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"Buraco no peito é inevitável": ONG Mães pela Diversidade lamenta assassinato de jovem trans

Em nota, a ONG reforça a necessidade de um pacto para um futuro possível para jovens Trans. A adolescente Keron Ravach foi espancada até a morte na última segunda-feira, 5

17:01 | 11/01/2021
Keron Ravache vítima de espancamento tinha 13 anos
 (Foto: arquivo pessoal )
Keron Ravache vítima de espancamento tinha 13 anos (Foto: arquivo pessoal )

A ONG "Mães pela Diversidade", formada por mães e pais de pessoas LGBTQIA+ com atuação em 23 estados brasileiros, publicou uma nota no Instagram na última quinta-feira lamentando a perda de Keron Ravach. A jovem de 13 anos foi espancada até a morte em Camocim na última segunda-feira, 5. Apesar da jovem ter sofrido chutes, pauladas, pedradas e facadas, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em boletim, descartou que o ato infracional tenha ocorrido em razão da orientação sexual da vítima.

Confira a nota na íntegra:

"Mais uma menina trans foi assassinada. Dessa vez uma criança. 13 anos. Keron Ravach. Uma menina que gostava de dançar na praça, com amigos, e depois tomava banho de mar.

O preconceito é alimentado pela ignorância e desconhecimento das pessoas. Pelo constrangimento de quem sabe muito bem o que acontece e escolhe calar. Crianças trans existem, espalhem por aí. A criança LGBT+ existe, não esqueçam. Crianças que não correspondem ao que se espera delas e, por isso, sofrem demais! Nosso silêncio diante disso alimenta uma lógica perversa que as faz duvidar de si mesmas, acreditar que sua existência é um erro.

O pacto de silêncio em torno desse tema precisa ser rompido. Constrangedor não é falar disso. Constrangedor e terrível é ouvir a descrição do assassinato de Keron: pauladas, chutes, pedradas, facadas.

O horror!

Dentro de nós, mães de pessoas LGBTIA+, o buraco no peito é inevitável. Cada morte assim é como um grande fracasso nosso. Fracasso em mudar o mundo pra que nossas crianças vivam em paz, sem medo e sem vergonha. Vamos ao chão.

Sabe o que acontece? Nós não conseguimos sozinhas. Precisamos, e muito, de você que está lendo isto agora. Um novo pacto, que invente esse mundo possível para nossas meninas e meninos.

Por hoje, fica o luto. A ausência de cor dentro do peito por mais uma das nossas meninas que tomba.
Mas amanhã, não se espantem, as cores delas voltam a pintar o mundo. Alegres, ousadas, serelepes…"