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Quatro PMs viram réus por chacina em Quiterianópolis

Além de três PMs já presos, MPCE representou contra outro militar. Crime pode ter sido vingança a roubo, mas investigações não demonstram envolvimento das vítimas

Lucas Barbosa
20:58 | 12/02/2021
As vítimas da chacina de Quiterianópolis  (Foto: via WhatsApp O POVO )
As vítimas da chacina de Quiterianópolis (Foto: via WhatsApp O POVO )

A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPCE) contra quatro policiais militares acusados de participação no assassinato de cinco pessoas em Quiterianópolis (Sertão dos Inhamuns), em 18 de outubro último. Conforme a decisão do colegiado de juízes da Comarca de Tauá, a denúncia preenche todos os requisitos necessários para o recebimento, “notadamente quanto aos sujeitos ativos, suas supostas condutas”.

O MPCE havia ofertado a denúncia na quinta-feira, 11. Foram acusados o cabo Francisco Fabrício Paiva, o soldado Dian Carlos Pontes Carvalho, o tenente Charles Jones Lemos Júnior e o sargento Cícero Araújo Veras. Os três primeiros já estavam presos temporariamente pelo crime, prisão convertida agora para preventiva, enquanto o quarto estava em liberdade e teve a prisão preventiva decretada no recebimento da denúncia. “O perigo gerado pelo estado de liberdade do investigado é visualizado na gravidade concreta dos delitos praticados, principalmente por estarem sendo imputados a agente de segurança pública, pela quantidade de vítimas fatais e meios utilizados na execução”, justificaram os juízes na decisão. O POVO procurou a Polícia Militar para saber se o mandado foi cumprido, mas não teve resposta até o fechamento desta matéria.

Conforme a denúncia, a investigação apurou que os executores do crime utilizaram um carro modelo Fiat Mobi, que foi visto em câmeras de vigilância em comboio com uma caminhonete Chevrolet Trailblazer, veículo pertencente ao Comando Tático Rural (Cotar). Escala de trabalho mostra que Charles Jones, Francisco Fabrício e Dian Carlos eram os ocupantes do veículo no dia do crime — eles eram do serviço reservado do Cotar. Outro indício que pesa contra os militares são munições apreendidas no local do crime, pertencentes a um lote da Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp). A Aesp informou que as munições foram usadas em cursos do Cotar, em que Charles Jones, Dian Carlos e Cícero foram instrutores. Outra prova apontada pelo MPCE é que a munição encontrada no local do crime é compatível com o fuzil que estava acautelado para o tenente Charles no dia do crime.

Com relação ao sargento Cícero Araújo, as provas levantadas apontam que ele passou o fim de semana com os demais acusados em um sítio da região. A apuração também mostrou que ele participou de diligências em busca de um homem investigado pelo assalto a um comércio, crime este que é uma das linhas de investigação levantadas para a motivação da chacina. "Em tal contexto de íntimo liame, suporte à ação dos demais delatados e conduta seguinte para embaraçar as apurações, natural a conclusão de que Cícero Araújo estava entre os homens que protagonizaram a brutal chacina”, afirma a denúncia.

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Pairava contra dois dos cinco mortos suspeitas de envolvimento no roubo. Entretanto, conforme a Polícia Civil, não foram verificados indícios de que José Renaique Rodrigues de Andrade e Irineu Simão do Nascimento estivessem nas proximidades do local onde ocorreu o assalto. Também não há provas, até o momento, de envolvimento do proprietário do estabelecimento na chacina.

O inquérito que apura o caso segue em andamento. As investigações mostram que, pelo menos, mais duas pessoas participaram do crime. Além de José Renaique e Irineu, foram mortos na ação: Antônio Leonardo Oliveira, Etivaldo Silva Gomes e Gionnar Coelho Loiola. Uma outra pessoa foi baleada, mas sobreviveu. O POVO tentou contato com as defesas dos acusados, mas não as localizou no fim da tarde desta sexta.