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Ceará
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Após ser resgatada em praia do Trairi, ave em risco de extinção é devolvida ao habitat natural

Resgate foi realizado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), e o animal desde então recebia tratamento no Projeto Cetáceos da Costa Branca (PCCB-UERN)

Gabriela Almeida
18:27 | 06/07/2021
O voo do albatroz, animal que foi resgatado em praia no Trairi (Foto: PCCB/UERN)
O voo do albatroz, animal que foi resgatado em praia no Trairi (Foto: PCCB/UERN)

Atualizada às 14h18min da quarta-feira, 7

O albatroz-de-nariz-amarelo, ave marinha migratória, que foi resgatado na praia de Mundaú, no Trairi (CE), há cerca de um mês, retornou ao habitat natural no último fim de semana. O resgate foi realizado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), e o animal desde então recebia tratamento no Projeto Cetáceos da Costa Branca (PCCB-UERN). Soltura ocorreu na Praia de Upanema (RN).

A espécie, de nome científico Thalassarche chlororhynchos, apresenta risco de extinção segundo a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e foi encontrada por pescadores na orla cearense. Logo em seguida, o animal foi levado à casa de uma moradora daquela região do Trairi, que entrou em contato com a Semace para solicitar orientações sobre o procedimento a ser adotado.

Roberto Cavalcante, biólogo e fiscal ambiental da Semace, lembra que a mulher recebeu recomendações de como manter o animal seguro até que os técnicos do órgão conseguissem ir ao local. No dia seguinte ao contato, uma equipe chegou, e foram feitas articulações para que a ave fosse levada pelo PCCB. 

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O especialista explica que o projeto, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), tem um Centro de Reabilitação de Fauna Marinha especializado em atender animais desse porte. Tanto a Semace como o PCCB se articularam para que a ave fosse levada e atendida o "mais rápido possível".

"É uma espécie migratória. A gente imagina que ela estivesse passando pelo litoral do Ceará. Estava com todas as penas de uma das asas cortadas, e isso que estava impossibilitando o animal de voar e seguir a rota comum", conta o biólogo, destacando que não se sabe o motivo da ausência das penas.

Implante e reabilitação

Quando chegou ao espaço, uma equipe de veterinários e biólogos do projeto realizou o atendimento e constatou a necessidade do implante de penas. De acordo com Cavalcante, a técnica consistiu em selecionar penas de gansos domésticos, cada uma obedecendo a um tamanho ideal, para implantar na ave.

"Não é uma técnica nova, é feita em outro centros, mas é uma técnica que não está muito difundida", pontua o biólogo, destacando a importância do tratamento. Logo após a cirurgia, o animal precisou passar por um período de reabilitação até que voltasse a ter condições de ser reinserido no habitat natural: o alto mar.

Animal passou por um implante de penas.
Animal passou por um implante de penas. (Foto: PCCB/UERN)

Já reabilitado e com condições de voar, a ave foi solta na Praia de Upanema. Após a soltura, conforme Roberto, o animal pôde continuar migrando e reencontrar o bando do qual pode ter se separado. Também será capaz de retornar aos hábitos alimentares próprios, mergulhando no mar para capturar crustáceos e peixes.

Os albatrozes são aves que "passam maior parte da vida em alto-mar buscando alimento". Existem 22 espécies do animal, sendo que 17 "delas estão ameaçadas ou em algum grau de extinção", segundo informações da Semace. Esse foi o primeiro albatroz resgatado pelo órgão na orla cearense. 

Como denunciar crimes ambientais 

Caso encontre alguma espécie de animal silvestre em estado debilitado, precisando de atendimento, ou ainda queira denunciar crimes contra a fauna, basta entrar em contato direto com a Semace. O contato pode ocorrer por meio de um e-mail, aberto para contato diariamente, e por ligação, que pode ser realizada de segunda a sexta-feira, em horário comercial.

E-mail: [email protected]
Telefone: 0800 27522 33