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Em três anos, mais de 210 pessoas foram vítimas de envenenamento por "chumbinho" no Ceará

O POVO Online listou alguns casos de envenenamento no Ceará que aconteceram de forma criminal e de forma acidental

Entre os anos de 2016 e 2018, o Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, atendeu 210 vítimas de envenenamento por chumbinho. A chefe do Núcleo de Assistência Toxicológica do hospital, Polliana Lemos, alerta que, mesmo proibido, o chumbinho ainda é comercializado de forma ilegal e as pessoas ainda têm acesso.

Além dos atendimentos no hospital, O POVO Online listou alguns casos de envenenamento no Ceará que aconteceram de forma criminal, quando uma pessoa tenta envenenar outra e de forma acidental, que normalmente acontece quando há erro no descarte do produto, que é misturado à comida e ingerido por pessoas que não sabem da existência do veneno. Os tipos do veneno encontrados são o carbofurano (carbamato), terbufós (organofosforado), forato (organofosforado), monocrotofós (organofosforado) e metomil (carbamato). 

No dia 18 de janeiro de 2019, três pessoas da mesma família foram envenenadas na localidade de Várzea de Cima, zona rural de Santa Quitéria. Eles ingeriram toucinho com veneno de rato. O alimento teria sido oferecido por um vizinho, que não sabia da contaminação. Uma das pessoas morreu e as outras foram internadas. 

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No dia 11 de novembro de 2014, uma criança autista e o pai, Francileudo Bezerra, foram envenenados na própria residência. O "chumbinho" foi encontrado no sorvete. Francileudo, que é subtenente do Exército Brasileiro (EB)l foi internado e o filho não resistiu. A esposa do subtenente, Cristiane Renata Coelho, o acusava de ser o autor do crime, mas a melhora no quadro clínico de Francileudo fez com que a Polícia Civil investigasse Cristiane como responsável pelas mortes. Por fim, o inquérito da Polícia Civil concluiu que Cristiane colocou veneno no sorvete do filho e na bebida do marido. Ela foi condenada há 32 anos de reclusão. 

No dia 8 de março do ano de 2017, o guarda municipal José Gonçalves Fonseca, de 51 anos, foi encontrado morto. O advogado dele, Victor Henrique da Silva Ferreira Gomes, de 23 anos, foi indiciado pela morte do agente de segurança. O laudo pericial identificou que José foi morto por envenenamento com "chumbinho" e asfixia. A vítima possuía R$ 265 mil na conta bancária que era referente a venda de um imóvel, no entanto o advogado convenceu a vítima a transferir o valor para o advogado, que gastou o dinheiro. Quando percebeu que o guarda municipal estava prestes a descobrir o golpe, o advogado teria chamado a vítima para resolver as questões bancárias e a matou. As informações foram repassadas pelo delegado Leonardo Barreto, na época do crime. As investigações mostraram imagens de câmeras de segurança, ouviram testemunhas e checaram as movimentações bancárias feitas pelo advogado.

No dia 6 de maio de 2015, três crianças da 4ª série do ensino fundamental foram envenenadas dentro de escola da rede pública Antônio Mendes, localizada no bairro Cristo Redentor. Elas comeram chocolates com substâncias tóxicas e foram levadas ao IJF. O hospital, na época, não confirmou se o chocolate continha chumbinho e informou apenas que tinham substâncias tóxicas. A mãe de uma das meninas informou ao O POVO Online, na época, que havia suspeita de que uma criança teria colocado chumbinho nos chocolates das meninas enquanto elas foram ao banheiro. Segundo a cozinheira da escola, o saco com o veneno de rato foi encontrado no colégio.

Em fevereiro de 2007, houve um caso de intoxicação alimentar por consumo de tapiocas contaminadas com carbonato em Sobral. Na ocasião, 60 pessoas foram vítimas. O estudo feito por Janilson da Silva Filho, Antônia Marques Avelino, Izabelle Mont'Alverne Napoleão Albuquerque e Vicente de Paulo Teixeira Pinto mostra que eram 38 homens e 19 mulheres. Na época do caso foram adotadas medidas técnicas e de suporte para os pacientes com as equipes técnicas da Secretaria da Saúde e Ação Social de Sobral, Secretaria Estadual da Saúde, além da Vigilância Sanitária. O estudo mostra que em 2007 foram notificados 389 casos de intoxicação em Sobral, sendo que 17 casos foram provocados por raticidas. Das 17 vítimas, três morreram.

Atenção ao descarte

A chefe do núcleo de toxicologia do IJF relembra um caso em que uma pessoa que comprou o "chumbinho" e descartou de maneira errada. O produto estava dentro de uma lata de achocolatado. Uma família de catadores de lixo encontrou a embalagem de chocolate em pó e todos ingeriram o veneno. A família foi atendida pelo IJF. O caso, conforme Polliana Lemos, aconteceu há aproximadamente 10 anos. Ela alerta, que além da comercialização do chumbinho ser proibida, ainda existe a questão do descarte errado. Neste caso, a família humilde viu a embalagem de chocolate em pó e não percebeu a presença do chumbinho em meio ao doce.

Centros de atendimento

Conforme Polliana Lemos, o Brasil tem aproximadamente 33 centros de informação e assistência toxicológica. Seis centros são presenciais e o restante faz o atendimento por meio de teleconsultas, ou seja, as pessoas entram em contato por telefone e os profissionais da saúde oferecem um atendimento de orientação e identificação do tipo de envenenamento até que o socorro chegue.

O atendimento por telefone mantém o paciente calmo e há uma série de medidas específicas. Se a pessoa se expôs a um produto de limpeza é possível verificar, no próprio rótulo, um número 0800 de antiveneno. Entre as situações a se verificar, o profissional de saúde pergunta sobre as cartelas de remédio encontradas ao redor da vítima e como ela se expôs ao produto. "Se tomou em um copo, se foi diluído na água, se foram dois fracos. Isso faz uma diferença brutal. Tem agentes que não é possível dar água, por exemplo. A gente pede para tirar uma fotografia do rótulo do produto e mandar WhatsApp e orienta o hospital mais adequado".

Comparação com arma química

O quadro clínico das pessoas que chegam são semelhantes aos de venenos utilizados na agricultura. São venenos para controlar pestes e que possuem o mesmo princípio ativo de armas químicas. A chefe do núcleo de toxicologia chega a comparar os venenos com a arma química utilizada no metrô de Tóquio. Em 1995, membros do grupo liberaram gás sarin, uma arma química que ataca o sistema nervoso, em cinco pontos ao longo da rede de metrô de Tóquio durante a hora do rush matinal, gerando caos na capital japonesa. Treze pessoas morreram e mais de 6 mil ficaram feridas. Inúmeros passageiros tiveram dificuldades para respirar, alguns espumavam pela boca e sangravam pelo nariz. 

Recomendações para vítimas de envenenamento 

- Ficar em Jejum 

-Não tomar leite 

- Não induzir o vômito 

- Permanecer deitado (a)

- Evitar se agitar, pois a circulação do agente é maior 

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