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Justiça

"Se ela fosse GDE, não teria morrido", diz acusado de matar e esquartejar três mulheres

O crime aconteceu em março de 2018, quando seis homens mataram e esquartejaram três mulheres. Duas delas teriam sido desmembradas ainda vivas

18:02 | 27/02/2019
O crime aconteceu em março de 2018, quando seis homens mataram e esquartejaram três mulheres. Duas delas, teriam sido desmembradas ainda vivas (Foto: Fábio Lima/O POVO)
O crime aconteceu em março de 2018, quando seis homens mataram e esquartejaram três mulheres. Duas delas, teriam sido desmembradas ainda vivas (Foto: Fábio Lima/O POVO)

O julgamento de cinco membros de facção criminosa está ocorrendo durante esta quarta-feira, 27, na 3ª Vara do Júri, do Fórum Clóvis Beviláqua. Integrantes do grupo Guardiões do Estado (GDE), os homens são acusados de matar e esquartejar três mulheres em março de 2018. Confessando ter participado do crime, um deles confirmou ao júri que as mortes ocorreram por causa da rivalidade entre facções.

A ação penal apresentada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (PMCE) informa que Nara Aline Mota de Lima, 23, Ingrid Teixeira Ferreira, 22, e Darcyelle Ancelmo de Alencar, 31, foram retiradas da casa onde moravam, no bairro Vila Velha, tendo sido torturadas e mortas por integrantes da GDE. Ingrid e Nara, a propósito, foram decapitadas ainda vivas. A separação da cabeça do corpo ocorreu a golpe de facão.

“A ‘sapatona’ (Nara) era batizada no CV (Comando Vermelho). Se ela fosse GDE, não teria morrido", declarou Rogério Araújo de Freitas, 26. Conhecido como "Chocolate", ele confessou ter esquartejado as vítimas, enquanto os demais teriam apenas observado a ação.

Além dele, também são acusados de participar do crime: Francisco Robson de Souza Gomes, o Mitol, 28; Bruno Araújo de Oliveira, o Bruno Biloco, 25; Jeilson Lopes Pires, 22; e Júlio César Clemente Silva, o Léo Bifão, 30.

Mitol é apontado como um dos líderes da facção. Preso em um presídio do Estado, ele teria repassado as ordens de como matar as mulheres por telefone. A mando dele, as cenas ainda foram gravadas e divulgadas em redes sociais. Durante a onda de ataques criminosos ocorridos no Ceará em janeiro, ele foi transferido para o presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

A defensora pública Sulamita Teixeira disse que o Léo Bifão “aparenta não ter concordado com as cenas de tortura, apesar de ter concordado com os homicídios”. Mais cedo, ele deu detalhes de como o crime aconteceu. "Eu contei tudo porque não vou responder por algo que eu não fiz. Eu tenho vontade de sair da facção, mas, se eu sair, vou ser decretado porque a gente sabe que isso acontece", informou.

Jonathan Lopes Clemente, outro acusado, não está sendo julgado nesta quarta-feira por ter sido preso depois dos outros. Ele não havia sido encontrado à época da notificação. A decisão de julgá-lo depois se deu para que o julgamento não fosse atrasado.

Wanderson Trindade | Lucas Barbosa