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Reajuste salarial dos policiais cearenses gera discussão entre governo e oposição na Assembleia

Segundo o deputado Soldado Noelio, policiais militares estão abandonado a hora extra opcional em protesto contra o pacote proposto pelo governo. "Não se pode misturar debate político com segurança pública, alguns estão querendo se aproveitar", rebateu o líder do governo

16:43 | 04/02/2020
Soldado Noelio disse que policiais abandonam as escalas de hora extra voluntária em protesto contra pacote
Soldado Noelio disse que policiais abandonam as escalas de hora extra voluntária em protesto contra pacote (Foto: JUNIOR PIO/ASSEMBLEIA LEGISLATIVA)

O reajuste salarial que o governo Camilo Santana (PT) propôs para os policiais militares provocou discussão intensa na Assembleia Legislativa nesta terça-feira, 3. A proposta tem gerado insatisfações principalmente entre os praças da Polícia Militar (patentes de soldado até subtenente).

Conforme o deputado Júlio César Filho (Cidadania), o Julinho, líder do Governo na Assembleia, o governador Camilo Santana (PT) convocou a base aliada para discutir o pacote.

Ouça análise no podcast Jogo Político:

Listen to "#69 - O aumento salarial dos policiais e a disputa política na segurança" on Spreaker.

Na tribuna da Assembleia, o deputado estadual Soldado Noelio (Pros) afirmou que a insatisfação tem afetado inclusive o efetivo de policiais militares em regime de hora extra voluntária. O regime foi instituído pelo Governo do Estado para substituir os chamados "bicos". É ilegal o policial, na folga, prestar serviço de segurança para estabelecimentos privados. Todavia, para completar a renda, a prática era comum. O Estado, então, decidiu criar um "bico legalizado", onde o policial presta serviço para o próprio Estado e recebe hora extra. É a adesão a esse "bico voluntário" que tem sido afetada. Noelio disse que essa presença cobre importante parcela do contingente policial.

De acordo com o deputado, nessa última segunda-feira, 3, a quantidade de viaturas policiais no 15º Batalhão da Polícia Militar do Ceará (PMCE), no Eusébio, baixou de 20 para 2. A causa teria sido a recusa dos policiais em fazer a hora extra voluntária.

"O nosso efetivo de hora está muito reduzido. Os policiais estão saindo dos grupos de redes sociais destinados à hora extra e também indo no sistema de segurança pública e modificando o status de 'voluntário de hora extra' para 'não-voluntário'".

Além disso, o problema, na visão de Soldado Noelio, chega até a diminuir a segurança em algumas comunidades. “No Morro do Santiago, por exemplo, tem postos policiais que só funcionam com policiais de hora extra. São dezenas de postos. É importante que o Governo escute essa representação e faça o diálogo”, pondera o deputado estadual.

Pacote de segurança

O anúncio do pacote de valorização profissional divulgado na sexta-feira, 31, pelo secretário da Segurança Pública e Defesa Social, André Costa. O secretário afirma que o aumento será parcelado em quatro vezes a partir de março de 2020 até dezembro de 2022. Depois desses anos, o soldado da Polícia Militar deve receber R$ 4.465,80.

O reajuste gerou insatisfação pelo fato de em dezembro ter sido aprovado a extinção de um auxílio especial de 3%. “Eles tiraram 3% e agora estão propondo uma reposição de 2,4% por exemplo para primeiros-sargentos. Alguns estão ganhando muito e outros muito pouco, isso não é justo. Conforme o deputado Julinho, esse auxílio extra, porém, só era previsto até 2019 e não era exclusivo de agentes de segurança, mas sim para todo o funcionalismo público: "Não se pode misturar debate político com segurança pública, alguns estão querendo se aproveitar".

O deputado Delegado Cavalcante, líder do Partido Social Liberal (PSL) na AL-CE, afirmou que a proposta de reajuste foi “um tiro no pé”. “Eles tem direito de reivindicar sim. São pessoas que merecem respeito e não estão tendo. O profissional sai de casa e não sabe se vai voltar, arriscando a vida, passou cinco anos sem aumentou e quando vem, é uma porcaria dessas”, ponderou.