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Bebê encontrado em bueiro: homem teria sugerido aborto para manter credibilidade como líder religioso

Como era casado com outra mulher, ele não queria assumir a relação extraconjugal, nem a criança. O homem era líder religioso e afirmou que, diante da situação, precisaria prestar explicações à comunidade.
13:15 | Nov. 09, 2021
Autor Levi Aguiar
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Tipo Notícia

Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 9, a Polícia Civil informou que o líder religioso Antônio Cardoso Cunha, 36, motivou Jamile Rolim da Silva, 20, a realizar um aborto. Como Antônio era casado com outra mulher, ele não queria assumir a relação extraconjugal, nem a criança. O homem afirmou que precisaria prestar explicações à comunidade. Eles são suspeitos de matar e esconder o corpo do bebê recém-nascido.

O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Harley Filho, e o delegado 18º Distrito Policial de Caucaia, Regis Pimentel, informaram que a mulher estava com 8 meses de gestação quando tomou um abortivo. Ao invés de abortar, o medicamento acelerou o parto e acriança nasceu.

Os agentes disseram que quando ela teve a criança, Jamile resolveu sufocá-lo para causar a morte do recém-nascido. Sem alcançar o resultado desejado, ela desferiu golpes com um garfo contra a criança e o guardou em um móvel. O procedimento seguinte foi colocar a criança em um saco e entregar a Antônio, que deixou o bebê morto no bueiro.

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O caso começou a ser investigado quando Jamile procurou uma unidade hospitalar alegando ter sofrido um aborto espontâneo. Os profissionais de saúde perceberam que não se tratava de algo espontâneo, e sim um aborto com métodos de violência. Os delegados  disseram ainda que a vizinhança havia percebido a ausência do bebê e desconfiado da situação.

A comunidade ao redor do imóvel onde o homem morava resolveu se manifestar diante do ocorrido. Pessoas colocaram fogo do veículo dele, além de roubarem e depredarem a residência. A Polícia informa que essa situação também será investigada.

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A casa do líder religioso

 

O líder religioso morava em uma residência onde mantém uma igreja no térreo, uma residência dividida com a esposa no primeiro andar e, nos fundos, acolhe pessoas em vulnerabilidade. A mãe do bebê morto era uma dessas pessoas. Eles mantinham um relacionamento amoroso e, para que a esposa de Antônio não soubesse da traição, ele sugeriu o aborto. Ainda conforme a Polícia, ela teria ido no sábado, 6, à casa de um parente para tomar um abortivo.

A Polícia pretende investigar a influência que ele exercia sobre as pessoas ligadas à igreja. O intuito é saber se ele se aproveitou de outros fiéis. Além disso, o delegado de Caucaia informou que o líder religioso procurou a Polícia local, pois estava sob ameaças da comunidade, por causa da situação. Em depoimento, ele informou o lugar onde havia escondido a criança. Por fim, por causa de a igreja não possuir nenhum cadastro formal para atuar, o homem vai ser investigado também por charlatanismo.


*Com informações de Jéssica Sisnado 

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