Motivos para afastamento do trabalho: dor na coluna lidera ranking; veja lista

Problemas na coluna e transtornos mentais estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, confira dados

13:29 | Fev. 08, 2025

Por: Danielle Christine
Problemas na coluna e transtornos mentais podem levar à concessão de auxílio-doença e benefícios por incapacidade; confira ranking (foto: Pexels / iStock)

Dados do Ministério da Previdência Social apontam que mais de 3,5 milhões de brasileiros receberam benefícios por incapacidade temporária em 2024. Entre as principais causas de afastamento, dores na coluna e hérnia de disco aparecem no topo do ranking, totalizando mais de 377 mil concessões.

A dorsalgia (termo médico para dor na coluna) foi responsável por 205,1 mil afastamentos, enquanto outros transtornos dos discos intervertebrais, incluindo a hérnia de disco, registraram 172,4 mil concessões do benefício. Em terceiro lugar, aparecem as fraturas na perna, com 147,6 mil afastamentos.

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Veja as dez principais causas de afastamento do trabalho em 2024

  1. Dorsalgia (dor na coluna): 205.142 afastamentos
  2. Transtornos dos discos intervertebrais: 172.452 afastamentos
  3. Fratura da perna (incluindo tornozelo): 147.665 afastamentos
  4. Transtornos ansiosos: 141.414 afastamentos
  5. Episódios depressivos: 113.604 afastamentos
  6. Lesões no ombro: 112.561 afastamentos
  7. Fratura do punho e da mão: 101.177 afastamentos
  8. Fratura do antebraço: 96.716 afastamentos
  9. Fratura do pé: 94.144 afastamentos
  10. Convalescença (recuperação de doenças ou cirurgias): 72.771 afastamentos

Transtornos mentais tiveram alta de 67% em um ano

Além dos problemas físicos, os transtornos mentais e comportamentais também foram responsáveis por um grande número de afastamentos. Em 2024, mais de 472,3 mil trabalhadores receberam o benefício do INSS devido a doenças psicológicas, um aumento de 67% em relação ao ano anterior.

Os principais diagnósticos que levaram ao afastamento foram:

  1. Transtornos ansiosos: 141.414 afastamentos
  2. Episódios depressivos: 113.604 afastamentos
  3. Transtorno depressivo recorrente: 52.627 afastamentos
  4. Transtorno afetivo bipolar: 51.314 afastamentos
  5. Transtornos relacionados ao uso de múltiplas drogas: 21.498 afastamentos
  6. Reações ao estresse grave e transtorno de adaptação: 20.873 afastamentos
  7. Transtornos mentais devido ao uso de álcool: 11.470 afastamentos
  8. Esquizofrenia: 14.778 afastamentos
  9. Transtornos devido ao uso de cocaína: 6.873 afastamentos
  10. Transtorno específico da personalidade: 5.982 afastamentos

O crescimento expressivo nos afastamentos por transtornos mentais reforça a importância do cuidado com a saúde emocional no ambiente de trabalho.

Quem tem direito ao afastamento do trabalho?

O benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), é concedido pelo INSS quando o trabalhador precisa se afastar do trabalho por mais de 15 dias devido a uma doença, segundo o advogado trabalhista João Felipe de Sá. Para isso, é necessário passar por uma perícia médica para comprovar a incapacidade.

Em casos de doenças ocupacionais, ou seja, relacionadas ao trabalho, a empresa deve emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), garantindo ao empregado o direito ao auxílio-acidentário e estabilidade de 12 meses após a alta médica.

Com o aumento dos afastamentos por problemas na coluna e transtornos mentais, especialistas reforçam a importância da prevenção, tanto com medidas ergonômicas quanto com apoio psicológico no ambiente de trabalho.

Quais problemas de coluna dão direito a benefícios do INSS?

Segundo levantamento do Ministério da Previdência, o transtorno de disco lombar foi a maior causa de afastamento do trabalho em 2024. No entanto, de acordo com o advogado, o simples diagnóstico da doença não garante a concessão do benefício. "O trabalhador precisa comprovar que está incapacitado para exercer suas funções", explica Felipe.

Entre os problemas de coluna que mais levam à solicitação de benefícios no INSS, destacam-se:

  • Hérnia de disco
  • Bico de papagaio
  • Discopatia degenerativa
  • Desvios de coluna (escoliose, cifose, lordose)
  • Espondiloartrose anquilosante
  • Doença ocupacional

A espondilite anquilosante, uma inflamação crônica na coluna, é considerada uma doença grave pela legislação. Quando ela resulta em incapacidade total e permanente para o trabalho, o segurado pode ter direito ao benefício sem a necessidade de cumprir o período mínimo de 12 meses de contribuição.

Além disso, o especialista também explica que os problemas na coluna podem ser classificados como doenças ocupacionais quando são desencadeados ou agravados pelo trabalho.

Nesse caso, o trabalhador pode ter direito a benefícios previdenciários mesmo sem cumprir requisitos exigidos para outras enfermidades.

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Quais são os benefícios do INSS para quem tem problemas na coluna?

O INSS pode conceder dois tipos de benefícios para trabalhadores incapacitados devido a dores nas costas:

  • Auxílio-doença (benefício por incapacidade temporária): concedido quando a incapacidade é temporária.
  • Aposentadoria por invalidez (benefício por incapacidade permanente): concedida quando a incapacidade é definitiva e impede o retorno ao trabalho.

Antes de solicitar qualquer um desses benefícios, o trabalhador deve passar por uma avaliação médica e apresentar documentação que comprove a incapacidade.

A recomendação é procurar um advogado especialista em previdência social para verificar a melhor estratégia na solicitação ao INSS.

Auxílio-acidente pode ser concedido?

O auxílio-acidente é um benefício indenizatório pago ao segurado que sofre uma redução permanente da capacidade de trabalho após um acidente ou devido a uma doença ocupacional, conforme explica Felipe.

Esse benefício pode ser concedido em casos como:

  • Um caminhoneiro que sofre um acidente de trânsito, passa por cirurgia na coluna e fica com sequelas.
  • Um trabalhador que desenvolve problemas na coluna devido ao ambiente de trabalho inadequado, como má postura e falta de ergonomia.

O auxílio-acidente é concedido apenas após o fim do auxílio-doença e pode ser acumulado com o salário, já que o segurado continua trabalhando.

Como comprovar incapacidade por problemas na coluna?

A comprovação da incapacidade para o trabalho ocorre por meio de perícia médica no INSS. O trabalhador deve apresentar documentos como:

  • Relatórios médicos detalhados
  • Laudos e atestados com diagnóstico e Classificação Internacional de Doenças (CID)
  • Exames de imagem
  • Registros de afastamento do trabalho
  • Comprovantes de tratamentos realizados (fisioterapia, medicação, entre outros)

Na perícia, é importante que o segurado informe todas as dificuldades diárias causadas pelo problema, como dores intensas, dificuldades para ficar sentado ou em pé por muito tempo, impacto na mobilidade e na qualidade do sono.

Atestmed pode substituir perícia presencial no INSS

Desde 2023, o INSS permite que o auxílio-doença seja concedido apenas com a apresentação de documentos médicos, sem necessidade de perícia presencial, por meio da plataforma Atestmed. Essa opção, no entanto, não se aplica à aposentadoria por invalidez, segundo o advogado.

Para solicitar o auxílio-doença pelo Atestmed, o segurado deve enviar atestado médico atualizado, contendo:

  • Nome completo e dados do trabalhador
  • Data de emissão do atestado (máximo de 90 dias antes da solicitação)
  • Diagnóstico por extenso ou código da CID
  • Assinatura do médico, com registro profissional
  • Data de início do afastamento e prazo estimado para recuperação

O benefício concedido pelo Atestmed tem duração máxima de 180 dias e não permite prorrogação automática, sendo necessário um novo pedido após 30 dias do término do anterior.

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