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Neste domingo, corrida alerta para o combate à violência contra a mulher

O Treino de Corrida e Caminhada pelo Fim da Violência Contra as Mulheres chamou a atenção para o tema com a participação de 1,2 mil pessoas

ANA RUTE RAMIRES
12:45 | 08/12/2019
A atividade integra os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres
A atividade integra os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres (Foto: (Foto: Thomas Reeves/Divulgação))

Organizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, Treino de Corrida e Caminhada pelo Fim da Violência Contra as Mulheres chamou a atenção para o tema com a participação de 1,2 mil pessoas. Com percursos de 2,5, 5 e 10km, o percurso teve início Ayo Fitness Club, no bairro Patriolino Ribeiro. A iniciativa integra os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

Presente em 43 cidades brasileiras e 10 países, o grupo foi criado em 2013 com o objetivo de ajudar mulheres de todas as classes, conta Annete Reever Castro, líder maior do Mulheres do Brasil no Ceará. “A primeira coisa é que a gente precisa falar e a gente precisa permitir um ambiente em que as pessoas possam se manifestar e entender onde buscar apoio. Não podemos permitir que duas mulheres sejam mortas a cada hora nesse país”, defende.

Karla Andréia, 36, foi uma das participantes da corrida. “Faz três anos que corro e mudou minha vida, era bem sedentária. Fora a qualidade de vida que é maravilhosa, tenho fôlego para tudo. Essa corrida é muito importante porque temos mostrar que temos garra e que somos importantes. Essa causa nos valoriza”, diz a auxiliar de dentista.

A organização desenvolve trabalhos na área de artesanato, cultura de paz e empreendedorismo, com atuação dentro dos presídio, adoção de escolas públicas e programas para melhorar a gestão de associações da sociedade civil.

“O feminicídio é um problema sério. Como a gente resolve? Empoderando, gerando meios de recursos, porque muitas mulheres não têm recursos, autoestima, em vários lugares ao redor da cidade, dentro das comunidades. Trabalhamos muito dentro do presídio com mulheres e com homens empoderando e conscientizando”, acrescenta Annete.

Conforme Aline Miranda, defensora pública e uma das líderes do Comitê de Cultura de Paz, o acolhimento vai desde a escuta à informação sobre a rede de proteção. “Às vezes, a mulher é vítima de uma relação abusiva e nem mesmo tem consciência disso. É preciso conhecer as situações que caracterizam um abuso que pode caminhar para uma violência”, frisa.

Ela explica que, muitas vezes, começa com uma violência patrimonial. Algumas mulheres se submetem a uma situação de violência pela condição de dependência econômica. Um dos nossos propósitos da entidade, de acordo com Aline, é empoderar as mulheres para que possam gerir o próprio sustento e não se submeter a situações de abuso. “Há a violência psicológica, que é muito forte e ela sente que a vida dela depende daquele relacionamento, não vê outras perspectivas. Há uma gradação desses níveis de violência física e o nível superlativo de tudo isso é a tentativa de assassinato”, explica.

Sobre os primeiros sinais ela alerta: “quando começa a humilhar a pessoa, impedir que ela tenha sua autoestima, que ela se vista como ela quer, que ela seja comunicativa, retrai e impede que ela tenha vida própria”.