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Ceará
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Chefe de facção ordenava de Mossoró quem seria executado em Fortaleza

Luciano "Farmácia" foi preso no Rio Grande do Norte, como parte da 3ª fase da operação 5º Mandamento. Ele era procurado desde 2018. Outro investigado, Jaziel "Lourão", também foi preso como parte da ação da Polícia Civil

17:58 | 02/03/2021
Coletiva de imprensa da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) (Foto: Angélica Feitosa)
Coletiva de imprensa da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) (Foto: Angélica Feitosa)

Um homem conhecido como conselheiro de guerra do Comando Vermelho (CV), que atua no tráfico de drogas nos bairros João XXIII e Bonsucesso, e outro com a função chamada de "frente", um posto de chefia nas organizações criminosas, também do mesmo grupo, foram presos nesta segunda-feira, 1º.

Luciano Costa da Silva, 35, conhecido como "Farmácia", foi preso em Mossoró, no Rio Grande do Norte, e Jaziel Bernardo, 34, chamado de "Lourão", capturado na praia de Pecém, em São Gonçalo de Amarante, no litoral oeste do Estado.

Contra eles, havia uma série de mandados de prisão por homicídio e tráfico de drogas. As prisões fazem parte da Operação 5º Mandamento - Fase 3. Ao todo, a ação da Polícia Civil já prendeu, durante todas as etapas da operação, 54 pessoas por homicídio.

As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa no fim da manhã desta terça-feira, 2, na sede do  Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). De acordo com Leonardo Barreto, diretor da DHPP, a atuação da quadrilha acontecia nos bairros Bonsucesso e João XXIII, periferia de Fortaleza.

"Temos como alvo um 'conselheiro local', como ele se autointitulava. Ele já era objeto de investidas policiais desde 2018 e sempre arrumando um jeito de se eximir de sua responsabilização penal e fugindo da captura dos órgãos policiais", descreveu, em relação da Luciano "Farmácia". De acordo com o delegado, a ação do conselheiro seria a de arquitetar e ordenar os homicídios.

Em Mossoró, onde Luciano foi encontrado, a ação teve o apoio do Departamento de Inteligência Policial (DIP) da PCCE e do 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM). Segundo informações repassadas durante a coletiva, Luciano era tido como "o conselheiro". “É o nome escolhido por eles para nomear o chefe local de uma organização criminosa, de controle, de autorização da morte de pessoas e perdão de dívidas de drogas”, comenta Wilson Neto, titular da 6ª Delegacia da DHPP.

Luciano não trabalhava diretamente na comunidade. Morava em Mossoró e enviava as ordens à distância. Após sua prisão, ele foi transferido para o Ceará. “O Luciano disse que trabalhava com venda de roupas, mas não tinha nada na casa dele que comprovasse isso”, afirmou a equipe responsável pela ação, durante a entrevista.

Os presos são condenados por homicídio, porte ilegal de arma e tráfico de drogas. Segundo a Polícia Civil, em 2020, Nicolas Nilton da Silva Ferreira, 21, que foi preso na última sexta-feira, 26, e Jaziel "Lourão" são suspeitos de matar duas pessoas a mando de Luciano, também chamado de "01". “Ele (Luciano) coordenava de longe e eventualmente vinha para Fortaleza. Era pelo WhatsApp que ele ordenava os crimes”.

Os policiais afirmaram que Luciano teria arquitetado um plano de fuga, caso fosse abordado quando estivesse na comunidade. “Quando ele estava na favela, obrigava toda a população a deixar as portas abertas, porque se a Polícia eventualmente aparecesse, teria várias rotas de fuga. A população era obrigada a dar fuga a ele", informou a delegada titular Cláudia Oliveira Guia, do 11ª DHPP.

O nome da operação faz referência ao 5º mandamento bíblico, "Não matarás", e investiga executores e mandantes de homicídios, suspeitos ou condenados no Ceará.

Colaborou Levi Aguiar