Mpox teve 6 casos confirmados no CE em 2023; aumento é pouco provável
Desde o ano passado, quando o vírus chegou ao Estado, 583 casos foram confirmados. Do total, 73% foram de moradores de Fortaleza
Pouco mais de um ano após a primeira confirmação de mpox no Ceará, o cenário da doença neste ano é de menos de um caso por mês. Dos 583 registros, apenas 6 foram em 2023. Embora o risco de um novo aumento de circulação persista, ele é considerado pouco provável, conforme a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Os dados são da plataforma IntegraSUS.
A semana epidemiológica 36 (entre 4 e 10 de setembro de 2022) foi o período com mais diagnósticos da doença — outrora conhecida como "monkeypox" ou "varíola dos macacos" — no Estado, com 76 pacientes confirmados com a infecção. Neste ano, foram registrados dois casos em janeiro e um caso em fevereiro, abril e maio, cada.
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Desde a introdução do vírus, 73% dos casos foram de pacientes moradores de Fortaleza. Em seguida, os municípios com mais números de confirmações foram Caucaia (23), Sobral (18), Maracanaú (17) e Itaitinga (13) — destes, apenas Sobral não é na Região Metropolitana de Fortaleza. Ao todo, 47 municípios tiveram pacientes com a infecção, distribuídos pelas cinco macrorregiões de saúde do Estado.
Em seis meses de 2022, o Estado chegou a registrar três novos casos por dia, em média. Os sintomas mais relatados pelas pessoas que foram infestadas com a mpox no Estado foram erupção cutânea (342), febre (285) e lesão genital perianal (216).
Conforme Ana Cabral, coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesa, "naquela época, por outros estados estarem reportando aumento de casos, a gente se preparou e pensou que poderia tomar outra dimensão".
Segundo ela, a maioria dos registros se concentrou em torno de junho, julho e agosto de 2022. "Depois, a gente teve uma redução de casos gradativamente. Não só no Ceará, em outros estados também", aponta.
Ana Cabral lembra que grande parte da população é suscetível, ou seja, não tem imunidade contra o vírus. Por isso, se ele voltar a circular, pode haver aumento de casos. Contudo, é pouco provável de que o cenário atinja a mesma intensidade do ano passado, na avaliação da coordenadora.
A epidemiologista Thereza Magalhães, pós-doutora em Saúde Pública e docente no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará (Uece), analisa que a doença "teve impacto dentro ou superior ao esperado", pois, no Nordeste, o Ceará se destacou em número de casos.
"Isso pode ser decorrente também de termos uma grande circulação de pessoas no Estado, além de termos ficado atentos à notificação, pois o Ceará tem uma área de saúde e, especificamente, de vigilância em saúde bastante atuante", afirma.
Segundo a professora, "a vacina anti-varíola parece oferecer proteção e sua falta explica boa parte dos casos em população abaixo de 40 anos, sendo em sua maior parte não vacinados com anti-varíola". A maior parcela de casos se concentrou em homens de 20 a 39 anos — com 394 casos.
A transmissão acontece pelo contato próximo com uma pessoa infectada, como com as lesões causadas pela doença, além do contato com objetos, tecidos (roupas, roupas de cama ou toalhas) e superfícies utilizadas pelo infectado.
Ana Cabral alerta que as pessoas com sintomatologia devem procurar unidade de saúde o mais breve possível para avaliação do caso. Os sintomas normalmente são febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, dor nas costas, fraqueza, gânglios linfáticos inchados e erupção ou lesões cutâneas.
No dia 11 de abril, Estado iniciou a imunização de pessoas elegíveis para o imunizante contra a mpox. Segundo o Ministério da Saúde (MS), entre o público elegível para a vacinação, estão "pessoas que vivem com HIV/aids com status imunológico identificado pela contagem de linfócitos T CD4 inferior a 500 células nos últimos seis meses e profissionais que atuam diretamente em contato com o vírus em laboratórios (pré-exposição)".
Além desses grupos, também está prevista a vacinação para pessoas que tiveram contato direto com os fluidos e secreções corporais de casos suspeitos ou confirmados para a doença (pós-exposição).