Em 10 anos, preços de Carnaval sobem mais de 80%, liderados por bebidas alcoólicas
De acordo com estudo, a cerveja teve elevação de 58,18% no período e outras bebidas alcoólicas apresentaram inflação de 80,76% na cesta carnavalesca
11:08 | Fev. 09, 2026
Os preços dos itens mais consumidos durante o Carnaval registraram média de aumento de 79,07% ao longo de dez anos. Porém, alguns produtos, como bebidas alcoólicas, chegaram a passar de 80% de encarecimento.
Os dados constam em um levantamento realizado pela Rico, plataforma de investimentos e serviços financeiros do Grupo XP Inc.
Entre os produtos analisados, a cerveja teve elevação de 58,18% no período.
Já o conjunto formado por outras bebidas alcoólicas apresentou avanço ainda mais acentuado, com inflação de 80,76%, liderando os reajustes da chamada cesta carnavalesca.
De acordo com o estudo, a escalada dos preços está associada ao aumento dos custos de produção.
No caso da cerveja, a alta de insumos como o malte e o alumínio, utilizado nas embalagens, influenciou diretamente os valores cobrados ao consumidor.
Para as demais bebidas alcoólicas, a valorização do dólar foi um fator relevante, ao encarecer matérias-primas e componentes importados.
O vinho apresentou um comportamento diferente dos demais itens. Como passou a ser incorporado ao Índice de preços no consumidor (IPCA) apenas em 2020, o produto acumulou inflação de 23,64% nos últimos seis anos.
Carnaval está quase 80% mais caro
No acumulado de 10 anos, o aumento da cesta carnavalesca superou a inflação oficial do País, que foi de 64,77%, conforme o IPCA.
Segundo Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico e responsável pelo levantamento, isso indica que os produtos e serviços mais consumidos no Carnaval tiveram reajuste cerca de 14% acima da inflação média brasileira no período.
Ao analisar um intervalo menor, de seis anos, a diferença entre a cesta temática e o IPCA diminui, mas permanece positiva.
Enquanto os preços da cesta carnavalesca avançaram 48,97%, o índice geral de inflação registrou alta de 39,15%. Em 2025, os valores também seguiram acima da inflação oficial.
Para estimar o impacto financeiro sobre os foliões, o estudo elaborou uma cesta hipotética composta por itens característicos do período, como cerveja, outras bebidas alcoólicas, maquiagem, bijuterias, serviços de beleza e despesas com transporte, incluindo passagens aéreas e ônibus interestaduais.
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Os números apontam que a elevação dos custos não está concentrada em um único produto, mas resulta do acúmulo de reajustes em diferentes segmentos, com as bebidas alcoólicas exercendo o principal peso no encarecimento do Carnaval.
Abaixo a lista de preços da cesta carnavalesca:
- IPCA: 12 meses 4,26%; 6 anos 39,15%; 10 anos 64,77%
- Cesta total: 12 meses 5,51%; 6 anos 48,97%; 10 anos 79,07%
- Cerveja: 12 meses 5,97%; 6 anos 41,34%; 10 anos 58,18%
- Outras bebidas alcoólicas: 12 meses -2,88%; 6 anos 51,09%; 10 anos 80,76%
- Vinho: 12 meses 0,80%; 6 anos 23,64%; 10 anos iniciou a partir de 01/2020
- Cerveja (outra categoria): 12 meses 3,11%; 6 anos 31,87%; 10 anos 51,53%
- Bijuteria: 12 meses 9,88%; 6 anos 57,84%; 10 anos 61,76%
- Ônibus interestadual: 12 meses 4,04%; 6 anos 26,95%; 10 anos 54,91%
- Passagem aérea: 12 meses 7,86%; 6 anos 48,64%; 10 anos 74,23%
- Artigos de maquiagem: 12 meses 3,27%; 6 anos 29,09%; 10 anos 35,16%
- Cabeleireiro e barbeiro: 12 meses 8,07%; 6 anos 42,62%; 10 anos iniciou a partir de 01/2020