Dom Gilberto Pastana: "Um pedacinho da minha vida vai fazer parte do Cariri"
Em entrevista exclusiva à Rádio O POVO CBN Cariri, o novo arcebispo São Luís (MA) faz um balanço dos seus cinco anos à frente da diocese do Crato
Nomeado o novo arcebispo São Luís (MA), dom Gilberto Pastana de Oliveira, 64, o até então bispo do Crato, no Interior do Ceará, garante que leva consigo as experiências religiosas do Cariri cearense, marcadas pelas romarias e pela devoção ao Padre Cícero. Em entrevista exclusiva à Rádio O POVO/CBN Cariri, o pároco faz um balanço dos seus cinco anos à frente da diocese do Crato.
“Uma riqueza que levo é a experiência religiosa das romarias, que foi um fato novo para mim. Aqui tivemos uma experiência plural, diferenciada, enriquecedora. Um pedacinho da minha vida vai fazer parte do Cariri, vou levar comigo essa bondade, essa experiência e essa riqueza do povo daqui”, assegura.
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Dom Gilberto revela que vem guardando o segredo pontifício sobre a mudança desde o dia 17 de maio, quando recebeu a comunicação do papa Francisco. “Pena que foi pouco tempo, mas foram tempos bem vividos. Missão realizada. Penso que o tempo sempre é o tempo de Deus. E devemos viver bem cada tempo que o Senhor nos proporciona”, acrescenta.
A nomeação de dom Gilberto acontece após o papa Francisco acolher, nesta quarta-feira, 2, o pedido de renúncia apresentado por dom José Belisário da Silva, agora arcebispo emérito, ao governo pastoral da arquidiocese de São Luís (MA), por motivo de idade.
Para o novo arcebispo de São Luís, as experiências mais marcantes vividas no Crato estão relacionadas às ações de planejamento participativo, de visita às comunidades e de fortificação dos conselhos comunitários e paroquiais. Ele também relembra a necessidade de reorganização das atividades em decorrência da pandemia de Covid-19
“Foi um tempo de fecundidade e muita riqueza tanto para a diocese do Crato como para a minha pessoa. Também levo aqui a experiência acumulada de evangelização ao longo dos cinco anos que aqui passei”, relata.
Paraense, dom Gilberto estudou Filosofia na Universidade Federal do Pará e no Instituto de Pastoral Regional (IPAR), onde também cursou Teologia. Em maio de 2016, o papa Francisco o nomeou bispo coadjutor da diocese de Crato. Sua apresentação aconteceu na Sé Catedral Nossa Senhora da Penha, no Crato, em julho do mesmo ano. Ele exerceu o ofício de bispo coadjutor até sua nomeação como bispo diocesano, em 28 de dezembro de 2016.
Relação com Maranhão
Ainda sem data de saída marcada, dom Gilberto fica agora como administrador diocesano da igreja no Cariri, não mais como bispo do Crato. Existe o prazo de pelo menos dois meses para acertar os detalhes da sua apresentação no Maranhão.
Após dom Gilberto deixar a diocese, o conselho de consultores da diocese do Crato, formado por padres membros do conselho presbiteral, tem até sete dias para nomear entre eles aquele que vai ser responsável pela diocese até a nomeação do próximo bispo escolhido pelo papa. A chegada de um novo bispo ao Crato pode levar de seis meses a um ano.
Antes de assumir o cargo no Crato, ele já tinha sido bispo de Imperatriz (MA), ordenado em outubro de 2005.“Foi meu primeiro amor, a primeira a primeira diocese onde trabalhei. Ali fiquei 11 anos. Volto para uma terra onde graças a Deus não terá tanta necessidade de adaptação”, completa.
Confira na íntegra a entrevista de dom Gilberto Pastana ao jornalista Farias Júnior, da Rádio O POVO CBN/Cariri:
OP- O senhor está nos deixando?
Dom Gilberto Pastana - Desde o dia 17 de maio estou guardando o segredo pontifício, recebi a comunicação do Santo Padre me nomeando arcebispo de São Luís, no Maranhão. Como é um pedido do Santo Padre, não podemos negar assim como também fazemos pedido para transferência e dificilmente negam. Confirmei esse pedido, e hoje está sendo anunciada minha transferência. Pena que foi pouco tempo, mas foram tempos bem vividos. Missão realizada. Penso que o tempo sempre é o tempo de Deus. E devemos viver bem cada tempo que o Senhor nos proporciona. Saio tranquilo, com a consciência reta no sentido de ter feito aquilo que poderia fazer. Ainda que tenha sido pouco tempo cronológico, cinco anos, penso que foi um tempo de fecundidade e muita riqueza tanto para a diocese do Crato como para a minha pessoa. Também levo aqui a experiência acumulada de evangelização ao longo dos cinco anos que aqui passei.
OP - Quem receberá a missão de substituí-lo na diocese do Crato?
Dom Gilberto Pastana - É um processo que leva tempo. Fico aqui como responsável ainda pela igreja, não como bispo do Crato, mas como administrador diocesano até minha partida, que ainda não está definida. Vou definir isso hoje ou amanhã com dom Belisário para acertar a data de apresentação. Temos cerca de dois meses para isso, segundo o direito canônico. Feito isso, quando eu deixar a diocese o conselho de consultores, o mais importante, formado por padres membros do conselho presbiteral, tem até sete dias depois da minha saída, para nomear entre eles aquele que vai ser responsável pela diocese até a nomeação do próximo bispo. Há uma outra maneira. Às vezes, na saída do bispo, o Santo Padre pode nomear um administrador apostólico, no caso um bispo que viria temporariamente. Mas acho que o próprio conselho dos consultores da diocese do Crato deve nomear o responsável pela diocese. Deve demorar de seis meses a até um ano para chegar um novo bispo.
OP - Sua saída já tem data marcada?
Dom Gilberto Pastana - Ainda não tem data marcada. Hoje foi anunciada a transferência, preciso conversar com o arcebispo de São Luís e acertar minha saída. Temos pelo menos dois meses para isso.
OP - Ao sair do Cariri, quais principais memórias ficarão vívidas?
Dom Gilberto Pastana - Em termos pastorais, vou levar toda a caminhada que fizemos nesses primeiros três anos, que foi uma caminhada avaliativa culminando com a assembleia diocesana que aconteceu em 2019. Acho que aquela assembleia foi um marco para a igreja do Cariri para apontar rumos e sonhos. Estávamos muito esperançosos em 2020, quando fomos acometidos com o coronavírus e tivemos que mudar a programação e nos reinventar, como estamos fazendo ainda nesta nova forma de viver enquanto o vírus é uma ameaça. Penso que essa experiência de planejamento participativo, de visita às comunidades, de fortificação dos conselhos comunitários e paroquiais, isso foi de uma riqueza muito grande e certamente todos os envolvidos darão continuidade. Depois, uma riqueza que levo é a experiência religiosa das romarias, que foi um fato novo para mim. Aqui tivemos uma experiência plural, diferenciada, enriquecedora. Isso carrego comigo, toda devoção ao Padre Cícero, à Menina Benigna, já declarada beata, faltando só a celebração da beatificação. Até o decreto reconhecendo ela como beata já foi publicado. Tudo isso são experiências que enriquecem nossas vidas para melhor. Onde quer que esteja, certamente faz parte da minha vida. Um pedacinho da minha vida vai fazer parte do Cariri, vou levar comigo essa bondade, essa experiência e essa riqueza do povo daqui.
OP - O senhor foi nomeado como arcebispo de São Luís, e o Maranhão tem uma história na sua vida.
Dom Gilberto Pastana - Quando saí da Imperatriz, disse que foi meu primeiro amor. Foi uma experiência muito bonita, foi a primeira diocese onde trabalhei e ali fiquei 11 anos. Além da diocese, me envolvi com todo o estado porque muito cedo, em 2010, fui eleito presidente do Regional [Regional Nordeste 5 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)]. Maranhão faz parte da minha vida, volto para uma terra onde graças a Deus não terei tanta necessidade de adaptação porque já convivi com essa realidade e com o povo de Deus dessa diocese.
OP - Agradecemos por sua atenção, carinho e seriedade com o povo do Cariri. Fica aqui nossa gratidão.
Dom Gilberto Pastana - Agradeço e peço a todo o povo de Deus que reze para que eu seja fiel àquilo que prometi na minha ordenação presbiteral e depois episcopal, de ser a imagem de Jesus, o bom pastor, que conhece as ovelhas pelo nome e que se deixa conhecer. As ovelhas seguem porque conhecem a voz. Fico muito feliz, vou daqui muito feliz com tudo o que foi proporcionado durante os cinco anos de convivência com essa igreja particular. Peço que lembrem de mim sempre em suas orações para que eu possa ser cada vez mais fiel ao mandato de Jesus.