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Quadra chuvosa foi abaixo da média no Ceará em 2021, diz Funceme

O desvio negativo foi de 15.4% durante os meses de fevereiro a abril. Esse período é fundamental para entender comportamento das chuvas. Quadra vai até maio, mas o mês não influencia fortemente na média final, segundo a Fundação
08:32 | Jun. 02, 2021
Autor Marília Freitas
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Marília Freitas Estagiária do O POVO Online
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Tipo Notícia

Entre os meses de fevereiro e maio, o Ceará registrou mais uma quadra chuvosa abaixo da média. Com uma média de 508,3 milímetros (mm) de precipitações no intervalo, a média esperada era de 600,7 mm - ou seja, houve um desvio negativo de 15.4%. O início do mês de junho marcou o fim da quadra chuvosa no Estado. Os totais observados pela Fundação Cearense de Recursos Hídricos (Funceme) foram divulgados em coletiva nesta quarta, 2.

Janeiro ficou abaixo da média, com 45,4 mm enquanto a normal é de 98,7 mm. Em fevereiro, início do famoso "tempo bonito para chover", o índice ficou na normalidade, com 6,2% de desvio negativo - a região Sul do Estado teve mais municípios com chuvas acima da média no intervalo. Já em março e abril, houve redução no registro de precipitações. Por fim, maio teve precipitações em 24,3% abaixo da média.

O cenário de chuvas reduzidas e irregulares já era esperado pela Funceme. O índice foi considerado "bem próximo ao abaixo e normal", conforme pontou o presidente da Fundação, Eduardo Martins. Conforme noticiado pelo O POVO, as chuvas dos meses de fevereiro e abril tiveram a pior média nos últimos cinco anos. O período é o mais importante da quadra chuvosa. Por exemplo, a região Centro Norte apresentou grande parte de suas áreas abaixo da média, enquanto a região Centro Sul apresentou áreas com precipitações acima da média ou normal.

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Nos três meses, o Ceará registrou 439,6 mm - em contraponto a um esperado de 510,1 mm. "Isso o coloca abaixo da média, mas muito próximo da normalidade e com intensa variabilidade", destacou Eduardo. Segundo ele, os eventos chuvosos foram bastante beneficiados pela Zona de convergência intertropical, a ZCIT, fenômeno de comum aparição na quadra.

No trimestre de janeiro a março, as chuvas ficaram abaixo da média: embora com registro de chuva acima da média na região do Centro Sul, grande parte das regiões teve normalidade nas precipitações. Já entre março a maio, várias áreas do Ceará ficaram abaixo da média. No Centro Leste, a situação foi de normalidade nos índices, mas vários municípios ficaram abaixo da média no Centro Oeste.

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A quadra chuvosa não mudou drasticamente o cenário hídrico no Ceará, de acordo com dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O Estado conseguiu encerrar o período de chuvas com um volume hídrico acumulado superior a 30%. "É uma situação que merece cuidados e alerta, mas podemos dizer que já tivemos momentos piores. Abaixo de 50% já é um alerta", destacou o engenheiro e titular da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), Francisco Teixeira.

As tendências até o fim do ano não puderam ser detalhadas pela pasta devido a falta de dados mais consolidados. Mas o Ceará deve apresentar predomínio de céu variando entre claro e parcialmente nublado até a próxima sexta-feira, 4.

A partir deste mês, Ceará entra na "época dos ventos" e segue até julho. O período é marcado pelo afastamento da ZCIT e as chuvas começarão agora para as regiões de Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Caso o fenômeno chegue bastante forte, ainda podem acontecer precipitações no litoral de Fortaleza, na região Jaguaribana e até no Cariri. Isso não significa que o Ceará não terá chuvas a partir de então, mas o intervalo não será mais tão favorável para que os índices da quadra chuvosa se repitam, por exemplo.

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O anúncio sobre os volumes da quadra foi transmitido pelo perfil oficial da Fundação no YouTube. Participaram o presidente da instituição, Eduardo Sávio Martins; o secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira; e o presidente da Companhia dos Recursos Hídricos (Cogerh).


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