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Economia
NOTÍCIA

IPC-S deve desacelerar de 0,17% para 0,10% em setembro, prevê FGV

22:57 | 09/09/2019
O comportamento dos alimentos e de energia devem provocar nova desaceleração no Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) de setembro, segundo o coordenador do índice na Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Picchetti. Em agosto, o indicador teve alta de 0,17%, de 0,31% em julho. Agora, Picchetti projeta taxa de 0,10% para o nono mês de 2019. Em setembro de 2018, a variação fora de 0,45%.
Em agosto, o Índice de Difusão caiu para 46,47%, de 59,71% em julho, o mais baixo desde o oitavo mês de 2017 (44,12%). Essa queda está diretamente relacionada, diz Picchetti, à deflação de Alimentação, que passou de alta de 0,35% em julho para recuo de 0,36% em agosto. Na terceira quadrissemana, o grupo cedeu 0,15%, enquanto a taxa do IPC-S foi de 0,22%.
Essa queda do grupo deve-se ao comportamento de frutas (2,25% da terceira quadrissemana para 0,36 na última medição), que aliviou o IPC-S em 0,02 ponto porcentual, e hortaliças e legumes (-8,07% para -10,75%), com impacto de baixa de 0,04 ponto. Os principais destaques dentro dos subgrupos indicam que o comportamento benigno deve continuar, completa Picchetti. Mamão (15,87% para 5,80%) já tem ponta negativa de 16%, enquanto tomate (-19,60% para -25,83%) tem ponta de -37%. "Alimentação deve continuar caindo nas próximas semanas", frisa Picchetti.
Em 12 meses, o grupo Alimentação também voltou a desacelerar, de 5,65% até julho para 5,21% no período finalizado em agosto. Aliás, Picchetti frisa que o único grupo que avançou em 12 meses foram os preços administrados (6,71% para 7,90%), por influência de energia elétrica.
Mas o economista pondera que o grupo deve voltar a arrefecer em setembro, uma vez que foi mantida a bandeira vermelha 1 na conta de luz, o que deve fazer com que o item diminua o ritmo de alta. Por outro lado, a gasolina (-0,40% para -0,32%) não deve ter força suficiente para contrabalançar esse movimento, avalia Picchetti, baseando-se na ponta estável do combustível.
O etanol subiu bastante da terceira para a quarta quadrissemana de agosto (1,44% para 3,16%), mas a ponta é de alta em torno de 3,0%, sugerindo que o combustível não deve encarecer muito mais.
Passagem aérea (-9,61% para -4,57%) também tem tendência de alta, com a ponta indicando aumento de 3,0%, assim como água e esgoto (0,72% para 1,05%), com ponta de 1,14%. "Esse itens contrabalançam a tendência geral de alimentos e se somam a combustíveis para fazer um contraponto ao restante do indicador que está tranquilo", diz. "O quadro inflacionário é muito tranquilo."
Apesar de o IPC-S ter subido de 3,87% para 3,97% entre julho e agosto em 12 meses, Picchetti destaca que a tendência não é essa, como mostra o núcleo do indicador. Na margem, o núcleo repetiu a taxa de 0,20% pelo terceiro mês seguido, mas em 12 meses arrefeceu de 3,73% para 3,61%. "Esse é um bom indicador de que esse aumento no IPC-S cheio não é uma tendência que vai continuar", reforça. A estimativa da FGV para o IPC-S de 2019 segue em 4,0%.