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Fortaleza
NOTÍCIA

Fortaleza registra redução do número de casos de dengue em janeiro, mas há risco de epidemia

A preocupação é que o surto que atingiu o Sudeste e Centro-Oeste, no ano passado, chegue ao Ceará

Júlia Duarte
13:39 | 11/02/2020
Mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão dos vírus da dengue, febre chikungunya e Zika
Mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão dos vírus da dengue, febre chikungunya e Zika (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Fortaleza registrou diminuição nos casos de dengue entre os meses de janeiro de 2020 e 2019. O número caiu de 109, no ano passado, para 69 confirmados e um ignorado, neste ano. Os dados foram disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS), com a última atualização na quinta-feira, 6. Apesar das reduções de casos no primeiro mês do ano, é preciso atenção. O Ceará é um dos 11 estados citados no alerta feito pelo Ministério da Saúde que podem ter surto da dengue este ano. Situação confirmada pelo atual secretário da Saúde do Estado, Dr. Cabeto

Os números de casos de zika e chikungunya também seguem em diminuição, se comparados os meses de janeiro dos dois anos. Em 2020 ainda não houve casos de zika, frente aos quatro registrados no ano anterior. Já a chikungunya, caiu de 28, em 2019, para apenas quatro casos confirmados em 2020. Apesar das reduções, é necessário cautela diante da possibilidade da chegada do sorotipo 2 da doença. 

Atualpa Soares, gerente da Célula de Vigilância Ambiental da Prefeitura de Fortaleza, ressalta que os dados são preliminares, porque algumas localidades demoram para encaminhar os registos. Entretanto, segundo ele, os índices devem confirmar a redução do números de casos de dengue. “É importante ressaltar que janeiro representa apenas o início das chuvas e não um período tão critico, então devemos intensificar a atenção nos próximos meses”, explica ele.

Uma das ações que devem ser aplicadas é a mapeamento dos bairros mais críticos, que apresentarem maior número de casos. Segundo ele, são emitidos notificações de alerta e, a partir daí deve ser intensificada a ida de agentes de endemias às residências. Além disso, há capacitação dos profissionais de saúde e dos agentes. Soares ressalta que a participação da população é fundamental no combate à dengue e outras arboviroses. “O primeiro passo da prevenção contra a dengue começa dentro de casa”, afirma.

A preocupação, além do aumento do volume de chuvas nos próximos meses, é a possibilidade da chegada de um novo sorotipo da doença. Com o surto de dengue tipo 2 no Sudeste e Centro-Oeste, há o temor de um surto no Nordeste, incluindo o Ceará. Ele explica que, no Estado, o vírus não circula há mais de dez anos, então a população está pouco imunizada.

O médico infectologista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Keny Colares, comenta que existe a fama do tipo 2 ser mais agressivo e letal, mas, na verdades, os sintomas são os mesmos. A diferença, explica ele, é que, pelo tempo sem a circulação do vírus na região, pessoas mais novas não tiveram o contato com a doença e estão mais suscetíveis a contrair, podendo afetar um número elevado de pessoas.
Segundo ele, o melhor caminho é a prevenção. “O ideal é que se previna antes, que seja organizado e preparado, caso a doença chegue”, afirma. Além do combate ao mosquito, ele acrescenta que o uso de repelentes e a proteção com telas nas casas também podem ser utilizados.

Saiba os principais sintomas da dengue:

Febre alta > 38.5ºC;
Dores musculares intensas;
Dor ao movimentar os olhos;
Mal estar;
Falta de apetite;
Dor de cabeça;
Manchas vermelhas no corpo;

Confira como se prevenir:

Manter a caixa d'água fechada e higienizá-la regularmente, assim como outros tanques de armazenamento de água;

Evitar o acúmulo de lixo;

Manter tampados tonéis e barris d'água;

Esvaziar vasilhames como pratos das plantas e aparador de água de geladeiras e geláguas;

Ter atenção com as calhas e ralos.