Açudes da RMF podem voltar a receber águas do Orós e Castanhão

Após pré-estação fraca, açudes da RMF podem voltar a receber águas do Orós e Castanhão

Volume atual dos açudes não é suficiente para atendimento humano e industrial; RMF não recorria a outros reservatórios desde 2019
Atualizado às Autor Kleber Carvalho Tipo Notícia

As consequências da segunda pior pré-estação chuvosa da história no Ceará já estão começando a serem sentidas no Estado. Depois de sete anos, a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) pode voltar a receber águas do Castanhão e do Orós, os dois maiores açudes da rede hídrica cearense.

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Comumente, as chuvas que caem entre dezembro e janeiro dão um leve "respiro" para a bacia hidrográfica da RMF, o suficiente para que a região se autoabasteça até o início da quadra chuvosa, onde o aporte é maior. 

O cenário de perda d'água desde a quadra chuvosa passada, que ficou aquém da normalidade para o Estado, junto à pré-estação abaixo da média, abriu espaço para que nesta quarta-feira, 5, fosse autorizada a transferência de água do Castanhão e do Orós para a RMF a partir do dia 23 de fevereiro, a fim de abastecer moradores e indústrias.

"Quase toda a água é para consumação humana. Mais que 95%. Ficando ali por volta de quase 2% para as indústrias do Complexo Portuário do Pecém. [o restante] A gente coloca em perdas e para algumas empresas que estão instaladas próximas a RMF. Pessoal ali do Maracanaú e outras empresas de agropecuária que estão no caminho também", explica o diretor de operações da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), Tércio Tavares.

Volume da bacia hidrográfica da Região Metropolitana no início de cada quadra chuvosa

A autorização, entretanto, não significa que essas águas realmente serão transferidas para a Capital. A decisão tomada por 160 representantes dos Comitês de Bacias Hidrográficas, órgãos técnicos e sociedade civil tem caráter preventivo, considerando que a região prossiga sem precipitações até a data.

Caso haja um bom volume de chuvas na Região até lá — ou seja, suficiente para gerar recarga nos açudes — a bacia volta a se autoabastecer e a transferência de água fica temporariamente suspensa.

A partir do dia 23 a situação será avaliada semanalmente por uma comissão de acompanhamento composta pelos presidentes dos comitês das bacias hidrográficas do Jaguaribe, Salgado e Banabuiú, para avaliar se a transferência é necessária ou não.

"Como os nossos reservatórios da RMF podem variar de uma forma muito rápida, porque são reservatórios pequenos, uma chuva torrencial na Região Metropolitana pode mudar esse cenário. Se não houver necessidade, a gente não faz a transferência, e se fizer, ela pode ser postergada a partir do momento que eu estou vendo que a bacia está pegando água", acrescenta Tavares.

Confira a rota da água de cada reservatório até Fortaleza

Caso a necessidade da transferência se concretize, as vazões liberadas são de 16 metros cúbicos por segundo (m³/s) para o Castanhão e oito m³/s para o Orós. Ambos seguirão percurso dos reservatórios para os açudes da RMF, em especial o Pacoti. 

Na prática, entretanto, o Castanhão deve liberar sete m³/s para o Rio Jaguaribe, onde a água segue fluxo até a estação de bombeamento Itaiçaba e é posteriormente conduzida para o açude Pacajus, na RMF.

Além desses, outros três m³/s serão transportados via eixão das águas direto para o Pacoti, que faz a distribuição para o Riachão e Gavião, todos esses na Bacia Metropolitana. 

Os seis m³/s que faltam serão advindos do Orós. Essa água sai do Orós para o Castanhão e é transferida também via eixão das águas, somando nove m³/s chegando à RMF via eixão das águas e sete m³/s pelo Rio Jaguaribe.

A vazão restante no Orós, de dois m³/s, será destinada para os municípios de Icó, Quixelô, Jaguaribe, Pereiro, Jaguaretama e a própria cidade de Orós.

As águas do Banabuiú, terceiro maior açude do Estado, ficarão reservadas para as localidade de Banabuiú, Jaguaretama, Solonópole e Milhã, cuja oferta de água será reforçada pelo projeto Malha d’Água.

A vazão será de de 900 L/s, sendo 150 L/s para captação direta no reservatório, 35 L/s para perenização do rio (30L/s para Cagece Ibicuitinga e 5L/s para Sisar da Barra do Sitiá), 15 L/s para Sistemas de Abastecimento Rural e 700L/s para demais usos.

Incerteza da quadra chuvosa preocupa Cogerh

Uma das principais preocupações da Cogerh para a próxima quadra chuvosa é a incerteza da quantidade de chuvas na Região Centro Sul. As situações das bacias nessa porção do Estado é alarmante, em especial na parte central, onde os Sertões de Crateús, Banabuiú e Médio Jaguaribe armazenando menos que 30% da capacidade total.

Segundo prognóstico da Funceme, essa também deve ser a região no Ceará com maior probabilidade de condições mais secas, ou seja, ausência de chuva e falta d'água nos reservatórios.

Segundo Tércio, a Companhia já estuda possíveis transferências de água vindas de açudes mais distantes e ativação de adutoras atualmente paradas, para pegar água de reservatórios em melhor condição.

De todo modo, a falta de chuvas pode resultar em uma exigência muito maior dos três grandes açudes no Estado, impedindo que eles tenham progressão de nível.

"No Orós, talvez até tenha [recarga] porque a depender da chuva nas cabeceiras do Alto Jaguaribe pode até conseguir concentrar bem no Orós. No Castanhão pouca chance. Ele precisa de uma chuva forte no sul do Estado para alimentar o Riacho Seco, para alimentar o Salgado chegando no Rio Jaguaribe e por fim chegar ao Castanhão", pontua Tércio.

Para socorrer esses reservatórios, o Governo do Estado já preparou o pedido de transferência de água do Projeto de Integração do rio São Francisco (Pisf), em vazão de dez m³/s pelo período de seis meses.

O pedido até o momento não foi respondido de forma oficial, mas informações de bastidores indicam que por questões operacionais o pedido não será atendido em totalidade, com liberação inicial de apenas dois m³/s.

"Vamos continuar concentrando esforços técnicos e utilizando também de articulação política, através do nosso Governo do Estado e da Secretaria [de Recursos Hídricos] para aumentar a interlocução com o Ministério da Integração na perspectiva de manter ou perder menos do que esses dez m³/s . Que seja ofertado o máximo possível para o nosso Estado para a gente garantir água de maneira plurianual", conclui o diretor de operações da Cogerh.

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