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Fortaleza
NOTÍCIA

Campanha alerta sobre violência sexual contra crianças e adolescentes

A ação discute a importância da educação sexual para que crianças e adolescentes saibam se defender de abusos

Catalina Leite
13:29 | 08/05/2020
A campanha promove lives formativas no Instagram @forum.dca_ce sobre violência sexual contra crianças e adolescentes
A campanha promove lives formativas no Instagram @forum.dca_ce sobre violência sexual contra crianças e adolescentes (Foto: Divulgação)

Apesar de a pandemia de Covid-19 ter alterado toda a organização do projeto, a campanha #EuNãoSabiaQueEraAbuso continuou firme no objetivo de alertar sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes. Com lives formativas e publicações informativas no Instagram (@forum.dca_ce), o Fórum DCA Ceará passará o mês de maio discutindo sobre canais de denúncia, políticas públicas, autoproteção e educação sexual.

“Uma coisa importantíssima é a denúncia. Na maioria dos casos de abuso sexual, uma pessoa desconfia e acaba não notificando. É muito importante que qualquer caso de suspeita seja denunciado”, comenta Lídia Rodrigues, educadora social e integrante da Comissão de Enfrentamento à Violência Sexual do Fórum DCA. Ela explica que muitas crianças e adolescentes estão presas em casa com seus abusadores - situação parecida com o aumento da violência doméstica durante a pandemia.

No entanto, o grupo é mais vulnerável ainda. A maioria não sabe que está sofrendo abusos sexuais, assim como não conhece os canais de denúncia. Ainda, enfrentam conflitos internos ao perceber que uma pessoa em quem confiam e amam as abusam sexualmente. “Quando as famílias descobrem, às vezes criam pactos de silêncio e ajustes para lidar com aquela situação sem que cheguem aos órgãos competentes”, completa a especialista.

De acordo com estatísticas de 2011 a 2017 do Ministério da Saúde (MS) e do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), quase 80% das denúncias de violência contra o grupo são de abuso sexual. Segundo o MS, em 27% dos casos os agressores eram familiares da vítima. Já o MDH aponta 54% de agressões advindas de familiares. Ainda, o MS indica que 88% dos agressores eram homens, contra 63% agressores homens conforme o MDH.

“É muito importante que os adultos se informem sobre os direitos sexuais de crianças e adolescentes, para que possam dar essas informações. É dever da família, da sociedade e do Estado manter as crianças longe de abuso”, reforça Lídia, principalmente em cenário de pandemia.

Educação sexual

A hashtag #EuNãoSabiaQueEraAbuso foi pensada com a proposta de evidenciar as diversas situações de abuso e exploração sexual que crianças e adolescentes vivem por não terem os conhecimentos necessários para distinguir um toque abusivo de um afetivo. É nesse sentido que a educação sexual se torna essencial para que os jovens saibam se defender.

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Falar de educação sexual vai muito além de genitálias e atos sexuais: ela é sobre, antes de tudo, a possibilidade da criança compreender as próprias emoções e relações interpessoais. A partir daí, as crianças aprendem a distinguir a diferença entre o afeto/carinho e o abuso. Afinal, qualquer ação que deixe a criança desconfortável ou assustada deve ser evitada.

“A gente [sociedade] educa crianças de uma forma muito perversa, ensinando que elas não são donas e responsáveis pelo próprio corpo. A gente decide a hora que vão ao banheiro, quem elas beijam…”, analisa Lídia. A ideia da educação sexual, portanto, é garantir que os pequenos compreendam que o corpo é deles e não pode ser manuseado por qualquer um e em qualquer situação.

Como denunciar

Para denunciar qualquer suspeita de abuso sexual contra crianças e adolescentes em Fortaleza, contate o Plantão Conselho Tutelar pelos números (85) 3238.1828 ou (85) 9 8970.5479. Ainda, há a possibilidade de contatar o Disque Direitos Humanos 100.

Já para flagrantes, a orientação é contatar a Polícia pelo Disque 190. No atendimento da ocorrência, eles encaminharão as vítimas para a Delegacia de Combate a Exploração da Criança e Adolescente (Dececa). Durante o lockdown em Fortaleza, a circulação para delegacias em casos de urgência e necessidade de atendimento presencial está autorizada.