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Fortaleza
NOTÍCIA

Crea-CE se reúne para elaborar parecer sobre prédio que desabou parcialmente

Moradores seguem sem saber qual o futuro do local

15:09 | 03/06/2019
FORTALEZA, CE, BRASIL, 02.06.2019: Predio residencial que tombou na rua Travessa Campo Grande na Maraponga, corre risco iminente de desabar. (Fotos: Fabio Lima/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 02.06.2019: Predio residencial que tombou na rua Travessa Campo Grande na Maraponga, corre risco iminente de desabar. (Fotos: Fabio Lima/O POVO)(Foto: FÁBIO LIMA)

Comissão de engenheiros está reunida na tarde desta segunda-feira, 3, para elaborar um parecer técnico sobre o incidente em que um prédio desabou parcialmente no último sábado, 1º. O encontro é articulado pelo Conselho Regional da Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE). Ao longo da última manhã, os técnicos foram até o local e fizeram imagens, entrevistas com condôminos e vistorias na estrutura.

A reunião deve resultar em um documento para subsidiar perícias e outras investigações sobre o caso. 

"É prematuro apontar (se houve negligência do proprietário) porque não dá pra entrar no prédio e verificar. Ocorreu reparo em algumas trincas e rachaduras, mas não tenho como precisar se ocorreram problemas desde a construção. O fato é que existe um profissional responsável pelo projeto e por um laudo recentemente elaborado. Ainda não temos esses laudos, mas vamos entrar em contato para conseguir e elaborar um parecer", disse o engenheiro Emanuel Maia Mota, presidente do Crea-CE, durante entrevista à rádio O POVO CBN.

Sem teto

Enquanto isso, ainda cheios de incertezas e dúvidas sobre o futuro do próprio lar, moradores do prédio continuam tentando descobrir o que vai ocorrer com o local onde moravam. Quase 72 horas após o incidente, o prédio se mantém inclinado. Os técnicos do Corpo de Bombeiros do Ceará (CBMCE) consideram o risco de queda como "iminente". Contudo, até agora não há informações oficiais de quando ou como a estrutura será recuperada ou colocada definitivamente abaixo. 

Os condôminos calculam que havia ao menos seis carros e quatro motocicletas na garagem. Agora, estimam que todos foram esmagados, assim como o primeiro andar da construção. Os escombros estão espalhados pelo terreno, chegando até a calçada. Há pedaços do prédio sobre casas do entorno. Segundo uma das vizinhas do empreendimento, Ana Gomes, foram os fragmentos das paredes caindo que alertaram a vizinhança. "Houve um primeiro estrondo, depois disso todo mundo correu, os vizinhos gritavam que o prédio estava caindo, todo mundo se afastou", disse. 

Milagre

Ana Kélvia e o marido estavam no segundo andar, onde moravam, e conseguiram fugir segundos antes de o prédio desmoronar parcialmente. "Ele ainda voltou para ajudar uma menina com dificuldade de locomoção, foi um milagre. Tiraram ela, quando ele ia saindo o prédio caiu, ele ainda foi atingido por alguns pedaços das paredes depois do impacto", contou. 

De acordo com Kélvia, uma semana antes do incidente, agentes da Defesa Civil municipal foram até o local fazer uma vistoria. "Meu marido chamou porque nosso apartamento estava torto. A água do banheiro corria para a sala, não para o ralo. As portas não fechavam, tinha rachaduras. Eles falaram que não tinha risco de cair, por isso continuamos aqui", lamentou. 

Conforme o órgão, técnicos estiveram no prédio por duas vezes. "No momento em que o agente constatou risco de desabamento, orientou os moradores a buscarem o serviço de um engenheiro para que ele avaliasse a estrutura do edifício", disse. Ainda de acordo com a Defesa Civil, informações repassadas pelo proprietário indicavam que engenheiro foi contratado para a elaboração de um laudo para atestar a segurança estrutural do prédio. É esse documento que agora a comissão do Crea-CE busca. 

Igor Calvacante