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Praia do Futuro tem movimentação intensa neste domingo; frequentadores se dizem seguros com vacina

O POVO esteve no local e falou com frequentadores, que relataram sentir segurança por conta da vacinação contra a Covid-19
17:33 | Set. 12, 2021
Autor Gabriela Almeida
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Gabriela Almeida Repórter O POVO
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Pessoas sem máscaras e provocando uma movimentação intensa em barracas e na faixa de areia. Esse foi o cenário visto por quem passou na Praia do Futuro, em Fortaleza, na manhã deste domingo, 12. O POVO esteve no local e falou com frequentadores, que relataram sentir segurança por conta do avanço da vacinação contra a Covid-19. Contudo, medidas sanitárias ainda são necessárias e determinadas em decreto estadual.

Entre as pessoas que aproveitavam o dia de sol na praia está Alberico Pereira, 27 anos. O fortalezense preferiu ficar no espaço mais aberto do local por achar que nas barracas correria mais risco de contrair a doença pandêmica. "Não me sinto tão seguro, é que pelo menos já chegou a vacina, já deu uma acalmada", justificou o jovem, que já se vacinou com a primeira dose (D1) do imunizante.

Para evitar a contaminação pelo vírus em seus espaços, as barracas de praia precisam cumprir medidas sanitárias determinadas por decreto estadual. Em documento atual, equipamentos desse porte no Estado podem funcionar das 8 horas à meia-noite, com limite máximo de 50% da capacidade. É necessário ainda o uso de utensílios como máscaras e a disponibilização de álcool gel.

O decreto também permite a ocupação de somente seis pessoas por cada mesa. No entanto, O POVO observou que algumas barracas descumpriam esse quantitativo. Também foi analisado que clientes não utilizavam máscara e que só garçons faziam uso da proteção no rosto. Em determinados equipamentos desse tipo a disponibilização de álcool gel ainda pareceu não ter acesso facilitado.

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Para a frequentadora Daiane, contudo, a barraca de praia em que estava a fez se sentir segura devido ao uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) por parte de garçons e demais medidas sanitárias adotadas. A turista de 35 anos mora do Rio Grande do Sul e está no litoral cearense a convite de amigos. 

Além da segurança em que sentiu na barraca e no hotel onde está hospedada, Daiane também contou que já se vacinou com a D1 e que isso a faz estar mais segura em viajar e sair para locais desse porte. "Por enquanto, além das medidas protetiva, de EPIs, álcool gel, a vacina é o que vai nos salvar a vida, é a nossa esperança", frisou a gaúcha.

Mesmo com o andamento do processo de vacinação contra a doença e a queda nos índices pandêmicos, especialistas apontam que ainda é necessário utilizar máscara e EPIs para diminuir a circulação do vírus. Isso porque vacinas não têm 100% de proteção e pessoas podem se infectar novamente. Além disso, existem indivíduos assintomáticos - que podem transmitir a doença sem saber.

Setor espera diminuição das restrições 

Para Taiene Righetto, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), o retorno das pessoas às barracas de praia não está ainda melhor por conta das restrições ainda em vigor, como a limitação de seis pessoas por mesa e capacidade máxima de 50% nos estabelecimentos.

“Fortaleza é uma cidade turística e muitos desses turistas, por virem de locais onde as restrições são menores que as do Ceará, acabam não entendendo as regras, achando que isso é uma imposição do restaurante”, pontua.

A perspectiva do setor é que, nos próximos decretos, essas restrições diminuam ainda mais e contribuam para a volta do atendimento normal das barracas. “Temos tido um bom diálogo com o Governo do Estado e percebido empenho e vontade que as coisas voltem ao normal”, explica.

Righetto ainda afirma que a principal reivindicação do setor de barracas de praia é a permissão de pelo menos oito pessoas por mesa, além da ampliação do horário de funcionamento e o aumento da capacidade de público, hoje em 50%. Para as festas de fim de ano, a palavra de ordem do setor é "cautela".

"O réveillon ainda é uma incógnita. Todo mundo está se preparando, mas com o pé atrás, porque não sabemos como estará o cenário. Acreditamos que nesse ano poderemos realizar alguns eventos, mas ainda não sabemos como vai ser. Ainda estamos desenhando forma de acontecer, mas todos estão muito cautelosos, com receio de investirmos demais e precisarmos parar no meio do caminho", finaliza.

Confira imagens da movimentação:

 

Texto escrito em colaboração com o repórter Carlos Viana/ Com informações da repórter Fernanda Barros 

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EUA: senador democrata descarta aprovação do pacote de infraestrutura até dia 27

INTERNACIONAL
17:22 | Set. 12, 2021
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O senador democrata dos Estados Unidos Joe Manchin afirmou, durante entrevista à CNN neste domingo, 12, que "não há como" o Congresso americano aprovar o pacote de US$ 3,5 trilhões em investimentos em infraestrutura até o dia 27 deste mês, prazo estabelecido pela presidente da Câmara dos Representante, a também democrata Nancy Pelosi.
"Não há como fazermos isso até o dia 27. Ainda temos tantas diferenças, não faz sentido algum", afirmou Manchin. A pauta deve ser apreciada pelo Senado americano antes de passar para a Câmara, onde há maioria democrata para a sua aprovação.
Manchin é um dos democratas considerados moderados e críticos de alguns pontos do pacote de infraestrutura, a começar pelo montante total de US$ 3,5 trilhões, o qual ele afirma que pode acelerar a inflação nos EUA e sufocar a economia americana de estímulos. "O pacote não terá meu voto favorável com US$ 3,5 trilhões, e Chuck Schumer, líder democrata no Senado sabe disso", afirmou Manchin.
O senador também demonstrou preocupação com as mudanças propostas ao sistema tributário do país, ao afirmar que o aumento da alíquota corporativa global de 21% para 28% pode deixar os EUA pouco competitivos no cenário internacional.

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'Transformação digital é mudança de cultura', diz CEO da XP

ECONOMIA
17:10 | Set. 12, 2021
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Thiago Maffra assumiu o comando da XP em maio, após dirigir a área de tecnologia por dois anos e nove meses e comandar a transformação digital da empresa. Para o executivo, a maioria das companhias tem desperdiçado o potencial de suas equipes de tecnologia ao realizar uma transformação incompleta e deixar de lado a parte mais difícil: a mudança de cultura.
Maffra também destaca que o perfil dos diretores de tecnologia mudou e, para os profissionais da área que sonham com a cadeira de CEO, manda um recado: "Comece a aprender de produto e do negócio, porque vai ser necessário inclusive para ser CTO."
• Quando o sr. assumiu, o Guilherme Benchimol (antigo CEO) falou que um dos motivos para a mudança era que a empresa queria usar a tecnologia na maior intensidade possível para servir o cliente. É essa necessidade de ter a tecnologia como algo central e sua experiência como CTO que o transformaram em CEO? Há outros elementos?
A XP não nasceu digital. A gente via a necessidade de transformá-la em uma empresa digital, dada toda a mudança no mundo, e o Guilherme me convidou para liderar essa transformação (como CTO). Tínhamos 200 pessoas na época em tecnologia. Hoje temos mais de 2 mil pessoas (de um total de 5 mil) e nos consideramos uma empresa digital. Mas a gente acha que dá para ir mais longe. Esse é um dos motivos para eu estar nesse cargo. A agenda de digitalização é o que vai nos levar a outro patamar. Por uns 18 anos, a empresa foi focada em investimentos. De um ano e meio para cá, começamos a expandir a oferta de produtos. Estamos entrando em banking, crédito, seguro e no mundo da pessoa jurídica. Como vamos fazer isso? Vamos avançar tendo um modelo de servir diferente, alavancando nossas capacidades digitais e nossa plataforma tecnológica. Com isso, saímos de um público-alvo de 15 milhões de pessoas que têm poupança e investimento e vamos para um público de 60 milhões de pessoas.
• O que falta fazer na transformação digital?
O primeiro passo de uma transformação digital é a empresa ter centralidade no cliente. Todas as empresas dizem que têm isso, mas na prática são poucas. Muitas são conduzidas por produto ou por receita. Quando você pega empresas financeiras, elas saem do financeiro, não dos clientes. A gente sai da necessidade dos clientes para depois ir para o financeiro. Mudamos o processo de orçamento. Também descentralizamos a empresa e adotamos uma liderança mais por contexto. Aí tem toda uma reorganização em business unit (unidades de negócios que reúnem várias equipes multidisciplinares pequenas e dão maior eficiência operacional). Uma parte disso ainda está faltando. Devemos terminar até o meio do ano que vem.
• Que habilidades têm um CTO que o fazem ser um CEO adequado para as necessidades atuais das empresas?
Alguns anos atrás, as empresas viam a tecnologia como uma área mais técnica. É um problema quando a empresa tem uma área de tecnologia que está ali para servir o negócio. As empresas têm de entender que a tecnologia é parte central do negócio, um diferencial competitivo. Aí a tecnologia passa a existir para atender o cliente. Quando olho o perfil de pessoas de tecnologia, acho que elas têm de ser menos especialistas e mais integradas ao negócio. As pessoas perguntam: isso é a área de tecnologia ou de produto? Eu não enxergo isso mais aqui. Não tem tanto essa diferença. Óbvio que cada um tem sua especialidade e responsabilidade, mas o cara de engenharia tem de entender o negócio, o produto, as necessidades do cliente. Ele tem de estar na mesa na hora que você está desenhando um produto. Ele olha sob uma ótica diferente e contribui para criar um produto melhor, que atende as necessidades do cliente.
• Mas o sr. acha que empresas, em geral, deixaram de ver a área de tecnologia como um departamento de custo operacional?
Não. A maioria das empresas está fazendo só uma parte da transformação, que é reorganizar algumas partes das empresas (em equipes multidisciplinares para ter mais agilidade). Isso é ótimo, melhor que o modelo antigo, mas você aproveitou 30% do poder do seu time de tecnologia. Transformação é uma mudança de mentalidade e de cultura. É óbvio que há empresas que têm de fazer ajustes tecnológicos, mas isso é a parte mais fácil. Isso depende de tempo, investimento e um bom plano. A parte difícil é a mudança cultural e de mentalidade. Tem muito jogo de ego. As pessoas estão mais ocupadas com onde vão ficar, qual vai ser seu papel na transformação. Aí a transformação não acontece. Quando você pega empresas como a nossa, digitais, a gente lidera por contexto. Não é uma estrutura hierárquica. As pessoas têm autonomia. As que estão direto com o cliente têm mais informação do que eu para a tomada de decisão. Essa mudança é difícil para algumas pessoas. Se não tiver uma liderança muito alinhada com a transformação, ela não acontece.
• O sr. falou o que o CTO tem de ter para ser um CEO, mas o que ele já tem que o ajuda no cargo?
Pega o exemplo da indústria financeira. Tenta trocar a senha do teu cartão em um bancão. Você precisa ir no caixa eletrônico. Se você pegar nosso cartão, você muda pelo aplicativo. Olha como o modelo do bancão foi desenhado para ser feito pessoalmente. Isso não funciona mais no mundo de hoje. Você precisa resolver os problemas através da tecnologia. Onde essa pessoa digital ajuda? Tudo depende de tecnologia, de um modelo diferente de atuar, de construir um produto, de atender, de servir o cliente. As pessoas que vêm da tecnologia têm isso quase que naturalmente. Para o cara que é nativo digital, é óbvio que tem de servir o cliente de todos os jeitos dentro do aplicativo. Isso não é óbvio para a pessoa que veio de 20 anos servindo do jeito offline.
• Quando vira CEO, o CTO consegue dar mais velocidade ao negócio até para gerar receita?
Com certeza. Esses profissionais conseguem dar uma agilidade tremenda no lançamento de produtos. Sua vantagem competitiva de longo prazo é sua capacidade de se reinventar, de ser disruptivo e de inovar. É fato que o seu negócio vai ter de ser reinventado, tanto faz a linha de negócios. Então, se você não tiver uma capacidade de reagir muito rápido, seu negócio vai ficar para trás. Esse profissional traz isso. Ele dá essas ferramentas para a empresa criar novas coisas muito rápido e com um custo baixo.
• Apesar de ter sido CTO, o sr. não é um profissional que sempre foi da área de tecnologia. Acha que profissionais que fizeram toda a carreira na tecnologia também devem começar a aparecer em cargos de presidência?
Vamos ver cada vez mais pessoas vindo da cadeira de tecnologia para uma de CEO, só que o perfil do CTO mudou. Se você pensar no CTO de dez anos atrás, aquele cara que é só técnico, eu acho mais difícil ele se tornar CEO. Você precisa entender de liderança, gestão e negócio. Vejo vários CTOs preparados para assumir a cadeira de CEO no Brasil. Agora, o cara que só entende da área técnica, para ele, a dica é: "comece a aprender de produto e do negócio, porque vai ser necessário inclusive para ser CTO".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Diretores de tecnologia passam a ser considerados para cargos de CEO

ECONOMIA
17:10 | Set. 12, 2021
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O anúncio feito pela XP em março, de que o comando da empresa passaria das mãos do fundador Guilherme Benchimol para o então CTO (sigla em inglês para diretor de tecnologia), Thiago Maffra, surpreendeu muita gente. Foi a primeira vez que se viu no Brasil uma instituição financeira ser liderada por um profissional vindo dessa área. Mas o movimento não é exatamente uma novidade no mundo corporativo. Casos de diretores de tecnologia ou da área digital avançarem para a principal cadeira de companhias já apareciam no exterior, sobretudo em empresas de tecnologia. Agora, começam a surgir no Brasil.
Na Inglaterra, a Openreach, do setor de telecomunicações, é comandada desde 2016 por Clive Selley, que foi diretor de tecnologia da informação do Grupo BT (conglomerado do qual a Openreach faz parte), e, na Indonésia, a companhia aérea Garuda é liderada, desde 2020, por Irfan Setiaputra, um expert em tecnologia que já havia passado pela presidência de uma empresa de tecnologia das coisas. Por aqui, além da XP, Flores Online, Original Hub, FiBrasil, Liberty Seguros e Neoenergia Distribuição Brasília estão entre as que fizeram movimentos semelhantes.
Para Norton Lara, sócio da consultoria Spencer Stuart - especializada no recrutamento de executivos -, esse movimento no mercado está longe de significar que CTOs são agora os preferidos para o cargo de CEO. Eles apenas passaram a ser considerados para posições mais altas na hierarquia, o que não costumava ocorrer. "Eles passaram a ser vistos como profissionais que podem ocupar vagas muito seniores. Antes, sequer eram considerados."
Essa mudança ocorre com o aumento da importância da área de tecnologia nas empresas, que se tornou central. Conforme isso foi ocorrendo, os CTOs tiveram também de assumir novas responsabilidades e ganharam visibilidade internamente. "Antigamente, esse profissional era meio escondido. A tecnologia era uma área de apoio, muito técnica. Isso mudou tremendamente. Por isso, esse caminho (da tecnologia para a presidência) vai se tornar mais comum", afirma Antonio Mendonça, sócio da consultoria Korn Ferry.
Os consultores destacam que o executivo que chega hoje ao cargo de CTO já é alguém com perfil de líder, que entende de gestão, estratégia, produto e cultura organizacional - daí a possibilidade de virar CEO. Como esse funcionário também precisa desenvolver projetos que envolvem a empresa inteira, ele costuma ser alguém que navega por toda a organização, sabe lidar com orçamentos, negociar prazos, fazer com que metas sejam alcançadas e que haja colaboração entre os trabalhadores, o que o ajuda se, eventualmente, chegar à cadeira da presidência.
Perfil do diretor de tecnologia não é mais apenas técnico
O perfil do CEO do e-commerce Flores Online, Lucas Buffo, é um exemplo prático do que os consultores de recursos humanos descrevem como profissional de tecnologia com potencial para chegar ao comando de uma empresa. Como CTO da companhia, Buffo transitou por diferentes áreas e comandou equipes. Antes de chegar ao cargo, aprendeu a estabelecer estratégias e, no início da vida profissional, empenhou-se em estudar finanças.
Formado em Ciências da Computação, ele começou a carreira no Bradesco como escriturário e chegou a gerente de conta jurídica. Em seguida, foi para um e-commerce de flores como analista de sistemas. Criou um sistema de gestão para pedidos da companhia e trabalhou para aumentar a taxa de conversão, ou seja, fazer com que os clientes que acessavam o site comprassem. Conforme viu que a tecnologia poderia ajudar em outros setores, como o financeiro, foi desenvolvendo projetos em conjunto com outras áreas.
"O diretor de tecnologia transita por toda a empresa para fazer da tecnologia uma ferramenta que causa impacto positivo para todos. Tem de entender de todos os processos para conseguir elaborar soluções para os problemas, para ser mais produtivo e menos custoso. Isso faz com que ele tenha uma visão global da companhia", Buffo.
Por outro lado, ele destaca que algumas habilidades inerentes ao CTO também ajudam o CEO: o raciocínio lógico e o interesse por novidades. "Um bom CEO cria uma base de pessoas confiáveis que faz a empresa fluir bem no dia a dia. Isso lhe dá tempo para olhar para fora, entender as tendências de mercado e ver onde as novidades podem se encaixar para melhorar os processos e direcionar o rumo da empresa. Essa abertura para o novo é algo latente do profissional de tecnologia."
Norton Lara, da consultoria Spencer Stuart, concorda que executivos "antenados" e abertos às novidades têm se destacado. "Essas pessoas estão ganhando espaço nas empresas, mas não necessariamente por serem CTOs, e sim por terem visão da tecnologia como ferramenta transformadora", pondera.
Esse profissional que enxerga as possibilidades da tecnologia, acrescenta Lara, pode ser alguém que tenha feito carreira em outras áreas, como comercial ou financeira, e acabe chegando à posição de CTO ou de CDO (diretor de digital) por sua capacidade de transformar a empresa a partir da tecnologia.
É o caso do novo presidente da XP. Apesar de ter liderado a transformação digital da companhia, Thiago Maffra é formado em Administração e desenvolveu a maior parte de sua carreira no mercado financeiro. O executivo, porém, trabalhou na construção de "robôs" que, baseados em parâmetros, tomam decisões de investimentos. Por oito anos, viveu cercado de matemáticos e desenvolvedores que o ajudaram a compreender as possibilidades tecnológicas.
Assim como na XP, profissionais de outras companhias, provenientes de diferentes áreas, têm trilhado o caminho de CTO para CEO. Para Antonio Mendonça, da consultoria Korn Ferry, isso ocorre justamente porque a cadeira do CTO se "alargou" e agora o profissional precisa ter outras habilidades. "Em termos de visibilidade, nunca foi tão bom o cargo de CTO. Mas tudo depende do perfil da pessoa, de conseguir continuar crescendo e ser considerada alguém com potencial para CEO."
Visão ampliada
CEO do Original Hub (empresa de tecnologia do Banco Original), Alexandre Conceição destaca a necessidade de o CTO ampliar sua visão do negócio, e não focar só na área técnica. Formado em Processamento de Dados, ele fez MBA em finanças e negócios e, por quase 20 anos, liderou equipes na área de tecnologia no Banco do Brasil. Antes de se tornar CEO do Original Hub, foi CTO do BB Tecnologia e Serviços.
"Acho que isso (chegar a CEO) acontece quando o profissional de TI busca formação e preparo. Quando trabalhei em Nova York, coloquei como meta voltar ao Brasil com formação acadêmica de uma instituição renomada. Aí passei dois anos fazendo formação voltada para estratégia. Se os profissionais de TI buscarem mais alinhamento ao negócio, vai ser mais frequente a presença deles em presidências."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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'Três Poderes têm de ser respeitados', diz Bolsonaro

POLÍTICA
17:10 | Set. 12, 2021
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O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem, em Esteio (RS), que os apoiadores que participaram dos atos do 7 de Setembro foram às ruas contra "retrocessos", mas ressaltou que os três Poderes "devem ser respeitados". Foi a primeira viagem do presidente após as manifestações de caráter antidemocrático, na terça-feira, e a nota em que ele recua das críticas feitas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes.
Bolsonaro recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha durante uma feira do agronegócio. Ele chegou ao evento por volta das 11h, sem máscara, acompanhado da ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Cumprimentou apoiadores e não respondeu a perguntas de jornalistas. "Senti os reais motivos para esse povo ir às ruas. Em primeiro lugar, foi para dizer que não aceita retrocessos. O povo quer respeito à Constituição por parte de todos e, acima de tudo, eles sabem que não podem deixar de lado sempre a defesa e a luta pela nossa liberdade."
O presidente não disse o que seriam os "retrocessos", desconsiderando que a agenda golpista dos atos de 7 de Setembro partiu dele próprio. Na quintafeira, pressionado por ameaças de impeachment e por uma paralisação de caminhoneiros, Bolsonaro recuou e divulgou uma nota em que até elogiou o ministro Moraes, em um movimento que contou com a participação crucial do ex-presidente Michel Temer.
"Temos três Poderes, têm que ser respeitados, e buscar sempre a melhor maneira de nos entendermos para que o produto do nosso trabalho seja estendido aos seus 210 milhões de habitantes", disse Bolsonaro, afirmando que o Brasil, aos poucos, "vai mudando".
Em Esteio, Bolsonaro evitou críticas diretas à Corte, mas voltou a afirmar que uma eventual decisão do STF contra a tese do marco temporal na demarcação de terras indígenas resultaria no "fim do agronegócio" no Brasil. "Se a proposta do ministro (Edson) Fachin vingar, será proposta a demarcação de novas áreas indígenas que equivalem a uma região Sudeste toda. Ou seja, é o fim do agronegócio, simplesmente isso e nada mais do que isso", disse Bolsonaro.
Na quinta, Fachin, relator do caso no STF, deu seu voto favorável aos povos indígenas e contra o reconhecimento da constitucionalidade da tese do marco temporal. O julgamento deve ser retomado na próxima terça-feira, quando o STF chegará ao 20º dia de análise, ainda sem definição clara de maioria.
A tese do marco temporal funciona como uma linha de corte ao sugerir que uma terra só pode ser demarcada se ficar comprovado que os indígenas estavam naquele território na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988. Caso seja validado pelo STF, o entendimento poderá comprometer mais de 300 processos que aguardam demarcação, conforme dados do Instituto Socioambiental (ISA) com base em publicações feitas no Diário Oficial da União. Fachin declarou que a Constituição reconhece como "permanente" o "usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos" preservados pelas comunidades indígenas.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Mourão monta agenda paralela e recebe políticos do centro e da oposição

POLÍTICA
17:10 | Set. 12, 2021
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Com o presidente Jair Bolsonaro em viés de baixa e mais isolado, o general Hamilton Mourão montou uma "agenda paralela" de encontros com adversários do governo no Congresso e intensificou as relações com magistrados, diplomatas e empresários. Ele passou a receber em audiências e turnês de viagens especialmente lideranças de partidos de centro. Uma boa parte desses eventos não foi registrada na agenda oficial.
Em Brasília, os encontros de Mourão ocorrem no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, e no gabinete de trabalho no prédio anexo do Palácio do Planalto. O general recebeu nomes ligados ao Progressistas, PSDB e MDB e tem atraído o interesse de representantes do PSD e do DEM para cafés e conversas.
É no espaço independente de interlocução montado na estrutura da Vice-Presidência que Mourão faz pontes com a política e o mercado e se mantém no jogo na reta final do governo, observam interlocutores. A decisão do general de não ser anulado no cargo, ressaltam, foi tomada no final de julho, quando Bolsonaro disse em entrevista a uma rádio de João Pessoa que vice é como cunhado, você "casa e tem que aturar". O presidente afirmou ainda que escolheu o militar da reserva para a chapa às pressas.
Em meados de agosto, por exemplo, o vice recebeu em seu gabinete o ex-ministro Carlos Marun, que tem atuado para que o MDB, seu partido, abrace a tese do impeachment. O político incentivou o general "a atuar politicamente de forma mais efetiva", em suas próprias palavras, inclusive buscando um partido mais robusto que o PRTB, atual legenda do vice. "O tema ‘impeachment’ não entrou de forma nenhuma na conversa. Não houve da minha parte, nem da parte dele, nenhuma sinalização ou troca de ideias sobre isso. Eu conversei a respeito da participação dele, o que ele está pensando, no processo político partidário-eleitoral", disse Marun ao Estadão. O encontro não estava na agenda oficial.
Pouco depois da reunião com Marun, em 31 de agosto, Mourão recebeu o deputado federal Raul Henry (MDB-PE). Dias antes, o pernambucano apresentara o parecer contrário à proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, ajudando a enterrar a ideia. Henry contou que incentivou Mourão a continuar na vida política. "Ele é um homem equilibrado, sensato, um oficial da reserva que conhece o Brasil. Faz parte da democracia a gente ter pessoas mais à direita e mais à esquerda. O que faz mal para o Brasil hoje é o presidente tentando desmoralizar as instituições", disse Henry ao Estadão.
Outra reunião importante de Mourão feita por fora da agenda oficial foi com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso. Em 10 de agosto, Mourão atendeu a um convite do ministro para conversar sobre os riscos de uma ruptura institucional no País por parte das Forças Armadas. O encontro foi revelado pelo Estadão dias depois e irritou Bolsonaro - assim que o caso veio à tona, o presidente anunciou que pediria ao Senado o impeachment de Barroso e do colega de STF Alexandre de Moraes. No fim das contas, só o pedido contra Moraes foi apresentado, e rejeitado em seguida.
No dia 1º de setembro, Mourão se encontrou com o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). "Diferentemente dos posicionamentos do atual presidente (da República), o vice-presidente Mourão sabe muito bem o significado de manter a sociedade civil à frente das decisões tomadas. (Sabe a importância do) regime democrático, sem absolutamente abrir espaço para exceções, do tipo ‘golpe’", disse o senador paraibano. "Ele se porta como se exige de um democrata." Assim como Marun, Veneziano frisou que o tema "impeachment" não foi discutido. Mourão ainda se encontrou no Jaburu com o presidente da legenda, deputado Baleia Rossi (SP).
Senado
Há alguns meses, Mourão disse estar cogitando uma candidatura para o Senado pelo Rio Grande do Sul. Mais recentemente, houve especulações sobre uma possível candidatura ao governo do Estado do Rio de Janeiro. O prazo para mudar o domicílio eleitoral, hoje em Brasília, termina em abril.
Apesar dos elogios dos emedebistas, Mourão não é unanimidade no Congresso. Para o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), o vice é "uma incógnita" para a maioria dos parlamentares. "A figura dele cria um cenário diferente, em relação ao impeachment, dos outros. Você, ao ‘impitimar’ a Dilma, sabia quem seria o presidente (...), porque ele (Michel Temer) era da política. Ao ‘impitimar’ o Collor, se sabia quem era o presidente (Itamar Franco). Mas, se sair o Bolsonaro, não se sabe como será o novo presidente", disse o parlamentar.
Como coordenador do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL), Mourão sempre inclui a floresta tropical em suas palestras. Nas apresentações, o vice costuma repetir o mantra de que o Brasil está destinado a se tornar "a democracia liberal mais próspera ao sul do Equador". Também tem por hábito encerrar a fala com um verso do poeta espanhol Antonio Machado (1875-1939). "Caminhante… não há caminho. Faz-se o caminho andando", diz o trecho.
Um destes eventos aconteceu no dia 30 de agosto, num salão perto da chamada "Península dos Ministros", no Lago Sul. Mourão participou de um encontro organizado pela seção feminina do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) em Brasília. O capítulo candango é comandado pelo empreiteiro Paulo Octávio, mas o Lide pertence ao governador tucano de São Paulo, João Doria - que no momento está afastado das atividades. Convenientemente, a reunião não constou da agenda de Mourão.
Dias depois, em 3 de setembro, o vice foi à capital paulista para um evento da TV Cultura, a rede de TV pública controlada pelo governo estadual. No local, posou para fotos com o presidente da emissora, José Roberto Maluf, nomeado por Doria para o posto. Novamente, não houve menção na agenda.
Um outro encontro de Mourão com parte da elite econômica do País ocorreu em 26 de agosto, também em São Paulo. O vice-presidente foi ao hotel Grand Hyatt, no Itaim Bibi, para uma palestra ao Parlatório - um grupo de empresários que vem promovendo reuniões com eventuais presidenciáveis nos últimos meses. Na plateia estavam dirigentes de algumas empresas de capital aberto, como Leonel Andrade (CVC), Clarissa Sadock (AES Brasil) e Luiz Fernando Furlan, membro do conselho de administração da multinacional BRF e ex-ministro de Lula, entre outros.
Amazônia
No dia 7 de Setembro, Mourão participou do hasteamento da bandeira ao lado de Bolsonaro. Mas, no dia seguinte, enquanto o presidente reunia seus ministros no Planalto, o vice embarcou para o Pará com uma comitiva de embaixadores estrangeiros - o objetivo era melhorar a percepção dos representantes sobre os esforços brasileiros pela preservação da floresta. O grupo foi recebido pelo governador Helder Barbalho (MDB) e visitou instalações de empresas como a mineradora Vale.
Estavam no grupo os embaixadores do Japão, Akira Yamada; da União Europeia, Ignácio Ybáñez; e da Índia, Suresh Reddy, entre outros. França, Espanha, Angola, Paraguai, Uruguai, Reino Unido e Suíça também mandaram diplomatas para a excursão. Os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Kátia Abreu (PP-TO) integraram a comitiva liderada pelo vice, que só retornou a Brasília no fim da sexta-feira.
A reportagem do Estadão procurou o vice-presidente para tratar das agendas e de seus planos, mas ele não se pronunciou.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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