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Coordenadora da ONG Mães pela Diversidade acredita que Keron sofreu crime de transfobia

Corpo da jovem foi encontrado com sinais de tortura. Em boletim sobre o caso, a SSPDS "descartou que o ato infracional tenha ocorrido em razão da orientação sexual da vítima"

22:43 | 12/01/2021
Manifestação reúne parentes e amigos de jovem assassinada em Camocim (Foto: Divulgação )
Manifestação reúne parentes e amigos de jovem assassinada em Camocim (Foto: Divulgação )

Sete dias após o assassinato de Keron Ravach, espancada até a morte na cidade de Camocim, familiares e amigos participaram de uma manifestação, na tarde dessa segunda-feira, 11. Na ocasião, a coordenadora da ONG Mães pela Diversidade no Ceará, Gioconda Aguiar, esteve presente, além de familiares e amigos.

Com a voz embargada, Gioconda comentou sobre o assassinato de Keron: "Essa menina era virgem, ela falou isso pro Ray Fontenelle, amigo dela. Arrancaram os olhos, cortaram a garganta e enfiaram suas roupas no anus e as pessoas inventaram que ela pagou para ter relações", conta com revolta enquanto contém o choro.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a investigação do caso de Keron foi remetida ao Poder Judiciário, “para tomar as medidas necessárias em relação à infração do qual o adolescente é suspeito”.

Além de sua atuação na ONG, Gioconda é corretora de imóveis e mãe de uma jovem trans de 22 anos. "Ficamos com o coração dilacerado quando vemos as próprias autoridades nomeando como crime de ódio. Não tratam como transfobia. Falam em tráfico, falam em prostituição, mas nunca sobre transfobia".

A ONG atua em 23 estados brasileiros e no Ceará há quatro anos. Segundo Gioconda, nem a delegacia nem a prefeita do município de Camocim receberam a ONG, apenas o secretário municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania conversou com as representantes.

Manifestantes marcham em frente a delegacia regional da policia civil de Camocim
Manifestantes marcham em frente a delegacia regional da policia civil de Camocim (Foto: Divulgação )

Para a coordenadora, é necessário uma empatia maior da população e do poder público com essas pautas. "A identidade de gênero foi uma pauta mal rotulada e explorada por um discurso de pessoas que não lembram que cada jovem trans que morre tem uma mãe, tem uma família sofrendo com aquela perda", lamenta a mãe enquanto confessa o medo que sente toda vez que sua filha sai de casa.

Articulações recentes

Representantes da ONG se reuniram com a primeira-dama, Natália Herculano, no último dia 8, quando foi sugerida por Natália uma participação mais atuante do município nessa pauta, a partir do melhoramento do Centro de Referência LGBT Janaína Dutra.