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Fortaleza
NOTÍCIA

Cachorros que atuaram nas tragédias do Edifício Andréa e de Brumadinho se "aposentam"

Eles auxiliavam ocorrências de resgate no Estado e também em território nacional

Gabriela Almeida
20:32 | 10/02/2020
Argeu e Athos, parceiros há sete anos.
Argeu e Athos, parceiros há sete anos. (Foto: Reprodução/ceara.gov)

Os cachorros Athos, 10 anos, e Uno, 8, pai e filho, respectivamente, dedicaram sua vida ao resgate. Precisando se “aposentar”, os cães deixam a atividade junto à Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE) após trabalharem em operações importantes, como no desabamento do Edifício Andréa, em Fortaleza, e na tragédia em Brumadinho em Minas Gerais, segundo informações da instituição.

Athos e Uno trabalhavam com outros 11 cachorros na Companhia de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (CBRC), que atua dentro do órgão. Eles auxiliavam ocorrências de resgate no Estado e também em território nacional. Entre as operações realizadas estavam a busca por pessoas perdidas em matas e por desaparecidos com Alzheimer, além da procura por usuários de drogas que apresentam desorientação.

Todos os cachorros que trabalham no órgão são acompanhados por um bombeiro que atua como guia do animal. A dupla, chamada de binômio, só se desfaz em casos como a morte do cão ou com a saída do profissional da instituição. O caso dos cães, no entanto, foi diferente. Ao saírem do canil da instituição, por causa da idade avançada, Athos e Uno foram adotados pelos seus guias, cabo Argeu e subtenente Jota Maria, respectivamente.

Segundo o tenente-coronel Lino, comandante da CBRC, o vínculo criado entre o cachorro é muito grande e se torna responsável pelo desempenho do trabalho de ambos. “Eles não conseguiriam trabalhar da forma como trabalham se não existisse prazer naquilo. A adoção, nesse sentido, acaba sendo natural", disse Lino.

Uma nova história

“Ele tá achando é ótimo”, brinca o cabo Argeu sobre a nova rotina de Athos. Acompanhando há sete anos o animal, o profissional afirma que sempre soube que o adotaria, reservando até com antecipação um espaço em sua casa para o cachorro. “Como eu não sou pai, é como se eu tivesse um filho agora. Tenho que disponibilizar um tempo pra ele. Mexeu muito na minha vida de alguma forma", conta Argeu.

Sobre a adaptação de Athos, o cabo afirma que ele demorou um pouco para fazer coisas “normais de um cachorro doméstico”, como correr para receber o dono em casa, mas que agora ele já faz. “Na corporação o carinho era limitado, devido ao treinamento, agora tá todo manhoso porque tem carinho demais”, destaca Argeu.

Já o subtenente Jota Maria, guia do Uno, pensa no espaço que o animal deixa na corporação. Segundo entrevista dada ao site da instituição, ele garante que agora se empenha para capacitar novos cães, com o intuito de que eles tenham a mesma eficiência que Uno apresentou em seus quase dez anos de trabalho.

Os dois animais são considerados heróis pela corporação devido ao trabalho que realizaram, assim como os outros cachorros que atuam na CBRC. No entanto, o auxilio dado durante as buscas em Brumadinho e no desabamento do Edifício Andréa foram um dos mais importantes, segundo órgão. Argeu lembra que Athos se cansava muito durante trajeto feito nas buscas em Minas Gerais, precisando muitas vezes andar sobre a lama seca para farejar vítimas. Ele também recorda que Uno atuou fortemente no resgate de pessoas que estavam no Andréa, após ele desmoronar. "O que fica agora é a lembrança do ótimo trabalho", afirma o tenente Jota.