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"Não tem nenhuma objeção em relação a minha posse", diz Cândido Albuquerque

Reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC) criticou gestão anterior, ignorou os protestos em relação à sua posse e assegurou autonomia da universidade na distribuição das bolsas de pós-graduação em 2020

21:48 | 04/10/2019
FORTALEZA, CE, BRASIL. 04-10-2019:Posse do presidente da Ebserh na Faculdade de Medicina da UFC. Na foto: Cândido Albuquerque, reitor da UFC.(Foto: Deísa Garcêz/Especial para O Povo)
FORTALEZA, CE, BRASIL. 04-10-2019:Posse do presidente da Ebserh na Faculdade de Medicina da UFC. Na foto: Cândido Albuquerque, reitor da UFC.(Foto: Deísa Garcêz/Especial para O Povo)(Foto: Deísa Garcêz/ Especial para O Povo/Deísa Garcêz/ Especial para O Povo)

Presente na posse do professor Carlos Augusto Alencar Júnior, que tomou posse na tarde de sexta-feira como o novo superintendente do complexo hospitalar da Universidade Federal do Ceará e Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o reitor da Universidade Federal do Ceará, Cândido Albuquerque, falou ao O POVO sobre a necessidade de mudar algumas características da universidade. Uma delas seria o que apontou como “falta de diálogo” dentro e fora da instituição.

OP - O senhor havia dito que a estrutura administrativa da UFC precisava ser modernizada, pois se tratava de “uma Instituição ainda pesada, própria do tempo da velha máquina de escrever". Por que?

Cândido Albuquerque - Notadamente, pela falta de diálogo. O grande problema da UFC, quando se mete a mão pra ver o que tem lá dentro, é a falta de diálogo. Não havia diálogo entre Ebserh e o então reitor, e isso era muito grave. Não vamos permitir isso. A equipe que foi montada é uma equipe cuja relação institucional não tem como ser abalada.

OP - Como o senhor está reagindo diante dos protestos contra a sua posse? (Na quarta e na quinta-feira, alunos, professores e técnicos administrativos realizaram paralisação nos três Campi de Fortaleza, em Juazeiro do Norte e no Cariri)

Cândido Albuquerque - Você está enganada, em relação a mim, não tem nada. Temos 30 e tantos mil alunos e deve ter um ou dois insatisfeito - e eu não tenho nada a ver com a vida deles. Não tem nenhuma objeção em relação a minha posse. Ela é constitucional, legal.

OP - Em relação ao Future-se, alguma novidade? (O Future-se é o projeto do Ministério da Educação para aumentar a verba privada no orçamento das federais)

Cândido Albuquerque - Ele está sendo construído. As pessoas que hoje dizem que são contra o Future-se estão delirando, porque ele não está pronto ainda. É uma ideia boa a ser construída e aperfeiçoada. Não é possível que a universidade tenha medo de ideias. Isso é inaceitável. Por razões ideológicas, as pessoas estão contra. É preciso quebrar esses grilhões do atraso e ter coragem para avançar. Não podemos ter medo do novo. É só olhar as universidades no resto do mundo. Não temos uma universidade entre as 200 melhores do mundo - mas também nenhuma delas tem eleições diretas. E a gente quer fazer o quê? Isso nunca deu certo em lugar nenhum do mundo, mas as pessoas querem criar um gueto ideológico. Não pode. A UFC vai voltar a ser referência na produção do conhecimento e tecnologia no Brasil. Hoje estamos bem atrás, mas em dois anos, vamos avançar e eu vou mostrar como a função da UFC será outra. Vamos produzir tecnologia, inovar e empreender. Nossos alunos agora serão voltados para pesquisa.

OP - As bolsas para 2020, que o senhor disse que estão asseguradas, serão para todas as áreas ou seguirão a indicação que o ministro Weintraub? (O ministro da educação disse, em relação às bolsas de pós-graduação, que dará preferência àquelas que se encaixarem em áreas consideradas estratégicas pela gestão Jair Bolsonaro, como cursos de Saúde e Engenharias)

Cândido Albuquerque - Nós já avançamos mais do que somente assegurar as bolsas para UFC. Temos bolsas suficientes. Mas muitas bolsas eram trabalhadas sem nenhuma eficiência e impacto social, e todas serão redirecionadas. Por isso, teremos muito mais bolsas para pesquisa no ano que vem, para iniciação tecnológica. A UFC tem autonomia para decidir, e as bolsas serão redirecionadas a partir de um grupo de estudo criado dentro da própria universidade.