Data center, IA e mineração de criptomoedas: os focos da Etice para 2026
| Exclusivo | Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará aponta segmentos estratégicos com os quais quer selar novos negócios e tornar o próximo ano o primeiro da empresa a dar lucro
A Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) mira em data centers, processamento de inteligência artificial (IA) e mineração de criptomoedas como oportunidades de novos negócios em 2026, quando espera fechar o primeiro ano com superávit da história.
Os segmentos são considerados estratégicos e devem alçar a Etice a um novo patamar, segundo afirmou em entrevista exclusiva ao O POVO, Hugo Figuerêdo, presidente da estatal.
O entendimento do executivo, que assumiu a empresa no último trimestre de 2025, segue os movimentos dos mercados de telecomunicações e tecnologia da informação em todo o mundo, os quais apontam o Ceará como um polo internacional de data centers e cujo potencial de desenvolver o setor de forma consolidada, atraindo a cadeia produtiva completa, é encarado como totalmente possível.
A indicação dos três segmentos, explica Figueirêdo, também segue tendências mundiais. O crescimento do uso de IA observado no último ano requer maior capacidade de processamento e infraestrutura moderna para tal, como os data centers, os quais ainda devem ter utilizados para abrigar mais informações localizadas, atualmente, longe dos usuários brasileiros.
Já a mineração de criptomoedas entra em outra frente, mas, como as demais, necessita de uma estrutura apta para dar conta da grande quantidade de informação e sequência de dados. A demanda requerida por cada um é proporcional ao volume de recursos aplicados, como o já observado nos empreendimentos que miram o Complexo do Pecém, e o esperado são contratos de milhões de reais.
De posse da maior rede de fibra óptica do Estado, a Etice quer dispor os 6 mil quilômetros do Cinturão Digital no projeto de interiorização dos data centers, além de levar a qualquer empreendimento que necessite de conexão de alta velocidade e baixa latência - o tempo de retorno entre o pedido da informação e a resposta - tecnologia capaz de atender todas as demandas.
"Vamos avaliar com cada cliente porque tudo parte da necessidade do cliente. Em paralelo, vamos verificar o que a própria Etice pode fazer via IA. Temos uma área de pesquisa e desenvolvimento para identificar as oportunidades e tendências para a gente crescer em cada uma dessas verticais de negócios", disse Figueirêdo.
Lucro e negócios
Com faturamento girando em torno de R$ 500 milhões em 2025, Hugo destaca que 80% dos recursos movimentados pela Etice vem dos serviços prestados e apenas 20% diz respeito à operação do Cinturão Digital - o ativo mais conhecido. No entanto, admite, a empresa "ainda depende de recursos do Estado".
Em 2025, o caixa deveria fechar com R$ 10 milhões de prejuízo, se não fosse o aporte de R$ 50 milhões do governo cearense. Conta que o presidente diz querer mudar em 2026, com possibilidade até de divisão de dividendos.
"Acabamos de fazer uma reestruturação e, a partir do ano que vem, queremos ser uma empresa superavitária, ou seja, que dá lucro. Mas também continuar prestando o serviço de qualidade para o Estado", afirma, citando novamente os segmentos-foco para os novos negócios.
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Hoje, a Etice tem entes públicos estaduais como clientes. Por ser uma estatal cearense, ela possui a vantagem de selar os contratos sem a necessidade de licitações, a depender do valor orçado para o serviço. Neste nicho, a empresa atende desde equipamentos até secretarias - no que consiste a principal fonte de negócios para o caixa da empresa.
Entre os principais serviços prestados, cita o presidente, estão a infraestrutura que dá suporte ao reconhecimento fácil da Arena Castelão, ao Sistema Policial Indicativo de Abordagem (Spia), à matrícula on-line dos alunos da rede estadual e ainda ao Ceará Conectado, que leva internet gratuita às praças das cidades do Estado.
Além de órgãos do Poder Executivo, Figueirêdo conta ainda de contratos com a Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público e a Defensoria Pública. Fora do território cearense, existem negócios com a Secretaria da Fazenda do Maranhão, secretarias estaduais da Paraíba, juntas comerciais e empresas de São Paulo e do Norte na prestação de armazenamento em nuvem, monitoramento de informações e desenvolvimento de aplicativos.
Renovação de pessoal e concursos
Para dar conta de toda essa atividade, a Etice conta com 250 profissionais, dos quais 150 são funcionários de carreira, concursados. Na reestruturação efetuada ao assumir o comando da empresa, Hugo Figueirêdo contou que precisou reorganizar a folha, pois alguns servidores estavam emprestados e o salário ainda constava na folha da Etice.
Corrigidas as questões ele projeta a necessidade de uma atualização dos quadros, mas não para 2026. Perguntado sobre a realização de concursos, o presidente descarta a promoção e diz estar focado na captação de mais negócios e no planejamento que isso exige.
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"A gente precisa ter um corpo bem qualificado e estimulado. Apesar de não ter concurso há um bom tempo, possuímos um pessoal bem qualificado, com muita experiência no negócio e que já 'rodou' praticamente em todos os órgãos do Estado. Então, são pessoas que conhecem muito bem nossos clientes e podem nos ajudar a atender as necessidades deles", destacou.
No planejamento, ele ressalta a parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o qual tem uma parceria com a Etice para o desembolso de R$ 30 milhões até 2027, em atividades diversas.
Estratégias para o Desenvolvimento da Tecnologia no Ceará | O POVO Tecnologia
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