CE terá 1° comitê interinstitucional de proteção a comunidades quilombolas, ciganas e de terreiro
Política foi anunciada nesta terça-feira, 20, durante o II Encontro: Combate ao Racismo Religioso no Ceará, no bairro Bom Jardim, em Fortaleza
O Governo do Ceará está estruturando um comitê interinstitucional de proteção aos povos e comunidades tradicionais. Política, primeira do tipo no Estado, foi anunciada nesta terça-feira, 20, durante o II Encontro: Combate ao Racismo Religioso no Ceará, no bairro Bom Jardim, em Fortaleza.
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Denominada de Comitê Interinstitucional de Proteção às Comunidades Quilombolas, Ciganas e de Terreiro, iniciativa será composta por órgãos como a Secretaria da Igualdade Racial (Seir), a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o Ministério Público (MPCE) e a Defensoria Pública (DPCE).
Também participam instituições como o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Coepir/CE), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a União Espírita Cearense de Umbanda (Uecum), além de entidades do Candomblé e de povos ciganos.
Representantes de órgãos que vão compor a política estiveram reunidos hoje para falar sobre a criação dela. Próximo passo deve ser encaminhar um decreto para formalizar o comitê.
Conforme Zelma Madeira, titular da Seir, com a política o Estado passa a olhar de forma mais "direcionada" para as demandas desses grupos, permitindo formular ações contra a intolerância religiosa, por exemplo.
"A gente vai dar o reconhecimento e a necessidade de proteger esses territórios [...] Eles têm muitos saberes e conhecimentos que muitas [pessoas] desconhecem e em cima desse desconhecimento, de não querer saber, opera uma intolerância religiosa, opera o racismo religioso', explica.
Plataforma irá mapear povos de terreiros
No evento também foi lançada a plataforma “Encruzilhadas em Rede”, desenvolvida pela Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp/SSPDS), com o apoio da Seir, e que deve mapear/catalogar o número de terreiros no Estado, entendendo suas necessidades e as violências sofridas.
"Se a gente não sabe quantos (terreiros) têm, quantos são, quem são, como são as estruturas, como elaborar política pública?", pontua Juliana Barroso, titular da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), vinculada da SSPDS que está à frente da iniciativa.
Plataforma deve ser disponibilizada para uso nesta quarta-feira, 21, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, tanto no site da Supesp como no da Seir. Encontro contou com a participação de povos de terreiro, que foram instruídos a como se cadastrar no sistema.
Entre eles está Mãe Rosa de Xangô, da Casa Traçada de Rei Salomão e Mestra Paulina, terreiro de Umbanda que existe em Aracati desde a década de 1970. Ela lidera projetos de combate ao racismo religioso e afirma que novas políticas chegam como "suporte na luta contra a intolerância religiosa".
"Ser mulher, ser uma sacerdotisa dentro de uma casa, já é um preconceito muito grande. Geralmente é o patriarcado que comanda aí. Então eu vou quebrando muitos preconceitos", pontua.
Mãe Jeanne Ti Iemanjá, dirigente da Casa das Águas Cabocla Mariana, terreiro de Umbanda em Maracanáu, que também esteve no evento, conta que o espaço já foi alvo de preconceito.
"Chamaram a polícia pra gente na hora que a gente tava fazendo nosso culto. [...] Acho que essa plataforma ela vai impulsionar o combate ao racismo. Além de impulsionar, ela vai dar para nós que somos povos de terreiro, segurança", diz.
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