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Jornal
TERROR

Membros de facção serão julgados por esquartejar três mulheres

Seis integrantes da facção criminosa GDE serão julgados, amanhã, por execução e esquartejamento de três mulheres o bairro Vila Velha. Duas delas foram decapitadas ainda com vida

26/02/2019 06:05:18
TRIPLO ASSASSINATO das mulheres da Vila Velha se deu no cenário da disputa entre facções criminosas por territórios do tráfico de drogas em Fortaleza
TRIPLO ASSASSINATO das mulheres da Vila Velha se deu no cenário da disputa entre facções criminosas por territórios do tráfico de drogas em Fortaleza

Um ano depois de terem sido presos por acusação de tortura e esquartejamento de três mulheres, duas delas quando ainda estavam vivas, seis integrantes da facção Guardiões do Estado (GDE) serão julgados, amanhã, pelo júri popular. A atrocidade, filmada e postada nas redes sociais pelos próprios réus, se deu no bairro Vila Velha, na zona oeste de Fortaleza no dia 2 de março do ano passado.

Amanhã, a partir das 9 horas, na 3ª Vara do Júri, no Fórum Clóvis Beviláqua, estarão sendo julgadas a crueldade e a torpeza dos seis apontados como réus: Francisco Robson de Souza Gomes, o Mitol; Bruno Araújo de Oliveira, Jeilson Lopes Pires, Jonathan Lopes Clemente, Júlio César Clemente Silva e Rogério Araújo de Freitas.

De acordo com a denúncia do promotor Oscar Fioravanti, da 12ª Promotoria, o crime foi ordenado de dentro de um presídio por Mitol. O líder da facção, segundo depoimentos, comandou quase em tempo real - via telefone celular - a carnificina.

Mitol, segundo a promotora Joseana França, responsável pela acusação na 3ª Promotoria do Juri, vinha sendo investigado por tráfico de drogas e seu telefone celular estava interceptado. O diálogo da data do crime foi ouvido dias depois pela Polícia Civil. Um dos denunciados disse em depoimento que "O Jeilson (acusado) dizia o que fazer. Ele estava sempre com o celular no ouvido (falando com Mitol)". Fato comprovado nos áudios monitorados.

De dentro do presídio, Mitol teria ordenado que Nara Aline Mota deveria ser executada por ser do Comando Vermelho. Darcyelle Ancelmo de Alencar e Ingrid Teixeira Ferreira teriam sido mortas porque estariam no lugar errado, na casa de Nara.

Segundo a denúncia do Ministério Público e o inquérito policial, depois de surpreendidas pelos cinco matadores, as três vítimas foram levadas para o mangue do rio Ceará. Ali, se desenharia com mais barbaridade o sofrimento delas.

Torturadas, Ingrid e Nara foram decapitadas ainda vivas. O exame de corpo de delito atestou que o corpo e a cabeça estavam separados. A "morte teria sido causada por traumatismo cervical por instrumento cortocontundente (facão)". Nara teve o braço, dedos e mãos cortados. Uma delas foi espancada com golpes de pá.

Já Darcyelle, segundo o laudo cadavérico, foi decapitada depois de levar um tiro no crânio. O corpo também foi encontrado separado da cabeça. Durante o interrogatório, um dos réus contou que ela teria sido a última a morrer. Como não poderia ficar para "testemunha", foi executada e enterrada na lama do mangue.

As cenas de horror, segundo o inquérito policial do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa, foram gravadas a mando Mitol. Ele teria ordenado que queria um "vídeo islâmico". Numa referência ao modelo propagado pela organização terrorista Estado Islâmico.

Em janeiro deste ano, Mitol foi transferido para o presídio federal de Mossoró. Ele seria um dos líderes de uma facção que comandou, de dentro do presídio, a onda de ataques no Ceará.

Os réus serão julgados por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima); destruição e ocultação de cadáver, além de participação em organização criminosa, porte ilegal de arma de fogo e tortura.

TEMPO DE JUSTIÇA

O processo do esquartejamento das três mulheres faz parte do esforço Tempo de Justiça. Parceria entre Poder Executivo, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública, que monitora crimes dolosos contra a vida com autoria esclarecida, ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2017.

Dados do crime

AS VÍTIMAS

Darcyelle Ancelmo de Alencar

Segundo o laudo cadavérico, foi decapitada depois de levar um tiro na cabeça. O corpo foi encontrado separado da cabeça.

Ingrid Teixeira Ferreira

O exame de corpo de delito atestou que o corpo e a cabeça da vítima estavam separados. Morte causada por traumatismo cervical. Foi decapitada viva.

Nara Aline Mota Lima

A necropsia indicou que o corpo e a cabeça estavam separados. Morte causada por traumatismo cervical. Foi decapitada viva.

OS RÉUS

Francisco Robson de Souza Gomes, o Mitol, 28. Líder do grupo. Teria ordenado o assassinato de dentro do presídio. Estava com o telefone interceptado numa investigação sobre tráfico de drogas.

Bruno Araújo de Oliveira, o Bruno Biloco, 25. Acusado de retirar as mulheres de casa, levá-las ao local do crime e matá-las.

Jeilson Lopes Pires, 22 anos

Acusado de retirar as mulheres de casa e levá-las ao local do crime. Teria filmado a ação.

Jonathan Lopes Clemente, Dioninha, 19. Acusado de retirar as mulheres de casa e levá-las ao local do crime.

Júlio César Clemente Silva, o Léo Bifão, 30. Acusado de retirar as mulheres de casa e levá-las ao local do crime.

Rogério Araújo de Freitas, o Chocolate, 27. Acusado de retirar as mulheres de casa e levá-las ao local do crime.

OS CRIMES

Homicídio triplamente qualificado

Destruição e ocultação de cadáver

Participação em organização criminosa

Porte ilegal de arma de fogo

LOCAL DO CRIME

Manguezal do rio Ceará, no bairro Vila Velha, em Fortaleza. Dia 2/3/2018, por volta das 13h40min

ARMAS UTILIZADAS

Facão e revólver

O MOTIVO DO CRIME

Segundo o inquérito policial Nara Aline foi morta porque seria do Comando Vermelho. Darcyelle Ancelmo e Ingrid Teixeira porque estavam acompanhadas dela.

Fonte: Processo nº 0115894-52.2018.8.06.0001

 

Demitri Túlio