Ceará leva projeto de exportação de carnes a feira em Dubai
O Ceará prepara a entrada no mercado halal ao apresentar, em janeiro, um projeto voltado à exportação de carne de ovinos e caprinos durante a Gulfood 2026, em Dubai
21:37 | Jan. 16, 2026
O Estado do Ceará começa a estruturar uma estratégia para acessar o mercado de alimentos halal, voltado a países de maioria muçulmana, com foco inicial na exportação de carne de ovinos e caprinos.
A iniciativa será apresentada internacionalmente durante a Gulfood 2026, uma das maiores feiras de alimentos e bebidas do Oriente Médio, que ocorre entre 26 e 30 de janeiro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A participação marca o lançamento do Projeto Halal Ceará, coordenado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), em parceria com entidades como FAEC/SENAR, Embrapa, universidades e institutos federais.
A proposta se trata de adequar a produção local às exigências religiosas e técnicas do Islã, permitindo que produtores cearenses possam acessar mercados do Oriente Médio e do Norte da África.
Segundo a SDE, a estratégia tem como eixo central a organização da cadeia produtiva de ovinos e caprinos, atividade tradicional em áreas do interior do Estado, especialmente no semiárido.
O projeto prevê ações que vão desde a padronização do rebanho e capacitação de produtores até a implantação de frigoríficos especializados, certificação halal e estrutura logística para exportação.
“O projeto cobre toda a jornada, desde a criação no campo até a chegada do produto ao consumidor no exterior”, afirmou o secretário executivo do Agronegócio da SDE, Silvio Carlos, que integrará a missão cearense à feira em Dubai ao lado de empresários do setor e investidores.
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A Gulfood é considerada a maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio e reúne compradores, produtores e representantes de governos de diversos países. A edição de 2026 terá foco em tendências de mercado, inovação, sustentabilidade e geração de negócios internacionais, com a participação de delegações brasileiras.
Além da vitrine internacional, o Governo do Estado trabalha na definição de territórios estratégicos no interior do Ceará para a instalação de abatedouros e estruturas de apoio à cadeia produtiva. Um estudo com esse mapeamento deve ser apresentado pela SDE na segunda quinzena de janeiro.
Para o secretário do Desenvolvimento Econômico, Domingos Filho, a participação do Ceará na Gulfood está associada à atração de investimentos e à organização da produção local. “A presença do Estado em um evento desse porte faz parte de uma estratégia para ampliar mercados e fortalecer a economia rural, com geração de emprego e renda”, afirmou.
O projeto também busca ampliar o alcance da certificação halal para outros segmentos, como alimentos processados, frutas e derivados, à medida que a cadeia produtiva seja estruturada e certificada.
O que é o selo halal
O termo halal significa “permitido” em árabe e se refere a produtos que seguem os preceitos da lei islâmica. No caso das carnes, a certificação exige regras específicas de abate, bem-estar animal, higiene e rastreabilidade.
Entre os critérios estão o abate realizado por um muçulmano praticante, o respeito a práticas humanitárias e a garantia de que o produto não teve contato com substâncias proibidas, como carne suína ou álcool.
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De acordo com a SDE, além do aspecto religioso, o selo halal envolve padrões internacionais de qualidade e controle, exigidos por mercados consumidores de diferentes regiões do mundo.
Nos próximos meses, o governo estadual deve avançar na articulação com entidades certificadoras e investidores, além de consolidar a governança institucional do projeto.
A expectativa é que a apresentação do Projeto Halal Ceará em Dubai funcione como ponto de partida para a inserção do Estado como fornecedor regular de alimentos certificados para o mercado árabe.