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Economia
NOTÍCIA

Turistas gastaram em média R$ 2.735 no período do Réveillon em Fortaleza, revela pesquisa

Em caráter prévio, a pesquisa foi realizada com residentes e visitantes nacionais e internacionais de Fortaleza

12:23 | 16/01/2020
O principal motivo para turistas visitarem Fortaleza foram as atrações dos fogos de artifício, a música e a gratuidade
O principal motivo para turistas visitarem Fortaleza foram as atrações dos fogos de artifício, a música e a gratuidade (Foto: Julio Caesar)

Gasto médio do turista que visitou Fortaleza durante a primeira semana de janeiro foi de R$ 2.732, de acordo com a pesquisa Réveillon 2020 do Observatório do Turismo de Fortaleza. Esse gasto per capita está acima da expectativa e implica um impacto econômico de quase R$ 1,8 bilhão para a Cidade, superior ao valor estimado de R$ 1,6 bilhão. A pesquisa foi feita com uma amostra de 700 entrevistados, sendo 20% residentes de Fortaleza. Ainda em caráter prévio, os pesquisadores afirmam que os dados da pesquisa não devem se diferenciar tanto dos oficiais, a serem divulgados no fim do mês.

A coordenadora do Observatório do Turismo, Liana Rabelo, revela que a pesquisa foi feita durante a primeira semana de janeiro, abordando pessoas que participaram do Réveillon no aterro da Praia de Iracema. “Nosso foco estava nos turistas que passaram mais que um ou dois dias na Cidade; estávamos concentrados nos principais equipamentos turísticos da cidade, como o aeroporto e os hotéis”, explica Liana.

A pesquisa revela que, no último ano, Fortaleza passou a receber mais visitantes internacionais, e os residentes e turistas nacionais também vieram à Cidade com maior recorrência para o Réveillon. O principal motivo teria sido, para 58% dos turistas, a música e os fogos de artifício. Essas atrações representam incentivo para 52% dos residentes da Cidade. Entre os entrevistados, 92,7% dos turistas de Fortaleza afirmaram que o Réveillon na Praia de Iracema atendeu ou superou as suas expectativas.

As atrações foram consideradas boas ou ótimas para 91,84% dos entrevistados, incluindo turistas e residentes. A sensação de segurança durante o evento também foi percebida de maneira positiva, com 88,71% de avaliação a considerando boa ou ótima. Por fim, para 93,15% dos entrevistados, a Prefeitura de Fortaleza deve continuar promovendo o Réveillon no aterro da Praia de Iracema, e outros 98,43% indicariam o Réveillon da capital cearense para amigos e familiares.

Para o titular da Secretaria Municipal do Turismo de Fortaleza (Setfor), Alexandre Pereira, os índices positivos refletem anos de trabalho em busca de consolidar Fortaleza como uma cidade turística, bastante procurada para festas de fim de ano. "Fortaleza vem fazendo o dever de casa já há bastante tempo, no que se refere a políticas públicas de fortalecimento do turismo", afirma Alexandre. 

Segundo o secretário, três pilares foram essenciais para esses resultados. O primeiro deles é a aposta na infraestrutura da Cidade, que esteve mais preparada, conforme Alexandre, com aeroportos, hotéis, serviços como segurança e iluminação, melhorias na área de mobilidade - entre outros - para receber os visitantes.

O segundo e terceiros pilares conversam. Um deles é a promoção do destino, ou seja, tornar Fortaleza uma capital interessante para turistas nacionais, internacionais e visitantes no geral. Ele ainda destacou a importância de fazer com que a cidade seja um lugar confortável, principalmente, para seus habitantes. "O diferencial acaba sendo o lugar, por isso que a gente passou a investir muito na cidade. Não só na capacitação, mas tentando tornar Fortaleza uma cidade mais aprazível para nós fortalezenses". Com um impacto econômico de quase R$ 1,8 bilhão na capital, o turismo chega a movimentar quase 50 setores da economia, segundo Alexandre. 

A ideia é continuar realizando pesquisas do gênero durante todo o ano. Segundo Liana, outras datas ganharão os questionários, como Carnaval e Semana Santa. Elas serão realizadas a cada mês, até agosto. 

Perfil dos entrevistados no Réveillon 2020 de Fortaleza

De acordo com o levantamento, 93,3% dos visitantes que vieram a Fortaleza eram brasileiros, tendo o Sudeste como o principal público (34,23%), seguido do Nordeste (31,55%) e do Norte (84%). Do total de entrevistados, 55% eram homens, e a maioria (59,85%) tinha idade entre 27 e 50 anos e formação superior completa (48,14%). Os que tinham curso superior incompleto representavam 17,4%, e os que cursaram até o ensino médio, 24,86%.

A maior parte dos entrevistados também viajou acompanhada (84%). O principal meio de hospedagem dos turistas foram hotéis, com 59,01%, seguido de casas de parentes ou amigos (20,32%). Em relação ao meio de hospedagem utilizado, 74,65% classificou como ótimo. A gastronomia cearense agradou a 73,40% dos entrevistados, que a considerou ótima, e também a outros 24,29%, que a classificou como boa.

Para secretário de Turismo, transtorno das obras na Praia de Iracema não atrapalharam evento

Quando perguntado pelo O POVO se as obras de requalificação da Beira Mar, iniciadas em agosto de 2019, prejudicaram, de alguma forma, o Réveillon 2020, a resposta de Alexandre Pereira foi enfática: "De jeito nenhum. A gente pesquisou, eu até tinha essa curiosidade, mas não teve nenhum impacto negativo", afirmou.

No dia anterior à festa, na segunda-feira, 30 de dezembro, O POVO circulou pela orla e registrou muitas reclamações de turistas, frequentadores e comerciantes sobre os transtornos. Eles reclamavam não só da profundidade das águas do mar após engorda no espigão da avenida Rui Barbosa, mas também da queda no fluxo econômico. “Essa praia é do pessoal que nada, faz esporte, família na semana. Hoje, acabou isso. Estão com medo de nadar aqui. Depois que fizeram (a obra), umas três pessoas se afogaram. Semana passada, a maré jogou uma turista na areia e ela quebrou o pé”, relatou Luiz Façanha, um comerciante do local. 

Mesmo assim, ao serem perguntados sobre os transtornos das obras, Alexandre disse que os turistas pouco reclamaram. A pergunta não foi feita para residentes. "A gente imaginava, em relação ao turista, que ele fosse ser mais negativo em relação aos transtornos das obras. Esses transtornos, evidentemente, são reais. Mas, na pesquisa, não mostrou isso. Acho que o turista entende que aquilo é transitório. Acaba sendo uma insatisfação muito maior para o morador", explicou o secretário de Turismo.

Ele se mostrou positivo em relação aos resultados das obras, que devem ficar prontas até meio do ano. "Nós temos a Beira Mar mais bonita do Brasil, agora teremos a Beira Mar mais bonita do mundo. Vai ficar extraordinária. A gente acaba sendo mais intransigente do que os turistas. Sofre mais com as obras, reclama mais, mesmo sabendo que aquela obra quando ficar pronta vai ser boa para a cidade", concluiu. 

>> Turistas reclamam de transtornos com obras na Beira Mar em alta estação