PUBLICIDADE
Fortaleza
NOTÍCIA

Cores de Romero Britto inspiram obras de pessoas com deficiência

Os trabalhos de cores vibrantes do pernambucano foram o mote para 127 quadros pintados por pessoas com transtornos mentais atendidas na instituição filantrópica Recanto Psicopedagógico. A exposição das obras está aberta a visitações nesta terça, 26

12:00 | 25/11/2019
Keila Cristina Peixoto, 39, no Recanto Psicopedagógico, que atende pessoas com necessidades especiais (Fotos: Fabio Lima/O POVO)
Keila Cristina Peixoto, 39, no Recanto Psicopedagógico, que atende pessoas com necessidades especiais (Fotos: Fabio Lima/O POVO) (Foto: FÁBIO LIMA/O POVO)

A obra A Maçã, do artista plástico Romero Britto, foi a primeira inspiração. Foi com base na pintura que a estudante Keila Cristina Aragão, 39, portadora de deficiência intelectual, fez os primeiros esboços. Não contente com o resultado, ela se dedicou ainda mais e compôs uma nova leitura. Dessa vez, o resultado a agradou. “O que eu mais gosto no trabalho dele são as cores. Parecem saltar da tela”, frisa. Ela e outros 126 alunos fizeram trabalhos inspirados no pintor pernambucano, que estão expostos, nesta terça-feira, 26, no Recanto Psicopedagógico, no bairro Papicu, na exposição Arte, um caminho à inclusão.

Com a exposição, a instituição filantrópica comemora também seus 46 anos de atuação completados hoje. “Romero Britto tem uma história de vida que se assemelha a deles, porque nasceu na periferia do Recife, estudou em escola pública e se esforçou muito em fazer um vestibular para Direito”, lembra Valéria Teles, professora do Recanto Psicopedagógico.

A história do pernambucano se liga a dos atendidos pelo Recanto Psicopedagógico em vários pontos na verdade. Britto costumava dizer que a vida na periferia é sofrida e cinzenta. Para mudar isso, ele passou a tingir o cinza das sucatas “para trazer luz e cor para a minha vida”, conforme se dispõe a narrar. Com base nisso, o Recanto também usou sucata, no caso CDs, para permitir aos alunos recriar obras e fazer novas narrativas. 

Os alunos se utilizaram da obra do artista nordestino para diversas disciplinas. Em matemática, por exemplo, formas geométricas eram apresentadas com a estamparia de Britto. Ao terem acesso às telas, os estudantes puderam, a princípio, realizar desenhos em papel. Em seguida, já confiantes, usaram tintas e telas, em trabalho livremente inspirado no artista.

A tela O Galo foi eleita por muitos como inspiração. Um dos alunos nomeou seu trabalho como O Galo Carijó. Uma das telas foi pintada com a ideia da ave passando pelo dia e pela noite. O caminho pelo tempo inspirou o batismo da obra de O Galo do Futuro. Outras obras foram inspiradas nos times de futebol, com homenagem ao São Paulo e ao Flamengo. Na Copa de 2014, ocorrida no Brasil, Britto fez uma leitura da taça - obra que também serviu de inspiração para os alunos.

A importância do trabalho é de eles, os alunos, se descobrirem como pessoas capazes. “Se eles diziam eu não vou conseguir, agora ganharam uma nova possibilidade”, finaliza a professora.

Serviço:

Exposição Arte, um caminho à inclusão

Quando: terça-feira, 26

Local: Recanto Psicopedagógico (rua Ari Barroso, 55 - Papicu)

Horário: das 8 às 10h e das 13h às 16h