Dia de São Sebastião e Oxóssi: veja a história celebrada em 20 de janeiro

20 de janeiro celebra São Sebastião e Oxóssi. Entenda a história do santo e do orixá, o sincretismo religioso e as tradições desta data especial

05:32 | Jan. 20, 2026

Por: Luciana Cartaxo
No Brasil, o dia de 20 de janeiro marca o encontro entre o padroeiro do Rio de Janeiro e o Rei das Matas. Na foto, representação do orixá Oxóssi nas matas, segurando seu arco e flecha (ofá) e vestindo paramentos nas cores verde e azul (foto: AURÉLIO ALVES / O POVO)

20 de janeiro tem lugar especial no calendário religioso e cultural brasileiro: tanto é Dia de Oxóssi quanto é Dia de São Sebastião. A data celebra a memória do santo venerado na tradição católica e também a figura do orixá nas religiões de matriz africana como o candomblé e a umbanda.

Assim, reflete a rica confluência de tradições, simbolismos e celebrações que marcam a diversidade religiosa no Brasil.

Confira a seguir a história das personalidades religiosas e sua ligação.

 

A história de São Sebastião: o santo guerreiro e mártir

São Sebastião foi um soldado romano nascido em Narbona, no sul da França, no século III, que se tornou cristão e divulgou sua fé entre os companheiros do exército.

Por sua fé, foi condenado à morte e sofreu martírio, sendo atingido por flechas antes de ser executado de forma definitiva. Sua coragem e fidelidade à fé cristã tornaram sua história um símbolo de resiliência e devoção.

No catolicismo, São Sebastião é considerado padroeiro de várias causas e cidades, incluindo o Rio de Janeiro (oficialmente chamado São Sebastião do Rio de Janeiro), onde sua festa em 20 de janeiro é feriado e atração para milhares de fiéis.

A devoção ao santo também se espalhou por diferentes partes do mundo, e ele é tradicionalmente invocado como protetor contra pestes, guerras e outras adversidades.

Quem é Oxóssi na tradição afro-brasileira?

Oxóssi é uma das entidades centrais nas religiões de matriz africana, especialmente no candomblé e na umbanda. O orixá é conhecido como o senhor das matas, o rei da caça e protetor das florestas e da vida selvagem.

Sua imagem é a de um guerreiro que caçava com precisão, sendo frequentemente associado à fartura, ao sustento e ao conhecimento proporcionado pela observação da natureza.

Ele é comumente dito filho de Iemanjá e irmão de Ogum, tendo sido raptado por Ossain em alguns dos mitos e lendas das religiões afro-brasileiras, chamadas de Itãns.

De acordo com a história, o jovem foi levado para a floresta, onde aprendeu a utilizar ervas para cura e conexão com a natureza, tornando-se um grande caçador e conhecedor das forças naturais.

Oxóssi também é visto como chefe da falange dos caboclos, guias espirituais que trabalham em prol da cura, da proteção e do equilíbrio espiritual dos fiéis nas giras de umbanda.

 

Sincretismo: qual a relação entre São Sebastião e Oxóssi?

No Brasil, parte importante da cultura religiosa é marcada pelo sincretismo religioso, fenômeno em que santos católicos e divindades africanas foram associados como uma forma de resistência e preservação das tradições africanas durante o período colonial e escravocrata.

No caso de 20 de janeiro, a figura de São Sebastião é frequentemente sincretizada com Oxóssi, particularmente em estados como o Rio de Janeiro.

Isso ocorre porque ambos, santo e orixá, são associados à imagem do guerreiro e do protetor, Sebastião como mártir cristão e Oxóssi como caçador e guardião das matas.

Esse sincretismo é visível em celebrações que reúnem fiéis católicos e praticantes de religiões afro-brasileiras no mesmo dia, trocando oferendas, rezas e rituais que homenageiam tanto o santo quanto o orixá.

Como é celebrado o dia 20 de janeiro? Procissões, oferendas e giras

No catolicismo, 20 de janeiro é marcado por missas, procissões e homenagens ao padroeiro. No Rio de Janeiro, por exemplo, as celebrações envolvem grandes procissões que percorrem ruas da cidade, reunindo devotos para agradecer graças alcançadas e pedir proteção.

Nas tradições de umbanda e candomblé, o dia é lembrado com giras e oferendas a Oxóssi. Os rituais incluem cantos, tambores e a entrega de alimentos simbólicos, como milho e frutas, que representam a fartura e a ligação com a natureza.

A data é, assim, um momento de convergência entre diferentes formas de espiritualidade e fé, mostrando a riqueza da cultura brasileira e a forma como diferentes tradições se entrelaçam no imaginário popular.

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O simbolismo cultural e a resistência da fé

Mais do que uma data religiosa, 20 de janeiro tornou-se também um símbolo de pluralidade cultural e resistência das tradições afro-brasileiras.

O sincretismo entre São Sebastião e Oxóssi demonstra como comunidades mantiveram viva sua religiosidade diante de contextos históricos de opressão e exclusão, integrando elementos da fé cristã com suas próprias tradições ancestrais.

Celebrações modernas do dia refletem essa diversidade: enquanto muitos católicos participam de missas e procissões, praticantes de religiões afro-brasileiras realizam oferendas e cantos para Oxóssi, pedindo fartura, proteção e conexão com a natureza.