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Em dez dias, cinco policiais morrem de Covid-19 no Ceará

Dos cinco policiais, quatro estavam na ativa e um, na reserva. Três deles eram policiais civis. Presidente do Sinpol/CE diz que equipamentos de proteção, como máscaras e álcool em gel, não são fornecidos pelo Estado

17:40 | 09/03/2021
Policiais tem trabalhado em contato direto com a população em ações e dispersando aglomerações de pessoas (Foto: Fábio Lima/OPOVO)
Policiais tem trabalhado em contato direto com a população em ações e dispersando aglomerações de pessoas (Foto: Fábio Lima/OPOVO)

Atualizada às 20h27min

No intervalo de dez dias, cinco agentes da segurança — quatro da ativa e um aposentado - morreram em decorrência da Covid-19 no Ceará. Três deles somente na noite desta segunda-feira, 8. Os inspetores Valmigleison Barros Pinto, 40, e Rita Lúcia Facundo, 61, lotados, respectivamente, no 12º Distrito Policial, no Conjunto Ceará, e na Delegacia Geral da Polícia Civil, no Centro, e o policial penal Macio de Mendonça Santos, 46, tiveram a morte confirmada no início desta semana. O inspetor aposentado Francisco Ednardo Colasso Costa e o sargento da Polícia Militar Sandro Alves Moreira morreram no dia 28 de fevereiro.

Os casos de afastamento pela doença têm aumentado exponencialmente este ano. “Algumas delegacias precisam pegar policiais de outros distritos policiais para não fechar, por conta do número de afastamentos”, informa o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Ceará (Sinpol/CE), o deputado estadual Tony Brito (Pros).

Desde o início da primeira onda da pandemia, em março de 2020, os agentes de segurança são afetados. “Ano passado, tivemos maior apoio e conseguimos garantir a segurança de alguns agentes com comorbidades. Esse ano, o pedido é que os policiais sejam incluídos nos grupos prioritários de vacinação porque lidamos cara a cara com a doença”, frisa o presidente.

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Um pedido mais imediato é que a escala de trabalho seja alterada. Em um cartório de uma delegacia, onde são registrados os boletins de ocorrência, trabalham entre seis e sete pessoas em uma sala.

Os policiais são expostos a um risco grande por causa, principalmente, da escala de trabalho. “Tem policial que tira plantão de 24 horas. Às vezes a pessoa está exposta e exausta”, diz.

O que diz a SSPDS

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) ressalta que a pasta e suas vinculadas, desde o início da pandemia, têm adotado medidas visando preservar a saúde dos profissionais de segurança pública em todo o Estado. Entre as iniciativas está a aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), álcool em gel e outros materiais de higiene.

Ao todo já foram mais de 200 mil máscaras, mais de 20 mil litros de álcool em gel, 1.500 litros de álcool líquido e mais de 12 mil escudos de proteção facial, entre outros materiais, como água sanitária, luvas, borrifadores e papéis toalhas adquiridos pela SSPDS e suas vinculadas, bem como oriundos de doações de instituições parceiras.

Ainda de acordo com a nota, outra importante medida que abrange a Polícia Civil do Estado do Ceará, por exemplo, foi a inclusão de novas tipificações criminais na Delegacia Eletrônica, ainda no mês de março de 2020, no intuito de diminuir o fluxo de pessoas nas delegacias do Estado. A ação visa proteger todos os policiais civis, bem como a população geral. De lá pra cá, a pasta também realizou higienização de unidades policiais, bases e viaturas, no intuito de evitar a disseminação do vírus.

Tanto a SSPDS, quanto as instituições vinculadas também disponibilizam para seus servidores e militares a realização de testagem para a Covid-19. A pasta destaca ainda que no dia 5 de março, o Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp) apresentou uma demanda para o reconhecimento das forças policiais dentre as prioridades para a vacinação contra a Covid-19. A carta, assinada por gestores da Segurança Pública do Brasil, incluindo o secretário da SSPDS/CE, Sandro Caron, foi enviada ao ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, e ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Por último, a Secretaria informa que no período de quase um ano, do dia 11 de março de 2020 até 5 de março de 2021, 9.033 policiais civis e militares foram afastados de suas atividades após testarem positivo ou apresentarem suspeita de estarem com a Covid-19 (7.295 PMs e 1.738 PCs). É importante ressaltar que, de acordo com a SSPDS, ao apresentar sintomas gripais, o profissional já é afastado preventivamente.

Ainda de acordo com a nota, nem todos inseridos nesse número de afastamentos testaram positivo para a doença. Durante esse mesmo período, 24 policiais faleceram em decorrência da doença (16 PMs e oito PCs). Esse número corresponde a 0,2% dos óbitos totais no Estado, que contabiliza, nesta terça-feira (9), um total de 11.909 óbitos pela Covid-19.

Atualmente, existem 415 profissionais das duas instituições afastados sob licença médica (208 policiais militares e 207 policiais civis).

O que diz a SAP

Também por nota, a Secretaria da Administração Penitenciária informa que as visitas aos presídios cearenses estão suspensas desde o dia 20 de fevereiro. A entrega de malotes, o atendimento presencial do serviço social, o atendimento da Casa do Albergado e alguns serviços da Central de Monitoramento também estão suspensos neste período de isolamento social rígido. Os internos da Secretaria já produziram mais de 250 mil máscaras para uso próprio, além da constante higienização através de atomização nas unidades. A SAP também já realizou mais de 17 mil testes em internos e servidores, como forma de rastreamento de novos casos e medidas precoces de isolamento e tratamento.

Ainda na nota, a pasta esclarece que ainda permanece com sua estrutura de Enfermaria Máxima de Saúde para isolar e tratar da forma mais adequada os internos que tenham sintomas ou apresentem resultado positivo para o novo Coronavírus. Por fim, a SAP comunica que todo interno que entra no sistema prisional cearense realiza teste para a Covid-19 e que, neste momento, são 38 internos em tratamento para quadro leve da doença, sendo 17 oriundos da Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), diante de uma população carcerária de aproximadamente 23 mil detentos. Além disso, houve 44 policiais penais e 26 colaboradores terceirizados positivados diante de um efetivo total de 4.700 servidores da Secretaria. Desde o início da pandemia, em março de 2020, foram registrados 2 óbitos de policiais penais, 5 internos e 1 colaborador.