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Ceará
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Empresário é preso suspeito de tentar matar moradores de comunidade em Beberibe

A prisão ocorreu durante a Operação Dunas, executada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE).

12:33 | 08/12/2020
Estragos na comunidade Tabubinha, em Morro Branco, cidade de Beberibe (Foto: DEFENSORIA PÚBLICA DO CEARÁ/DIVULGAÇÃO)
Estragos na comunidade Tabubinha, em Morro Branco, cidade de Beberibe (Foto: DEFENSORIA PÚBLICA DO CEARÁ/DIVULGAÇÃO)

Um empresário foi preso suspeito de cometer crime de dano qualificado e tentativa de homicídio contra moradores da Comunidade Tabubinha, em Morro Branco, cidade de Beberibe, no Litoral Leste. A prisão ocorreu durante a  Operação Dunas, executada pela  Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão contra o empresário, além da apreensão de pelo menos meio milhão em moeda nacional e estrangeira.

Mais informações serão apresentadas em coletiva de imprensa, às 15 horas, no auditório da Superintendência da Polícia Civil, no Centro.

A Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará (DPCE) acompanha as famílias que residem na Tabubinha, que é uma comunidade tradicional de Beberibe e vem sofrendo atentados durante a madrugada. Segundo a DPCE, o empresário preso foi apontado pelos moradores da comunidade.

A comunidade é composta por mais de 150 pessoas que vivem da pesca e da agricultura há mais de 60 anos. Segundo a Defensoria, os moradores afirmam que os ataques acontecem constantemente durante a madrugada e são realizados por homens encapuzados que usam máquinas e a força bruta para derrubar as casas e afugentar a população.

O último atentado violento aconteceu na madrugada do dia 30 de novembro, quando moradores foram agredidos fisicamente. No início de setembro, casas já haviam sido demolidas em um ataque semelhante.

A supervisora do Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas (NDHAC), defensora Mariana Lobo, junto com o supervisor do Núcleo de Habitação e Moradia (Nuham), defensor Lino Fonteles, e a titular de Beberibe, defensora Betânia Alves, acompanha o caso. Conforme a Defensoria, os relatos colhidos até o momento indicam que há, pelo menos, cinco inquéritos policiais sobre atos de violência para os moradores deixarem as casas.

“Não mediremos esforços no sentido de buscar uma solução que tenha o objetivo de assegurar o direito fundamental à moradia, previsto na Constituição. Os atos de violência são constantes”, afirma Mariana Lobo. Segundo ela, em setembro, a demolição da área só parou porque as pessoas se colocaram em frente a uma casa onde crianças dormiam. “Uma tragédia pode acontecer a qualquer momento. Estamos acompanhando a questão junto às autoridades policiais do município, a fim de garantir a proteção e a integridade das famílias, a manutenção de posse e a reparação de danos”, adianta ela.

A Defensoria Pública acionou o Escritório de Tecnologia Social da Universidade Federal do Ceará (UFC) para que seja realizado o levantamento georreferenciado dos lotes, possibilitando, assim, a regularização fundiária das famílias por meio também de um argumento técnico-científico.

As informações são da Secretaria de Segurança e Defesa Social (SSPDS) e a Defensoria Pública Geral do Estado acompanha o caso.