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Empresas buscam popularizar setor com produtos de R$ 99

Na Eletrolar Show, marcas fazem lançamentos de produtos inteligentes com intento de atingir a classe média

23:01 | 29/07/2019
14ª edição da Eletrolar Show
14ª edição da Eletrolar Show(Foto: Divulgação)

As principais marcas do mercado de eletroeletrônicos no Brasil estão com lançamentos que buscam popularizar produtos para assistência pessoal no dia a dia. Puxado principalmente pelas televisões inteligentes, ideias envolvendo Internet das Coisas voltadas à mobília de casas é a tendência dos lançamentos da 14ª edição da Eletrolar Show, iniciada nesta segunda-feira, 29, em São Paulo.

A questão do preço é ponto importante na visão das marcas. A Semp TLC, por exemplo, já oferece a opção de controle com comando de voz desde a opção mais barata de TV LED em 32 polegadas. Kléber Carante, diretor de Vendas da marca, conta que a implantação do Google Assistente e Amazon Alexa permitem experiência de controle de diversos artigos da casa, como luminárias, cortinas, além das buscas no Google e até compras online pela TV através do Amazon. 

Tecnologia parecida é desenvolvida pela Positivo, que lançou o conceito de "Casa Inteligente" com linha de produtos que permite uma conexão disruptiva. O gerente desta área na empresa, José Ricardo Tobias, revela que o objetivo é popularizar a oferta entre a classe média, com oferta de produtos com preço inicial de R$ 99 por uma lâmpada conectiva ao Google Assistente. "Essa democratização já está acontecendo. Uma série de soluções em segurança, conectividade e conforto de forma simples", conta.

O vice-presidente de Negócios de Consumo da Positivo, Norberto Maraschin, acrescenta que a chegada das novidades da marca ao Ceará estão próximas, pois além das grandes redes de vendas nacionais, a empresa também negocia com os revendedores locais como Macavi e Solar Magazine, por exemplo. "Somos fortes no Nordeste pela razão de que realizados a informatização de muitas escolas, o que acabou criando um carinho do público".

Seguindo a mesma linha, a LG lançou a público a Nanocell TV LED. Com tecnologia Full Array Local Dimming, o produto promete melhor som e imagem, além de rápida navegação com o processador Alpha7 atualizado com a geração 2. A Deep Learnig, inteligência artificial da marca, e a LG ThinQ AL, uma assistente pessoal, contam com parceria com o Google.

O chefe de Desenvolvimento de Negócios do Google na América Latina, Alessandro Germano, afirma que a rede de parcerias da empresa somente tem aumentado no setor de eletroeletrônicos. O controle de voz Google Assistente teve versão em português lançada em fevereiro e mais de três mil produtos são compatíveis com a plataforma. "Ficamos felizes em começar uma nova fase em que o eletroeletrônico vai ter a capacidade de assistência pessoal de uma forma natural e simples para o público".

As novidades tecnológicas envolvendo as TVs vêm depois que o fechamento das vendas fechou em baixa no primeiro semestre de 2019 em comparação com igual período de 2018, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). As 6,4 milhões de unidades vendidas representam queda de 16% na comercialização.

O presidente da Eletros, Jorge Nascimento explica que a base de comparação foi bem alta, devido ao grande volume de vendas de televisores para a Copa do Mundo de 2018. O setor, ainda de acordo com o levantamento, faturou R$ 47,7 bilhões em 2018, equivalente a 3,3% do PIB industrial. Os artigos da Linha Branca, como fogões, lavadoras de roupa e geladeiras, teve alta de 13%, com 7,6 milhões de produtos vendidos. E a Linha Portátil cresceu 10% (29,3 milhões de unidades produzidas em 2019).

No Ceará, comenta que a questão logística é ponto a ser debatido, pois o preço do frente no Estado teve alta de 180% em alguns casos desde o ano passado, o que onera as empresas. Apesar da crítica, acredita que o Ceará teve sua capacidade de competitividade aumentada com as melhorias no Aeroporto de Fortaleza, com reforma e novas rotas, e a parceria entre o Porto do Pecém e o Porto de Roterdã.

Sobre as discussões de reforma tributária, o presidente da Eletros comenta que o setor acompanha de perto, mas observa como negativo o fim dos incentivos fiscais nos estados e o enfraquecimento da Zona Franca de Manaus, por exemplo. “O setor produtivo não pode ser somente aquele que vai receber as regras. Queremos ser atores pois entendemos que temos o principal: a geração de emprego e pagamento de imposto", completa.

Dados do setor

O setor de eletroeletrônicos gerou, em 2018, 150 mil empregos, segundo dados da Eletros. Para 2019, o presidente da associação, Jorge Nascimento, estima número parecido na geração de postos de trabalho. As 30 empresas que fazem parte da Eletros - incluindo três sediadas no Ceará: Esmaltec, Wap e Mallory - pagaram R$ 20 bilhões em impostos no ano passado, estimou o Nascimento.

Robótica 

O representante da Trezor e Padbot, Dilceu Júnior, comenta que a introdução da robótica no País tem grande potencial. Com robôs de entretenimento com tecnologia chinesa, ele comenta que trabalham em torno de aplicativos que permitem grande possibilidade de atuação. "Um médico nos procurou querendo um robô que realize um primeiro atendimento na sua clínica médica. Muitas pessoas estão curiosas para entender como podem servir e a aceitação é boa", revela.

A feira 

O CEO do Grupo Eletrolar, organizadora do evento, Carlos Clur, comenta que o evento deve trazer ainda mais novidades até o fim da feira, na quinta-feira, 1º de agosto. São esperados 26 mil participantes para observarem 10 mil produtos de 700 marcas no evento.

 *O jornalista viajou a convite da Eletrolar

Samuel Pimental (Enviado a São Paulo)