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Fortaleza
NOTÍCIA

Ônibus lotados dificultam cumprimento das medidas de distanciamento social

O POVO percorreu ruas e terminais de Fortaleza para entender como está sendo a primeira fase da reabertura do comércio para os grupos que utilizam transporte público

Ismia Kariny
11:49 | 16/06/2020
Terminal de Messejana na manhã deste terça-feira, 16 (Foto: Julio Caeser)
Terminal de Messejana na manhã deste terça-feira, 16 (Foto: Julio Caeser)

Atualizado às 18h40

Passageiros relatam dificuldades em manter o distanciamento social ao utilizar o serviço de transporte público em Fortaleza. Com o aumento do fluxo de pessoas na Cidade, desde a flexibilização das atividades econômicas a partir do dia 1º de junho, os terminais e ônibus da Capital se tornaram pontos de maior aglomeração. Por causa disso, seguir as medidas sanitárias se tornou um desafio para os cidadãos que necessitam do serviço.

O POVO percorreu os terminais da Messejana, Parangaba, Papicu e Siqueira para entender como está sendo a primeira fase da reabertura do comércio para os grupos que utilizam o transporte público. 

Nos equipamentos, o fluxo é menor do que o registrado em dias regulares. Nos pontos de espera para tomar o ônibus, não chegava a ter grandes aglomerações, mas o ambiente não ajuda a ter um distanciamento. É possível identificar álcool em gel e sabonete nas pias instaladas ou na entrada dos terminais na área externa aos banheiros.

Funcionários da Socicam - empresa que trabalha com gestão integrada de espaços públicos - também circulam com máscaras de tecido disponíveis para quem precise do artigo. Todos que estavam nos terminais usavam o protetor facial, apesar de alguns não usarem corretamente - deixando nariz de fora ou então tirando a máscara para conversar

O auxiliar de avaria Alan da Costa, de 25 anos, relata incômodo com a lotação no terminal da Messejana. Para ir e voltar do trabalho, ele utiliza seis transportes públicos. E mesmo com essa variação na rota, destaca que em todos sente a dificuldade de manter o distanciamento orientado pelas autoridades sanitárias. “Com os ônibus sempre lotados, é difícil”, avalia. 

Na tentativa de se proteger bem contra o novo coronavírus, a conferente Maria Eliane Ferreira, de 32 anos, revela que segue todos os cuidados recomendados. Desde o começo da quarentena, ela precisa encarar os ônibus da Capital, mas logo que chega ao trabalho dá início aos protocolos de segurança. “Quando chego lá visto outra farda, tomo banho, troco a máscara, e sempre com o álcool em gel.

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A conferente não compartilha a residência com pessoas do grupo de risco, mas reconhece que a pandemia exige esses cuidados de saúde. “Pego o ônibus 026 lotado, o negócio é sério. Quando chego em casa faço do mesmo jeito”, diz ela sobre as medidas para evitar a contaminação com a Covid-19.

Um vendedor ambulante, no Terminal do Papicu, que não quis se identificar, afirma que percebe movimentação de "cerca de 50% do normal". "A gente percebe que nos horários de pico acaba formando aglomeração, mas aqui a empresa está deixando motoristas reserva já no pátio. Então quando começa a aglomerar demais, eles liberam mais ônibus da linha", relata.

Paralisação do VLT impacta na rotina de passageiros

Plataforma do VLT Parangaba na manhã desta terça-feira, 16
Plataforma do VLT Parangaba na manhã desta terça-feira, 16 (Foto: Julio Caeser)

A comerciante Mirdênia Sousa, 34, diz que um dos problemas da Linha Sul do Metrô, que faz a rota Fortaleza-Maracanaú, é o horário aos sábados, que não condiz com o fechamento do Centro. Ela conta que as lojas encerram os trabalho às 14 horas enquanto o metrô reabre apenas às 16 horas. “A gente espera até duas horas, com o Centro deserto. Quem mora em Maracanaú a situação é mais difícil porque os ônibus estão voltando da Parangaba”, comenta.

“Do jeito que as coisas estão e ainda ficar tirando dinheiro uma época dessa para ir embora? Não dá certo. No último sábado, a mulher teve de pagar um mototáxi até a casa da sogra enquanto o serviço retomava as atividades.

A atendente de caixa Yasmin Rodrigues, de 19 anos, foi surpreendida ainda na manhã da terça-feira, 16, com a paralisação das atividades do VLT, que durou cerca de uma hora. Yasmin havia saído de casa com destino à hamburgueria em que trabalha, mas precisou mudar os planos quando descobriu que a linha Parangaba-Mucuripe estava sem funcionar.

Yasmin conta que a rotina de trabalho está sendo difícil durante o período de isolamento social. “Tem toda a sinalização, indicando os assentos que pode ou não sentar, mas a galera não respeita. Se o pessoal não faz a sua parte, então é o mesmo que não ter cuidado nenhum”, ressalta. 

Em nota, a Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos informa que a suspensão da linha VLT Parangaba-Mucuripe ocorreu de forma momentânea, devido a uma falha técnica, por volta das 9h50min. A situação foi normalizada às 10h20min, quando a VLT voltou a operar normalmente. A Metrofor acrescenta que a operação segue até 10h10min no primeiro turno, e depois retorna às 16h25min.

“A Companhia reforça que as linhas passam por manutenções preventivas e corretivas, de forma a assegurar a continuidade do transporte de passageiros. Assim como em outros modais de transporte, eventualmente podem ocorrer falhas em peças ou sistemas eletrônicos ou mecânicos. No entanto, tal situação é pontual, e a empresa adota procedimentos imediatos para a resolução do problema no menor prazo, contando, para isso, com uma estrutura de oficina, técnicos, mecânicos, além de peças e trens de reposição”, finaliza a nota.

Procurada pelo O POVO, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) quantifica em 35% o fluxo de usuários comparado aos dias comuns. O plano do órgão tem lançado às ruas 70% dos veículos previstos para um dia regular, cerca de 1,2 mil ônibus. Em médica, 320 mi passageiros utilizam os ônibus municipais.

“A quantidade de ônibus está disponível de acordo com a demanda de usuários, que devem respeitar o isolamento social que foi prorrogado e o escalonamento de horários nas atividades retomadas.” Além disso, a Etufor afirma acompanhar diariamente a movimentação nos terminais para reforçar as linhas de maior demanda com ônibus extras. Assim, quando os veículos chegam do bairro no terminal com um aumento na demanda, são inseridas mais viagens para “melhorar a oferta”.

A empresa pública sugere aos usuários reportar reclamações à Central 156 e/ou aos agentes da Etufor nos terminais. Para o deslocamento, estimula o uso do aplicativo Meu ônibus.

A Empresa de Transporte ainda reforça que todas as medidas de segurança e higiene continuam sendo adotadas, desde a organização da frota para evitar aglomeração e a higienização dos veículos nos terminais e nas garagens até o fornecimento de álcool em gel e de outros recursos para os usuários do serviço. Entre eles a disposição de pias com água e sabão, a distribuição de máscaras, além das recomendações para o distanciamento social e orientação para ocupar ônibus mais vagos.

Com informações de Ítalo Cosme