Passageiro morre após carro com placa coberta ser alvo de tiros

O caso envolveu um carro de passeio com a placa adulterada e uma viatura descaracterizada da Polícia Penal

19:22 | Fev. 14, 2026

Por: Jéssika Sisnando
Foto de apoio ilustrativo. Em depoimento, policial penal afirmou que, após a ultrapassagem, um dos ocupantes do banco traseiro do Onix teria apontando uma arma de fogo em sua direção (foto: Samuel Setubal)

Uma viagem de amigos para um show em Baturité, a 173 km de Fortaleza, terminou com um morto, um ferido e um preso preventivamente. O caso foi registrado por volta de 1h da manhã de sexta-feira, 13 de fevereiro, na rodovia CE-060.

Francisco Antônio de Sales Ferreira da Silva, ocupante do banco traseiro de um Onix branco, morreu após ser atingido por disparos de arma de fogo efetuados por um policial penal que trafegava na mesma via.

O motorista do veículo atingido é um personal trainer. Ele foi preso em flagrante e teve sua prisão convertida em preventiva pela Justiça neste sábado, 14, sob a acusação de adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

Segundo os autos do inquérito policial, o motorista do veículo Onix levava quatro amigos para a festa do cantor Zé Vaqueiro. Em depoimento, ele admitiu que cobriu a placa traseira do carro com uma camisa preta para evitar multas de fotossensores, pois estava com pressa.

O veículo ultrapassou um Fiat Argo branco, que era uma viatura descaracterizada da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), ocupada por um policial penal, que viajava com a namorada — também policial penal — e outros familiares para um velório.

Caso apresenta divergências entre os envolvidos

A versão do policial penal em depoimento à Polícia é de que, após a ultrapassagem, visualizou um dos ocupantes do banco traseiro do Onix apontando uma arma de fogo em sua direção.

Diante da "injusta agressão", o policial reagiu e efetuou cerca de cinco disparos contra o carro suspeito. Ele afirmou ainda que os ocupantes dispensaram objetos na via durante a fuga.

Já na versão dos ocupantes do Onix, os sobreviventes negam que estariam armados. Eles afirmam que apenas ouviram os disparos após a ultrapassagem e fugiram, parando mais adiante para retirar a camisa da placa, momento em que foram alvejados novamente. Eles alegam que a única irregularidade era a ocultação da placa.

Após os disparos, o veículo foi interceptado pela Polícia Militar, que foi acionada via Ciops. Francisco Antônio foi socorrido ao hospital de Aracoiaba, mas não resistiu. Outro passageiro foi ferido de raspão.

Nas buscas realizadas na região, a Polícia Militar encontrou um simulacro de pistola a cerca de 200 metros do local da abordagem. Nenhuma arma de fogo real foi encontrada dentro do carro do condutor.

Juiz decide pela prisão preventiva de personal trainer que conduzia carro 

Embora o motorista seja réu primário e tenha bons antecedentes, o juiz plantonista Welithon Alves de Mesquita decidiu pela prisão preventiva, citando a "garantia da ordem pública" e a "periculosidade concreta" da ação. O magistrado destacou a ousadia de trafegar com placa adulterada e o contexto de grave ameaça contra agentes da lei.

A decisão judicial considerou o histórico dos passageiros do veículo. A vítima, Francisco Antonio, possuía condenações anteriores por tráfico de drogas e porte ilegal de arma. Outro passageiro, Gabriel Lucas, responde a processos por tráfico e corrupção de menores.

O POVO não divulga o nome do personal trainer, pois ele não foi autuado por crime de grave ameaça. 

MPCE aponta falhas

Tanto o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), quanto o juiz do caso teceram duras críticas à condução inicial do inquérito pela delegacia plantonista.

O MPCE apontou que o inquérito foi "mal instruído", sugerindo que todos os ocupantes do veículo deveriam ter sido detidos para uma apuração mais aprofundada sobre a tentativa de homicídio contra os policiais, e não apenas o motorista pela adulteração da placa.

A Justiça aguarda agora laudos periciais de balística e residuográfico para determinar quem efetuou disparos e se o simulacro encontrado pertencia, de fato, ao grupo.