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Fortaleza
NOTÍCIA

Casamentos entre pessoas do mesmo gênero crescem 52% em 2018 no Ceará, aponta IBGE

Número de uniões homoafetivas formalizadas disparou após a eleição de Jair Bolsonaro. Em Fortaleza, equipamento da gestão municipal assiste pessoas que têm seus direitos negados

14:36 | 04/12/2019
Em 2018, 330 casais se casaram no Estado, sendo 212 casais de cônjuges femininos e 118 de parceiros masculinos.
Em 2018, 330 casais se casaram no Estado, sendo 212 casais de cônjuges femininos e 118 de parceiros masculinos. (Foto: MATEUS DANTAS)

A união entre pessoas do mesmo sexo cresceu 49% em dois anos no Ceará, de acordo com dados divulgados na manhã desta quarta-feira, 4, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2018, 330 casais se casaram no Estado, sendo 212 casais de cônjuges femininos e 118 de parceiros masculinos. O Estado registrou o segunda maior número de casamentos no Nordeste, atrás apenas de Pernambuco, com 391 uniões formais. O aumento aconteceu principalmente entre os anos de 2017 e 2018, quando o número de casamentos homoafetivos saltou 52%, de 217 para 330. 

O aumento aconteceu principalmente entre os anos de 2017 e 2018, quando o número de casamentos homoafetivos saltou mais de 50%, de 217 para 330. No ano passado, o número quase triplicou entre os meses de novembro e dezembro, após a eleição do presidente Jair Bolsonaro.

Leia mais: Casamentos homoafetivos saltam 360% após eleição de Bolsonaro

No Brasil, de acordo com a pesquisa, o número de casamentos homoafetivos teve um aumento expressivo, sobretudo, nos últimos meses do ano. Do total de 3.958 casamentos entre homens, 29,6% foram registrados só em dezembro. Entre casais formados por mulheres, 34% das 5.562 uniões também aconteceram no último mês do ano passado. Entre casais formados por um homem e uma mulher, o número de casamentos registrados em dezembro corresponde a 11,3% do total.

Tel Cândido, coordenador do Centro de Referência LGBT Janaína Dutra da Prefeitura de Fortaleza, argumenta que esse aumento repentino aconteceu ao mesmo tempo que a campanha eleitoral gerou um clima de instabilidade política dos direitos da população LGBT no País, fazendo com que muitos casais buscassem formalizar suas uniões.

“Essa é uma ferramenta importante porque, além de um laço afetivo e de um ato político de afirmação dos direitos de LGBT, o casamento civil significa o reconhecimento dessas uniões como uma entidade familiar a ser protegida pelo Estado brasileiro, proporcionando o acesso aos direitos advindos dessa relação de modo igualitário, com impacto no campo dos direitos previdenciários, sucessórios, trabalhistas, entre outros”, ressalta.

Ele ainda aponta que nos casos em que o direito ao casamento de casais homoafetivos for violado em Fortaleza, a população pode procurar o Centro de Referência LGBT Janaína Dutra, realizar a denúncia e obter todas as orientações cabíveis de forma gratuita.

Em 2018, 178 casos de violação ou omissão de direitos passaram a ser acompanhados pelo Centro, atendendo a 1.669 pessoas por meio de assistência jurídica, psicológica, social e de ações educativas. A maior parte das questões atendidas foi para retificação do nome de batismo e do gênero, de acordo com relatório anual divulgado neste ano.

No Ceará, os casamentos se concentraram na Capital e na Região Metropolitana. Menos de 20% dos matrimônios foram registrados fora dessa área em 2018. Em Sobral e na Região Metropolitana, por exemplo, apenas oito uniões homoafetivas foram formalizadas nesse ano. O número, no entanto, duplicou em relação a 2016, quando quatro casamentos foram realizados.

Entre as regiões, o maior aumento foi observado no Nordeste (85,2%) e o menor no Centro-Oeste (42,5%). Apesar do crescimento, o casamento entre homossexuais corresponde a somente 0,9% do total de uniões registradas no País.

Serviço

O que: Centro de Referência LGBT Janaína Dutra

Onde: rua Pedro I, 461 - Centro, de segunda à sexta, de 8h às 12h e de 13h às 17h

Mais informações: (85) 3452-2047