complementa. 

O POVO entrou em contato com o James para ter um posicionamento oficial sobre as reivindicações, mas não foi respondido até a publicação desta matéria.

Confira o posicionamento de cada empresa na íntegra:

Rappi

A Rappi reconhece o direito à livre manifestação pacífica e busca continuamente o diálogo com os entregadores parceiros de forma a melhorar a experiência oferecida a eles. Antes da pandemia, eram realizados focus groups presenciais - cancelados naturalmente por ora - e, em virtude do momento, aumentamos nosso time de atendimento, com priorização do contato com o entregador, oferecendo suporte 24x7 por meio do aplicativo. Além disso, a empresa já oferece, desde o ano passado, seguro para acidente pessoal, invalidez permanente e morte acidental; parcerias que possibilitam desconto na troca de óleo, na compra de rastreador de veículos e em estacionamentos de bicicletas próximo a estações de metrô; e inaugurou Rappi Points (bases físicas para descanso, que estão fechadas devido à pandemia). Novos benefícios devem ser adicionados e comunicados em breve.


Fruto dessa comunicação constante, a Rappi também criou um mapa de demanda para ajudar os entregadores parceiros a identificar as regiões com maior número de pedidos de forma a orientá-los sobre os locais com melhores oportunidades. O frete varia de acordo com o clima, dia da semana, horário, zona da entrega, distância percorrida e complexidade do pedido. Dados da empresa mostram que cerca de 75% deles ganha mais de R$ 18 por hora, quando ativos em entregas, e quase metade dos entregadores parceiros passam menos de 1 hora por dia conectados no app. Ainda, a Rappi possibilita que os clientes deem gorjeta aos entregadores por meio do aplicativo de forma segura. Entre fevereiro e junho, a empresa identificou um aumento de 238% no valor médio das gorjetas e de 50% no percentual de pedidos com gorjeta. Todo valor pago no aplicativo a título de gorjeta é integralmente repassado ao entregador.


Ainda, estamos sempre procurando maneiras para melhorar os nossos serviços, enquanto reconhecemos os entregadores parceiros com melhor nível de serviço. Pensando nisso, criamos o programa de pontos para que os entregadores parceiros com um maior número de pontos possam ter preferência para receber pedidos, criando mais oportunidades para eles e uma melhor experiência para nossos clientes. O objetivo é operar com transparência e equilibrar o ecossistema, considerando demanda e entregadores logados, e possibilitando geração de renda diante de um cenário de aceleração do desemprego.


Além disso, - tendo em vista o momento que estamos atravessando - desenvolvemos e colocamos em prática diversos protocolos visando a segurança dos entregadores parceiros. Entre eles estão:


- Desenvolvemos e colocamos em prática a entrega sem contato - em que os entregadores deixam o pedido na porta do cliente e se afastam, para evitar a proximidade -, e estamos incentivando o pagamento via app, para evitar o contato com cédulas de dinheiro (já não operávamos com máquinas de cartão);


- Compramos e estamos distribuindo álcool em gel e máscaras para entregadores parceiros, assim como os orientando quanto aos procedimentos de uso - via pushes no aplicativo, blog e canal no YouTube voltados exclusivamente à eles;


- Reforçamos as medidas de segurança em nossas Dark Kitchens, onde desenhamos faixas de distanciamento - para que os entregadores parceiros aguardem em segurança os pedidos - e estamos fazendo a desinfecção e sanitização de carros, motos, bikes e bags, com produtos recomendados pela ANVISA;


- Disponibilizamos no aplicativo do entregador parceiro um botão específico para que ele notifique a Rappi caso apresente sintomas compatíveis com Covid-19 ou confirme o diagnóstico, para que deixe de prestar serviços no aplicativo e seja imediatamente orientado;


- Criamos um fundo que apoiará financeiramente os entregadores parceiros com sintomas ou confirmação da COVID-19 pelo período de 15 dias em que eles precisarão cumprir a quarentena. No Brasil, o fundo está sendo gerido pela Cruz Vermelha Brasileira;


- Estamos realizando uma forte campanha de educação, autocuidado e prevenção, comunicando massivamente e diariamente todo o ecossistema - entregadores parceiros, usuários e estabelecimentos - para que sigam as orientações de segurança das autoridades antes, durante e depois da entrega;


Reiteramos, ainda, que os entregadores parceiros têm total liberdade para se conectar ao nosso aplicativo sem restrições de tempo e sem exclusividade, e que não são bloqueados em decorrência de participação em manifestações no exercício de seus direitos. Os bloqueios na plataforma são restritos ao não cumprimento dos Termos e Condições e podem ser revistos por meio do aplicativo do entregador - abrindo um ticket dentro do seu app na seção Centro de Ajuda / Suporte / Minha Conta / Estou Desativado.


A Rappi segue sempre atenta a melhorias operacionais para todo o ecossistema e às recomendações das autoridades competentes para melhor apoiar a todos.

Uber 

O contexto da pandemia da Covid-19 teve efeitos severos sobre a economia, afetando a renda de milhões de brasileiros. Mesmo diante de um cenário crítico, as empresas associadas à Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (“AMOBITEC”) que atuam no setor de delivery implementaram, desde o início da pandemia, diversas ações de apoio aos entregadores parceiro, tais como a distribuição gratuita ou reembolso pela compra de materiais de higiene e limpeza, como máscara, álcool em gel e desinfetante, e a criação de fundos para o pagamento de auxílio financeiro para parceiros diagnosticados com Covid-19 ou em grupos de risco. Além disso, os entregadores parceiros cadastrados nas plataformas estão cobertos por seguro contra acidentes pessoais durante as entregas.

As plataformas de delivery operam sistemas dinâmicos e flexíveis, que buscam equilibrar as necessidades de entregadores, de restaurantes e de usuários. As ações de combate à crise foram desenvolvidas mesmo em um cenário de acirramento da competição entre empresas e aumento expressivo no número de entregadores. Diante de um cenário econômico crítico como o da pandemia da Covid-19, a flexibilidade dos aplicativos foi essencial para que centenas de milhares de pessoas, entre entregadores, restaurantes, comerciantes e micro empresas, tivessem uma alternativa para gerar renda e apoiar o sustento de suas famílias.

É importante esclarecer que as empresas associadas à AMOBITEC não trabalham com esquema de pontuação para a distribuição de pedidos e deixam claro que a participação em atos como a manifestação desta quarta-feira (1/7) não acarretará em punições ou bloqueios de qualquer natureza.

A AMOBITEC e suas empresas associadas que atuam no setor de delivery reafirmam a abertura ao diálogo, sempre atentas às reivindicações dos entregadores parceiros para aprimorar a experiência de todos nas plataformas.

Ifood

Antes de mais nada, o iFood apoia a liberdade de expressão em todos as suas formas. Em nenhuma hipótese entregadores são desativados por participar de movimentos. Essa medida é tomada somente quando há um descumprimento dos Termos & Condições para utilização da plataforma e é válida tanto para entregadores, como para consumidores e restaurantes.

É importante frisar que desativar indevidamente um entregador é ruim para o iFood. Os principais casos de desativação acontecem quando a empresa recebe denúncias e tem evidências do descumprimento dos termos e condições que pode incluir, por exemplo, extravio de pedidos, fraudes de pagamento ou, ainda, cessão da conta para terceiros.

Em casos identificados, o entregador recebe uma mensagem via aplicativo e é direcionado para um chat específico para entender o motivo da desativação e pedir análise do caso. A empresa também não adota nenhuma medida que possa prejudicar aqueles que rejeitam pedidos. Ao rejeitar muitos pedidos, o sistema entende que o entregador não está disponível naquele momento e pausa o aplicativo, voltando a enviar pedidos, em média, 15 minutos depois.

O iFood também não possui um sistema de ranking e nem de pontuação. O algoritmo de alocação de pedidos leva em consideração fatores como por exemplo, a disponibilidade e localização do entregador e distância entre restaurante e consumidor.

A empresa esclarece que o valor médio das rotas é de R$ 8,46. Esse valor é calculado usando fatores como a distância percorrida entre o restaurante e o cliente, uma taxa pela coleta do pedido no restaurante e uma taxa pela entrega ao cliente, além de variações referentes a cidade, dia da semana e veículo utilizado para a entrega. Todos os entregadores ficam sabendo do valor da rota antes de aceitar ou declinar a entrega. Todas as rotas tem um valor mínimo de R$5,00 por pedido, mesmo que seja para curta distância.

Em maio, o valor médio por hora dos entregadores foi de R$ 21,80. Para fins de comparação apenas, esse valor é 4,6 vezes maior do que o valor por hora tendo como base o salário mínimo vigente no país. Esses entregadores foram responsáveis por 74% dos pedidos. Pelos dados do iFood, os ganhos médios mensais do grupo que têm a atividade de entregas como fonte principal de renda (37% do total) aumentaram 70% em maio quando comparados a fevereiro.

Quanto a seguros, desde o fim de 2019, o iFood oferece a todos os entregadores cadastrados em sua plataforma o Seguro de Acidente Pessoal. A iniciativa é operacionalizada pela MetLife e pela MDS. Com ela, estão cobertas despesas médicas e odontológicas, bem como indenização em caso de invalidez temporária ou permanente ou óbito decorrente do acidente. O seguro não representa nenhum tipo de custo para os parceiros. O benefício é válido durante o período no qual eles estão logados na plataforma da empresa e também no “retorno para casa” – válido por uma hora e até 30 km do local da última entrega realizada de moto, ou por duas horas e até 30 Km do local da última entrega para quem realiza entregas com bicicletas, patinetes ou a pé. O iFood possui ainda parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo para promover boas práticas de conduta no trânsito.

Sobre medidas de enfrentamento do Covid-19, desde o início da pandemia, em março, foram implementadas medidas protetivas que incluem fundos de auxílio financeiro para quem apresentar sintomas e para aqueles que fazem parte dos grupos de risco. Também foi disponibilizado gratuitamente até o final do ano um plano de benefícios em serviço de saúde. Até o momento, foram destinados mais de R$ 25 milhões a essas iniciativas.

Em abril, a empresa iniciou a distribuição de EPIs (álcool em gel e máscaras reutilizáveis) em kits com duração de pelo menos um mês. O iFood desenvolveu uma logística específica para retirada desses materiais, para evitar aglomerações. O entregador recebe um convite no aplicativo, como se fosse um pedido, e o deslocamento é pago até o ponto de retirada.

A empresa já comunicou todos os entregadores ativos sobre a retirada e está focada grande parte dos seus esforços para atingir toda a base de entregadores nas cidades em que operamos. Também continuamos avaliando alternativas para atingir mais pessoas de forma segura e controlada, considerando a distribuição mensal para que todos tenham materiais sempre

De acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva realizada em abril, as medidas adotadas pelo iFood tiveram nota média de 8,9, melhor avaliação entre as ações realizadas por empresas do setor que operam no Brasil. Oito em cada dez entregadores avaliam muito positivamente as iniciativas. A pesquisa mostra ainda que, mesmo após o fim da crise, 92% dos entregadores pretendem continuar na atividade de entregas por aplicativo.

Com informações do repórter fotográfico Fabio Lima e da Agência Estado

 

https://www.opovo.com.br/noticias/fortaleza/2020/07/01/entregadores-de-aplicativo-de-fortaleza-se-unem-a-greve-nacional-e-protestam-em-praca-da-capital.html