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Economia
NOTÍCIA

Aumento de área livre de praga favorece investimento estrangeiro no Ceará

Segundo estimativas da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a expansão deve gerar de imediato um aumento mínimo de 5% na produção de melão, melancia e abóbora no Estado

Alan Magno
17:37 | 19/05/2021
Armadilha com atrativo alimentar natural para monitorar presença da praga Anastrepha grandis, popularmente conhecida como
Armadilha com atrativo alimentar natural para monitorar presença da praga Anastrepha grandis, popularmente conhecida como "mosca das frutas" (Foto: Adagri)

O acréscimo de toda a área dos municípios de Fortim e Tabuleiro do Norte, bem como do distrito de Aruaru na região cearense considerada livre da praga "Anastrepha grandis", conhecida como mosca-das-cucurbitáceas sul-americana ou mosca das frutas, irá incentivar investimentos estrangeiros no Estado.

A expansão foi reconhecida por meio da portaria nº 305 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que também revalidou as cidades de Aracati, Jaguaruana, Icapuí, Itaiçaba, Limoeiro do Norte, Palhano, Quixeré e Russas como livres da praga.

O reconhecimento nacional e internacional entrará em vigor a partir de 1º de junho. Segundo estimativas do presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Luiz Barcelos, a expansão deve gerar de imediato um aumento mínimo de 5% na produção de curcubitáceas -  melão, melancia e abóbora - no Ceará. Ele acrescenta que muitos produtores já possuem fazendas na região e outros já estão se organizando para comprar terras e iniciar os investimentos na área.

"Já tem alguns espanhóis vindo aqui na região produzir melão, alguns já instalados. Já temos muita gente de olho sim, existe um potencial muito grande de crescimento de investimentos estrangeiros e também de brasileiros", complementa. Luiz destaca ainda que o potencial de produção pode aumentar fortemente a depender de obras de infraestrutura como a transposição do rio São Francisco e do aporte de recursos hídricos disponíveis.

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O pensamento é reforçado pelo secretário executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Silvio Carlos Ribeiro: “A expansão dessa área livre da praga irá gerar uma visibilidade internacional muito boa e haverá o fortalecimento dos negócios já existentes, claro, mas eu também espero e acredito que iremos receber novos investidores, principalmente empresas internacionais”.

Entre os mercados internacionais que os produtores cearenses estão tentando abranger estão Chile, Argentina, China e Estados Unidos. Outros dois países, sendo eles o Vietnã e Filipinas, já iniciaram as negociações com produtores do Estado para realizar exportações. “Países que estão abrindo o mercado agora exigem a certificação de ausência da praga e expandir nossa área com esse reconhecimento é a base para possibilitar a conquista desses mercados”, detalha Luiz Barcelos.

“O que queremos é fortalecer a economia cearense levando renda e emprego para o campo”, afirma Silvio. Ele destaca ainda que no primeiro semestre de 2021 houve um aumento de 26,5% no volume de exportação de frutas no Ceará com relação ao ano passado e que com a nova expansão a expectativa é que em 2022 o saldo positivo seja ainda maior. “A partir de junho iremos implementar ainda uma série de projetos de culturas não famosas, com foco em incentivar produções que não demandem tanta água e que sejam vendidas a um mercado mais específico e com grande lucro para produtores”, acrescenta.

O secretário frisa ainda que a expansão da área no Ceará, sendo a única existente na América Latina, foi fruto de uma grande articulação técnica entre entidades de fiscalização local e nacional, como a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) e o Mapa e com os países interessados.

Ao todo foram necessários dois anos para que a expansão fosse conquistada e reconhecida. O procedimento não usa agrotóxicos e utiliza a montagem de armadilhas com atrativos biológicos para moscas em todas as áreas que se tem interesse de constatar a ausência da praga.

“É um processo árduo, realizamos fiscalizações semanais para verificar as armadilhas em busca da presença da Anastrepha. Todos os dados são auditados frequentemente, temos que ficar monitorando e fiscalizando continuamente para manter a área livre da praga”, explica a diretora de prevenção da Adagri, Neiliane Borges.

Os incentivos para o setor e a expectativa de crescimento com as novas áreas livres da “Mosca da fruta” devem impactar positivamente a próxima grande safra no Estado. Em paralelo a isso, conforme detalha Neiliane, a busca por uma contínua expansão da área livre da praga está sendo implementada, “para atender novas demandas do setor produtivo”.

Ela destaca que o restante da área do município de Morada Nova e toda região de Alto Santo, São João do Jaguaribe e Ocara tiveram monitoramento solicitado por produtores, para que tais áreas possam futuramente também ser registrada como livre da praga.