PUBLICIDADE
Economia
Noticia

"O risco maior é a ansiedade", alerta especialista sobre a Black Friday

Com a aproximação do período de promoções, O POVO conversou com uma professora de Marketing que alerta sobre os riscos das promoções e dá dicas para quem vai fazer compras

11:43 | 05/11/2019
O dia, que neste ano será em 29 de novembro, tem promessas de promoção
O dia, que neste ano será em 29 de novembro, tem promessas de promoção (Foto: Gustavo Simão/O POVO.doc)

Avaliar a credibilidade da fonte vendedora. Essa é a primeira e principal dica que a professora de Marketing da Universidade Federal do Ceará (UFC), Cláudia Buhamra, dá para quem pretende comprar na Black Friday. O festival de descontos ocorre no próximo dia 29 de novembro, em uma sexta-feira (como sugere o nome em inglês). No dia, a expectativa é de que os preços de produtos do mercado, desde eletrônicos até bens de consumo pessoais, sejam menores.

“Se a marca do produto é de qualidade, é confiável. Se a loja onde a compra está sendo feita tem marca reconhecida no sentido de prestar atendimento ao consumidor especialmente após a compra”, continua Cláudia. Essa é a conhecida “hora da verdade”, como chama a professora.

É nessa hora que o cliente passa a conhecer a empresa: quando surgem os problemas. “Na hora da compra tudo é muito fácil, todo mundo quer vender, todo mundo tem o melhor produto, todo mundo tem a melhor oferta. É bom verificar a confiabilidade da marca do produto e a marca do varejo vendedor”, alerta.

O conselho não vale somente para o período da Black Friday. Os sentidos, entretanto, devem estar mais apurados nessa época, já que as compras se tornam mais fáceis, mais baratas. Não é tão incomum casos de arrependimento ou confusões. “O risco maior é a ansiedade. O cliente fica naquela ansiedade de não perder a oportunidade que pode comprar produtos dos quais não tem necessidade, não precisa”, conta Cláudia.

>> Você pode conferir a Cartilha dos Direitos do Consumidor aqui

Adiciona-se a isso, em alguns casos, a falta de condições para efetuar o pagamento. O cliente acaba, segundo a especialista, “se endividando desnecessariamente”. “Os riscos são muito grandes quando o consumidor, envolvido emocionalmente, com a ansiedade de aproveitar a oferta, acaba fazendo uma compra precipitada”.

Nesses casos, as dicas principais são: respirar, refletir e passear com calma pelas lojas. É preciso avaliar as marcas, os produtos, conversar com fontes de referências críveis, vasculhar a vida daquele fornecedor, fabricante ou varejista. “Hoje em dia você tem muitos sites, como o reclame aqui ou como as redes sociais onde tem exposta ali a opinião do cliente sobre a experiência de compra. Cercar-se de informação sobre a qualidade do produto e a natureza do varejo é fundamental”, completa Cláudia.

Os princípios de busca de informação que valem para o varejo físico, valem para o varejo virtual. Isso quer dizer que, nas compras em sites, é também importante verificar a confiabilidade daquela marca, já que não é possível ter contato com o produto comprado. “Você vai estar comprando uma promessa, porque você não tem garantia de que aquele produto terá as características especificadas no site. Ainda mais se tiver comprando coisas de uso pessoal”.

>> Mais informações sobre defesa do consumidor aqui

Para isto, a professora acentua mais dicas: “O que é importante? Assegurar-se das fontes onde estão sendo realizadas as compras. Isso inclui a marca do fabricante e a marca do site vendedor”. Também é importante garantir que haverá possibilidade de devolução do produto em caso de desconformidade com o que foi prometido ou, como fazem alguns sites, em caso de insatisfação do cliente.

Para Cláudia Buhamra, empresas não são, somente, repassadoras de produtos, mas também são produtoras de serviços. “A responsabilidade não acaba depois que o cliente compra o produto. Ali começa a responsabilidade. É preciso ter consciência dos serviços prestados pelo varejo”, reforça. A especialista bate na tecla da importância de investigar a vida do fornecedor e refletir sobre a necessidade daquela compra, especialmente na Black Friday.

“Se você estiver comprando um produto de baixo valor agregado, um produto barato, cuja compra não vai gerar muito arrependimento caso você se decepcione, tudo bem, você pode se dar ao desfrute de uma compra por impulso”, brinca a especialista. Entretanto, investir muito dinheiro na compra de bens caros, duráveis, que podem trazer problemas durante a vida útil, não é muito sábio.

Algumas lojas chegam a vender produtos pela “metade do dobro”, como alerta Cláudia, que também dá dicas para as empresas. “O consumidor não é mais bobo. Black friday enche caixa mas não fideliza cliente. Não se pode negligenciar a qualidade do serviço. Promoção é muito bom, mas passa. O que fica é a marca e a credibilidade que o cliente deposita em você”, finaliza.