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Economia
NOTÍCIA

Redução do saldo de crédito foi puxada pela alta menor do crédito livre, diz BC

22:35 | 09/09/2019
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, disse nesta quarta-feira, 28, que a redução de 0,2% do estoque total de crédito em agosto decorre em parte da quase estabilidade nas operações para pessoas jurídicas com recursos livres e da queda nas operações pra empresas com crédito direcionado.
"O crescimento do crédito livre para empresas de 0,1% em julho veio abaixo do que vinha acontecendo devido a um efeito sazonal. Todo começo de trimestre há redução das operações de descontos de recebíveis e antecipação de faturas", explicou. "E no crédito direcionado continuou a trajetória de queda no saldo para as empresas", completou.
Rocha também destacou o crescimento de 5,1% no estoque total de crédito em 12 meses, puxado pelas operações com recursos livres.
Concessões dessazonalizadas
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central disse ainda que a concessões dessazonalizadas em julho cresceram 1,8% no crédito total, sendo uma alta de 2,0% no crédito livre e de 0,6% no crédito direcionado. "Claramente o crédito livre puxa esse crescimento, o que não é surpresa."
Para pessoas físicas, a alta dessazonalizada no crédito total em julho foi de 2,4%. Já para as pessoas jurídicas, a alta foi de 1,5%.
Considerando apenas o crédito livre, as concessões dessazonalizadas subiram 3,3% para famílias e 1,4% para empresas. No crédito direcionado, as concessões dessazonalizadas caíram 3,6% para pessoas físicas e subiram 6,9% para pessoas jurídicas.
Duplicadas e antecipação de faturas
O chefe do Departamento de Estatísticas do BC explicou novamente que as quedas de 7,8% nas operações de descontos de duplicatas e de 8,4% nas operações de antecipação de faturas em julho se deve a razões sazonais.
"As empresas têm alguma necessidade maior de caixa nos finais de trimestres e recorrem a essas linhas. Então, nos meses de começo de trimestres ocorre uma queda nos saldos dessas modalidades", afirmou.
Em 12 meses até julho, no entanto, o desconto de duplicatas tem alta de 29,8% e a antecipação de faturas sobe 20,6%. "Excluindo o fator sazonal, essas modalidades vão muito bem", completou.
Taxas de juros média
Rocha disse também que o aumento de 0,6 ponto porcentual na taxa de juros média total nos últimos 12 meses decorre do aumento da participação do crédito livre no estoque de crédito e a consequente redução do crédito direcionado. "As modalidade do crédito livre têm taxas mais altas, então esse movimento no juro médio se deve ao efeito composição do estoque e não a uma alta nas taxas cobradas", explicou.
Por outro lado, houve um aumento de 2,2 pontos porcentuais nos spreads do crédito livre em 12 meses. "Esse aumento é causado pela estabilidade da taxa de aplicação dos bancos (-0,1%) e pela redução de 2,3% da taxa de captação nesse período. O spread pode subir, mesmo com a taxa de juros estável", acrescentou.
Rocha apontou que a redução do custo de captação dos bancos se intensificou nos últimos dois meses, já que a curva de juros acompanha as expectativas em relação à política monetária. Em julho, a taxa de captação dos bancos ficou em 6,4%, ante 7,4% em maio. "Os bancos tiveram uma redução do custo de captação que não foi repassada (aos tomadores). A taxa de aplicação também caiu, mas não na mesma intensidade da taxa de captação", completou, lembrando que os spreads também são afetados por outros fatores, como inadimplência, custos administrativos, impostos e margens.
Rotativo
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central afirmou ainda que o aumento das taxas de juros no cartão de crédito rotativo regular foi concentrado nas chamadas financeiras. Já a redução dos juros no rotativo não regular ocorreu nos bancos.
O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito subiu 0,2 ponto porcentual de junho para julho, informou o Banco Central. Com isso, a taxa passou de 300,1% para 300,3% ao ano.
O juro do rotativo é uma das taxas mais elevadas entre as avaliadas pelo BC. Dentro desta rubrica, a taxa da modalidade rotativo regular passou de 277,2% para 283,7% ao ano de junho para julho. Neste caso, são consideradas as operações com cartão rotativo em que houve o pagamento mínimo da fatura.
Já a taxa de juros da modalidade rotativo não regular passou de 316,4% para 311,9% ao ano. O rotativo não regular inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado.
No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 175,6% para 175,2% ao ano.