EUA x Venezuela: entenda como ofensiva pode impactar a economia brasileira

EUA x Venezuela: entenda como ofensiva pode impactar a economia brasileira

Ataque à Venezuela gera risco de pressão inflacionária no Brasil, com impacto no fornecimento de fertilizantes e petróleo. Economia brasileira aguarda reação da bolsa e do câmbio a partir de segunda-feira, 5
Atualizado às Autor Carmen Pompeu Tipo Notícia

O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela gera incerteza sobre o impacto total na economia brasileira, cuja mensuração depende do desdobramento geopolítico. Economistas preveem impactos nas relações comerciais, especialmente risco de pressão inflacionária se houver interrupção no fornecimento de petróleo e fertilizantes importados, e se o preço do petróleo subir.

O economista Ricardo Eleutério Rocha diz que ainda é cedo para mensurar o impacto do ataque dos Estados Unidos contra Venezuela na economia brasileira. “De uma maneira geral, vai depender do que vai acontecer nos próximos momentos, nas próximas semanas: se vai haver um vácuo político na Venezuela, se os Estados Unidos ocupam; como o Brasil vai se posicionar politicamente diante desse episódio geopolítico", analisa.

Eleutério prevê alguns impactos nas relações comerciais de importação e exportação, uma vez que o Brasil importa fertilizantes e petróleo da Venezuela.

“Se o preço do petróleo subir e houver interrupção de fornecimento de produtos para o setor do agro brasileiro, nós vamos ter alguma pressão inflacionária", comenta o economista.

Ele pontua ainda que o mercado venezuelano é um destino das exportações brasileiras, que também deverão ser impactadas. Mas pondera que ainda não é possível cravar como será o desdobramento político dessa relação dos Estados Unidos com a Venezuela.

O Brasil importa principalmente adubos ou fertilizantes químicos (40,4%) e alumínio (30,7%) da Venezuela, e exporta açúcares e melaços (15,2%)

Mercado financeiro

A reação do mercado financeiro, envolvendo câmbio e bolsa, não pôde ser analisada imediatamente por ter ocorrido em um sábado. Segundo Eleutério, a reação do mercado financeiro deve acontecer com um pouco mais de clareza a partir de segunda-feira. “Essas variáveis de câmbio e bolsa são fundamentais para no que diz respeito aos impactos na economia brasileira, nas economias de uma maneira geral", explica.

“Assim como vieram venezuelanos atravessando a fronteira para o Brasil, no governo do Chávez e do Maduro, também poderão - dada a incerteza política, a mudança de quadro - acontecer novos impactos na fronteira com a Venezuela. Começa a ter crise humanitária e outros problemas", completa.

Em recente entrevista ao Conexão Record News, Rodrigo Simões, economista e professor da Faculdade do Comércio, explicou que as movimentações de Washington sobre o combustível fóssil venezuelano se dão por dois motivos: quebras de contratos sem as devidas indenizações a empresas americanas e a queda das reservas do país.

Na ocasião, Simões apontou que a movimentação, além de causar variações nos preços do produto, também interferem nos países da região, por se aumentar o risco de investimento em países emergentes.

Na análise de Márcio Coimbra, ex-diretor da Apex Brasil, CEO da Casa Política e colunista OP+, a captura de Nicolás Maduro pelas autoridades norte-americanas desencadeia uma reconfiguração sistêmica na geopolítica da América do Sul, encerrando o ciclo de influência do regime chavista na região.

“A ação dos Estados Unidos interrompe a continuidade de uma estrutura estatal que Washington e diversos organismos internacionais classificam como um foco de instabilidade institucional e criminalidade transnacional", diz Coimbra.

Para o Brasil, segundo o ex-diretor da Apex, a queda desse regime representa o fim de uma fonte crônica de tensão na fronteira norte. “E o desmonte de um eixo ideológico que priorizava a manutenção do poder autocrático em detrimento da estabilidade democrática continental, forçando uma transição para modelos de governança alinhados aos padrões das democracias liberais", comenta Coimbra.

No plano da política externa brasileira, pontua o especialista, o evento expõe o esgotamento da estratégia de "pragmatismo complacente" adotada pela gestão Lula, que buscou oferecer legitimidade diplomática a Caracas sob o pretexto de mediação.

“A remoção forçada de Maduro coloca o governo brasileiro em uma posição de isolamento estratégico, evidenciando o anacronismo de uma retórica que ignorou a erosão democrática venezuelana e os riscos à segurança regional", afirma Coimbra.

De acordo com ele, diante da nova realidade liderada pela intervenção americana, o Palácio do Planalto enfrenta a necessidade imediata de recalibrar seu posicionamento. “Para evitar a irrelevância nos processos de reconstrução da Venezuela, evidenciando que a tentativa de manter alianças com regimes autoritários fragilizou a credibilidade do Brasil perante o eixo de potências ocidentais", pontua.

Mais notícias de Economia

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags

Os cookies nos ajudam a administrar este site. Ao usar nosso site, você concorda com nosso uso de cookies. Política de privacidade

Aceitar